O chanceler Mauro Vieira, do Itamaraty, deu declarações há pouco no Rio de Janeiro, na saída da Marina da Glória, local de reuniões do G20, sobre a crise com Israel.
“Manifestações do titular da chancelaria do governo Netanyahu, de ontem e de hoje, são inaceitáveis na forma e mentirosas no conteúdo. Uma chancelaria dirigir-se dessa forma a um chefe de Estado, de um país amigo, o presidente Lula, é algo insólito e revoltante. Uma chancelaria recorrer sistematicamente à distorção de declarações e a mentiras é ofensivo e grave. É uma vergonhosa página da história da diplomacia de Israel, com recurso a linguagem chula e irresponsável”, criticou vieira.
Segundo Vieira, a atitude não teria adesão dos israelenses.
“Estou seguro de que a atitude do governo Netanyahu e sua antidiplomacia não refletem o sentimento da sua população. O povo israelense não merece essa desonestidade, que não está à altura da história de luta e de coragem do povo judeu. Em mais de 50 anos de carreira, nunca vi algo assim”, disse.
Desde segunda-feira (19/2), a diplomacia brasileira e a israelense vêm enfrentando uma crise devido à fala de Lula, que comparou a atuação do governo israelense na guerra contra o Hamas ao que Hitler fez com os judeus. Na própria segunda-feira, o ministro de Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, chamou o embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer, ao Museu do Holocausto.
Já nesta terça-feira, o perfil oficial de Israel no Twitter acusou Lula de ser “negacionista do Holocausto”, o que é mentira. Uma publicação questionava: “O que vem à sua cabeça quando pensa no Brasil?”, com uma imagem da bandeira do Brasil. O perfil de Israel, então, respondeu: “Antes ou depois de Lula negar o Holocausto?”.


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