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sexta-feira, 7 de agosto de 2026
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Dólar abre em leve queda ainda sob efeito do corte da Selic

dólar abriu em leve queda nesta sexta-feira (7), enquanto os investidores seguem repercutindo a decisão de juros do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central e os efeitos da temporada de balanços corporativos. Os investidores também aguardam dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos previstos para esta sexta.

Às 9h10, o dólar à vista caía 0,13%, a R$ 5,0988. Na B3, o contrato de dólar futuro para setembro –o mais líquido no mercado brasileiro— cedia 0,22%, aos R$ 5,1295.

Na véspera, a moeda norte-americana fechou em alta de 0,48%, cotada a R$ 5,105. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançou 0,26%, enquanto o Ibovespa encerrou o dia em queda de 1,22%, aos 175.546 pontos.

Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, afirma que o movimento contrário do dólar no Brasil em relação à tendência de valorização no exterior foi consequência da postura mais dura adotada pelo Banco Central brasileiro.

“Ao sinalizar que os juros não devem cair em um ritmo acelerado, a autoridade monetária garante que a renda fixa local continuará pagando prêmios atrativos para o capital estrangeiro”, diz a especialista.

Na quarta-feira (5), o Copom reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo da Selic. A decisão já era amplamente esperada pelos economistas.

No comunicado divulgado após a decisão, o colegiado não antecipou os próximos passos da política monetária e voltou a afirmar que o tamanho total do ciclo de cortes será definido “à luz de novas informações”, diante dos riscos para a trajetória da inflação.

Entre os destaques que movimentaram a Bolsa na véspera estão o balanço do Bradesco, que registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no segundo trimestre, alta de 16,2% em relação ao mesmo período de 2025, e a expectativa pelos resultados da Petrobras, que foram divulgados após o fechamento do mercado.

No primeiro trimestre completo sob efeito da alta do petróleo após o início da guerra no Irã, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, quase o dobro (97% a mais) do mesmo trimestre do ano anterior. Foi seu melhor resultado desde o segundo trimestre de 2022, em meio ao conflito na Ucrânia.

As ações do Bradesco cairam 1,93%, cotadas a R$ 17,70. Ao longo do dia, os papéis da Smart Fit lideraram as perdas do Ibovespa, com queda de 7,82%, para R$ 18,38, após a divulgação, na véspera, de um balanço abaixo das expectativas do mercado.

As ações do Banco do Brasil também tiveram forte recuo nesta quinta-feira, caindo 3,65%, para R$ 20,28.

Segundo Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, a queda das ações do Banco do Brasil em relação aos pares reflete uma sequência de resultados negativos da instituição, o que faz com que o mercado seja mais rigoroso com o papel.

Augusto Parente, sócio-fundador da AW Capital, afirma que, como o banco atravessa um momento mais delicado, o mercado já tenta precificar o resultado do segundo trimestre, que será divulgado no próximo dia 12. Os últimos balanços do banco foram fortemente impactados pelo aumento da inadimplência no agronegócio.

O lucro do Banco do Brasil no quarto trimestre de 2025 caiu 40% em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 5,7 bilhões.

Parente também avalia que a queda da Bolsa na quinta-feira foi uma reação de curto prazo ao comunicado divulgado pelo Copom. Embora o corte de juros já estivesse precificado, o mercado interpretou o comunicado como mais duro e cauteloso. “O discurso mostrou preocupação com as inúmeras incertezas que envolvem o cenário econômico atual, seja doméstico ou internacional.”

No cenário internacional, os investidores também seguem acompanhando os desdobramentos do conflito entre EUA e Irã.

O Irã e Omã propuseram um acordo para dar fim à guerra no Oriente Médio, mas ainda não houve comentário dos EUA sobre a proposta. Ao mesmo tempo, o Irã alertou os países do Golfo Pérsico de que qualquer novo ataque dos EUA ao seu território desencadearia retaliações contra infraestruturas energéticas essenciais em toda a região, segundo cinco fontes ouvidas pela Reuters.

Os juros futuros fecharam o dia em alta em quase todos os pontos da curva. O DI para janeiro de 2028 avançou para 13,870%, alta de 0,07 ponto percentual. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 subia para 14,470%, avanço de 0,15 ponto percentual.

Eduardo Amorim, especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, afirma que a parte curta da curva de DI acompanha principalmente as expectativas para as próximas decisões do Copom. Atualmente, o mercado projeta juros próximos de 13,8% no início de 2027, indicando espaço limitado para novos cortes neste ano.

“Nos vencimentos mais longos, as taxas devem continuar mais voláteis e com prêmio elevado, refletindo as incertezas fiscais, o período eleitoral, o comportamento do câmbio e o cenário externo”, diz Amorim.

Segundo o especialista, a expectativa é de uma queda lenta dos juros de curto prazo, caso a inflação continue desacelerando, enquanto a parte longa da curva deve permanecer pressionada.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO