As ações da Casas Bahia despencaram nesta segunda-feira (17), depois que a varejista protocolou um pedido de recuperação judicial e revelou um cenário financeiro marcado por uma dívida estimada em R$ 17,3 bilhões. Os papéis da companhia chegaram a registrar queda de 31,8% nas primeiras horas de negociação e colocaram a empresa na liderança das perdas do Ibovespa.
No início do pregão, as ações chegaram a ser negociadas a R$ 0,45. Por volta das 11h35, os ativos apresentavam recuo superior a 20%, cotados em aproximadamente R$ 0,52. A forte desvalorização refletiu a reação dos investidores ao pedido de recuperação judicial e à situação financeira apresentada pela companhia.
O movimento acontece após uma ampla operação de redução de custos. Em apenas dois dias, a empresa encerrou as atividades de 298 lojas, número que representa cerca de 28,7% das pouco mais de mil unidades mantidas pela rede no país.
Além do fechamento das unidades, o processo de reestruturação atingiu aproximadamente 1,9 mil trabalhadores. Cerca de 600 funcionários teriam sido desligados na quinta-feira (13), enquanto outros 1,3 mil a 1,4 mil cortes estavam previstos para o dia seguinte.
A dimensão dos encerramentos chama atenção porque a companhia historicamente realizava reduções de sua rede de maneira mais gradual. Em períodos anteriores, os cortes costumavam envolver algumas dezenas de lojas por ano, enquanto a atual estratégia concentrou quase 300 fechamentos em um intervalo de apenas dois dias.
O pedido de recuperação judicial foi apresentado depois de a companhia divulgar resultados que evidenciaram a pressão sobre suas contas. No segundo trimestre de 2026, o grupo registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões.
Uma parcela significativa desse resultado, segundo a empresa, está relacionada a ajustes contábeis envolvendo créditos fiscais cuja recuperação deixou de ser considerada provável. Ainda assim, o resultado amplia o histórico recente de perdas da varejista.
No primeiro trimestre deste ano, a Casas Bahia havia registrado prejuízo próximo de R$ 1,1 bilhão. O valor foi mais que o dobro da perda contabilizada no mesmo período de 2025. Considerando todo o ano passado, o prejuízo acumulado chegou a aproximadamente R$ 3 bilhões.
A companhia também enfrenta dificuldades relacionadas ao ambiente de consumo. O elevado nível de endividamento das famílias reduz a capacidade de compra dos consumidores, enquanto as despesas financeiras aumentam a pressão sobre empresas que dependem de crédito para manter suas operações.
A crise atual não representa a primeira tentativa da Casas Bahia de reorganizar suas finanças. Em 2024, a varejista recorreu à recuperação extrajudicial como parte de um acordo firmado com instituições financeiras para reestruturar sua dívida.
Já neste ano, a dívida líquida apresentou redução em determinados períodos, principalmente após a conversão de débitos de credores em participação acionária. A medida, entretanto, não foi suficiente para impedir a sequência de resultados negativos.
A recuperação judicial é um instrumento previsto na legislação brasileira que permite a empresas em dificuldades financeiras negociar e reorganizar suas obrigações com credores, buscando preservar as atividades enquanto o processo de reestruturação é conduzido.
O novo pedido coloca a Casas Bahia diante de uma das fases mais delicadas de sua história recente. Com centenas de lojas fechadas, milhares de trabalhadores desligados, prejuízos bilionários e forte queda no valor de mercado, a varejista agora depende da reestruturação para tentar recuperar o equilíbrio financeiro e manter suas operações.


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