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segunda-feira, 29 de junho de 2026
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Povos indígenas fecham BR-364 e realizam protesto em Rio Branco contra PL 490

Unificados ao movimento nacional contra o Projeto de Lei 490/2007 – que abre as terras indígenas para a exploração econômica predatória e inviabiliza, na prática, novas demarcações –, os povos indígenas do Acre bloquearam a passagem na BR-364, em Feijó, na manhã desta terça-feira, 22.

Em Tarauacá, as lideranças indígenas também realizam protesto na rodovia. Na capital, Rio Branco, o manifesto ocorre durante todo o dia, na Praça do Palácio Rio Branco, Centro da cidade.

Foto: Maria Meirelles

Em todo o país, os indígenas exigem que o PL 490 seja retirado de forma definitiva da pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJC) da Câmara dos Deputados. O deputado federal Leo de Brito (PT/AC) denunciou a forma truculenta como os indígenas estão sendo tratados em Brasília.

“Estão querendo rasgar a Constituição Federal, tirando os nossos direitos conquistados. Essa manifestação é uma extensão do que está acontecendo em Brasília, há dias. Nós queremos que esse projeto seja extinto, porque é uma proposta do Executivo que vai contra o que diz a lei. Nós queremos respeito à nossa vida e a garantia da geração futura, por isso, somos contra o PL 490”, afirmou Nedina Yawanawa, que é presidente da Organização das Mulheres Indígenas do Acre, Sul da Amazônia e Noroeste de Rondônia (Sitoakore).

O Levante pela Terra, como é chamada a manifestação, está sendo puxada no Acre pela Articulação dos Indígenas do Brasil (Apib),  Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (Umiab), Sitoakore, Federação do Povo Huni Kuin do Acre (FEPHAC), Instituto Mulheres da Amazônia (IMA), Organização dos povos indígenas do Rio Envira (Opire), com apoio da Comissão Pró-Índio.

“Esse projeto é uma grande ameaça aos povos indígenas, uma ameaça também à nossa terra e à nossa floresta. Então, nós repudiamos a PL 490 com nossas danças, falas e cantorias esse projeto que representa a destruição e o retrocesso”, disse Letícia Yawanawa, que é coordenadora da Fortalecimento Indígena das Plantas Medicinais.

Os povos indígenas não receberam apoio do governo do Estado. A manifestação, que contou com a participação do deputado federal Jenilson Leite (PSB), vai durar o dia todo. Segundo a presidente do IMA, Concita Maia, essa é uma luta ancestral.

“Essa luta não começa agora, é uma luta ancestral. Muito sangue correu para que tívessemos as terras dos povos indígenas demarcadas. Agora, é uma questão de resistência, de respeito para com os direitos das populações indígenas. O IMA está de corpo e alma nessa luta. E nós queremos mais, nós queremos fora Bolsonaro, fora esse governo genocida.”

Concita maia
A manifestação em frente ao Palácio ocorre durante todo o dia (Foto: Maria Meirelles)