O comentário da mãe de Gladson Cameli (PP), Linda Cameli, de que “dão muita moral para os índios” gerou revolta entre as lideranças indígenas e instituições acreanas, que repudiaram a fala e cobram uma retração do governo do Acre.
O repúdio foi anunciado na manhã desta terça-feira, 22, durante a manifestação contra a PL 490, em Rio Branco. A liderança do povo Yawanawa do Acre, Letícia Yawanawa, disse que Linda precisa conhecer o Acre e a luta dos povos indígenas.
“Desde quando os povos indígenas receberam alguma coisa de graça? Ou ela mão conhece o Acre e a luta dos povos indígenas? Nós repudiamos a fala da mãe do governador. Nós, indígenas, recebemos o filho dela na campanha em nossas comunidades, com muito carinho e respeito. É muito triste para os indígenas que votaram no governador, ouvir isso da mãe dele. Repudiamos a fala de pessoas que são inimigas dos índios, que não querem nos ver com as nossas terras, com a floresta em pé, vivendo a nossa cultura”, afirmou Letícia.

A presidente da Organização das Mulheres Indígenas do Acre, Sul da Amazônia e Noroeste de Rondônia (Sitoakore), também se manifestou. “Fomos os primeiros a chegar na terra brasileira. Uma fala como essa prejudica, pois temos o direito de nos posicionar contra, já que essa estrada passa dentro de terras indígenas”.
A presidente do Instituto Mulheres da Amazônia (IMA), Concita Maia, pediu respeito. “A gente lamenta que uma fala carregada de preconceito tenha partido de uma mulher. Senhora Mãe do governador, nós é que demos muita moral para ele estar lá no governo”, afirmou Concita, que é já foi Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres.
Tashka Peshaho Yawanawa também retrucou o comentário de Linda. “Como índio, digo que essas palavras dessa senhora não têm nada a contribuir pro desenvolvimento do Acre. Usaria as mesmas palavras de Romário a Pele em 2005: ‘Pelé calado é um poeta. Quando abre a boca, só fala merda’.”

O comentário
Linda Cameli fez o comentário “dão muita moral para índio” em suas redes sociais, se referindo ao manifesto dos povos indígenas sobre a falta de transparência em relação ao projeto que prevê a construção de estrada entre as cidades de Cruzeiro do Sul, no Acre, e Pucallpa, departamento de Ucayali, Peru.
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