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terça-feira, 7 de julho de 2026
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Rio Branco é a segunda capital mais violenta do Brasil, aponta estudo do Ipea

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado no início deste mês, aponta que a cidade de Rio Branco é a segunda capital mais violenta de todo o Brasil. Isso porque os dados são relativos a um total de 310 municípios brasileiros que possuem mais de 100 mil habitantes, caso da capital acreana. A maior cidade do Acre perde apenas para Fortaleza, capital do Ceará, no número total de mortes violentas cometidas em vários contextos e diferentes fatores.

De acordo com o Ipea, os dados do levantamento fazem referência ao ano de 2017, momento em que as facções criminosas ampliaram suas atuações no Acre e intensificaram uma disputa sangrenta por territórios, rotas de tráfico na fronteira com Bolívia e Peru, além de aumentarem consideravelmente a execução de membros de organizações rivais. Os números apontam que Rio Branco teve mais de 85 mortes para cada 100 mil habitantes de janeiro a dezembro daquele ano.

Em entrevista dada à TV Gazeta, Marisol Brandt, professora da Universidade Federal do Acre (Ufac), doutora em sociologia e especialista em Segurança Pública, Violência Urbana, Sistema Prisional e Direitos Humanos, avaliou que a crescente da criminalidade na capital do Acre está relacionada com as condições econômicas do estado, o alto desemprego e a falta de espaço no mercado de trabalho. Para ela, esses fatores geram um contexto de desigualdade social grande.

A professora explica que é justamente a desigualdade social um dos motivos para esse tipo de crime, o assassinato, ter aumentado tanto nos últimos anos. “Qual o perfil da pessoa que vem sendo vitimada pela violência? A grande maioria é homem, de baixa escolaridade, residente em bairros periféricos da capital”, acentua a doutora. Ela ressalta que as regiões mais pobres e desassistidas pela falta de políticas públicas da União, Estado e Município são as mais vulneráveis.

Segundo a especialista, outro fator que contribuiu imensamente para esse cenário é a região de fronteira, que não possui fiscalização e faz do Acre rota para o tráfico. “O Acre está numa região de tríplice fronteira, o fenômeno da criminalidade organizada disputando com outros grupos é recente, e isso leva a um quadro que recrudesce o crime e aumenta a criminalidade. Então, temos uma situação estratégica em termos de modalidade de crime praticado, as nossas fronteiras são muito desguarnecidas e isso torna ela mais vulnerável também a ação de grupos criminosos”, diz.

Secretário de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Paulo Cézar dos Santos afirmou que esse alto índice de mortes em Rio Branco foi registrado em um contexto específico, que segundo ele já está em processo de conversão durante este ano com a redução da criminalidade. O gestor garante que neste ano os dados são outros. Ele declarou que um levantamento feito pela Sejusp em parceria com o Ministério Público (MP-AC) constatou que a violência teve redução de 46% durante 2019.

“No momento atual nós temos uma redução que se aproxima dos 50% quando comparado com 2017. Para se ter uma ideia, em 2017 o registro de 85 mortes para cada 100 mil habitantes era regra aqui na capital. Hoje, a estatística nos mostra que vamos chegar até o final do ano a uma média de 46 a 47 mortes a cada grupo de 100 mil habitantes. Não é um número satisfatório ainda, mas é bem razoável em relação ao curto período de gestão do sistema”, contrapõe o secretário.