POR AGOSTINHO ALVES

O eterno vereador José Silva de Noronha, ou como era carinhosamente conhecido, “o Patinha”, perdeu a batalha para o Novo Coronavírus e partiu desta vida neste sábado (22), no Instituto de Traumatologia e Ortopedia – INTO – de Rio Branco/Ac. Patinha foi internado no hospital regional Maria Geny Lima, em Boca do Acre, no dia 25 de julho, de onde foi transferido para a capital acreana, e 28 dias depois não resistiu ao agravamento do quadro de saúde.
A família conseguiu o translado do corpo para Boca do Acre, para que Patinha fosse sepultado na sua cidade natal, a exemplo do que aconteceu com Valdir Fernandes. José Noronha, além de ser um idoso de 65 anos de idade, ainda tinha hipertensão, uma das comorbidades que potencializam os efeitos da Covid-19.
BIOGRAFIA
Patinha era filho de Adauto Nogueira de Noronha e Maria Augusta da Silva, ambos naturais do Estado do Amazonas. José Noronha nasceu no dia 14 de abril de 1955, na Comunidade Santa Rita, no Rio Purus.
O apelido
Na sua infância, José Noronha tinha muita força e vontade de trabalhar. Em um certo dia, José Noronha estava caminhando na rua com um saco de cimento, quando um garoto o viu e disse que ele parecia com uma patinha. Desde então ficou conhecido como Patinha.
Um dos momentos que marcou a vida do saudoso vereador, foi na sua primeira eleição de 1996, faltando 18 dias para a votação. Patinha teria recebido a triste notícia que seu pai Adauto Nogueira de Noronha teria falecido. Depois de algum tempo, Patinha também perdeu sua mãe Maria Augusta da Silva.
Primeira vitória
Na sua primeira vitória como vereador, os familiares decidiram cair em campo e pediram para que ele ficasse em casa. Foram três dias em que ele se ocupou em escrever seu número várias vezes, em folhas de cartolina, porque não tinha condições financeiras para bancar os santinhos e qualquer outro tipo de propaganda.
Atualmente, já com seis mandatos (1997/2000; 2001/2004; 2005/2008; 2009/2012 e 20013/2016;2017/2020) José Silva de Noronha era reconhecido como o vereador do povão, das classes menos favorecidas, justamente aqueles que lhe conduziram ao mandato durante 24 ininterruptos anos.
ENTREVISTA EM 2012
No ano de 2012, Patinha concedeu uma entrevista ao Jornal Opinião, oportunidade em que falou sobre as conquistas. Segundo ‘Patinha’, a permanência no cargo se devia a Deus, à família e à população.
“Minhas eleições são consagradas pelo povo, pois eu nunca fiz campanha comprando voto. Durante esses anos em que estou na política, eu fui uma pessoa que só tratei do bem do município, e só ajudei Boca do Acre, só trabalhei pelo desenvolvimento da nossa terra”, falou na época, o vereador que entrava para o seu quinto mandato.
Há oito anos, Patinha exibiu com orgulho um resumo do trabalho que tem feito na Câmara Municipal de Boca do Acre. São 12 Projetos de Lei, 35 Requerimentos e 93 indicações. “Isso é prova que o parlamentar trabalha”, proferiu José Noronha.
Dedicação
“Se eu não fizesse nada pela população, eu não estava pela quinta vez no mandato. A primeira eleição é um experimento, se for bom, volta, se não for bom, não volta. Eu dedico todo o meu tempo para a população, principalmente aos mais carentes”, completou.
Durante o bate-papo, Noronha afirmou que é difícil ser vereador em Boca do Acre. Segundo ele, essa dificuldade se dá pelo fato de o eleitor não se contentar somente com o trabalhar do legislador, ele quer algo a mais (assistencialismo) e, de acordo com ‘Patinha’, o vereador não foi eleito para ‘dar’, foi eleito para propor, fiscalizar e legislar.
Presidente da CMBA
Patinha já presidiu a Câmara na oportunidade que foi vice-presidente. Também esteve à frente de todas as comissões permanentes do legislativo e, em razão disso, o vereador se dizia preparado para exercer qualquer função que ele for confiado.
Noronha disse que a legislatura mais difícil pela qual ele passou, foi no mandato da ex-prefeita e atualmente vereadora, Maria das Dores Munhoz, a Dorinha. Naquela ocasião, Patinha se posicionou na oposição e fez cobranças enfáticas à gestão da época.
Vereança em defesa do povo
José Noronha lembrava sempre que “o vereador foi eleito para defender o povo, se o prefeito, quem quer que seja, está trabalhando para o povo, você esteja ao lado dele, mas ele tiver contra o povo, você deve estar contra ele, do mesmo jeito que vou fazer com qualquer um que entrar”.


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