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sexta-feira, 7 de agosto de 2026
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Demanda por IA mantém motor das exportações da China em pleno funcionamento

As exportações da China superaram as expectativas em julho, se mantendo um dos principais motores do crescimento econômico do país. O boom global da infraestrutura de inteligência artificial ajudou, impulsionando a demanda por produtos de alta tecnologia. Também houve uma antecipação de embarques por exportadores antes da entrada em vigor de tarifas mais altas dos Estados Unidos.

A China tem contado com a demanda externa para sustentar o crescimento e compensar o consumo interno fraco e a desaceleração dos investimentos. No entanto, os atritos nas relações com seus parceiros comerciais podem levar a mais protecionismo em um ambiente global incerto, agravado pela guerra no Oriente Médio.

As exportações da China em julho cresceram 23,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, em termos de valor em dólares, segundo dados da alfândega divulgados nesta sexta. O resultado desacelera em relação ao aumento de 27% do mês anterior e fica abaixo da previsão de 22,2% de alta de uma pesquisa da Reuters.

As importações aumentaram 27,5% em relação a julho do ano passado, desacelerando em relação ao salto de 36% de junho e em linha com o ganho esperado de 27,9%.

No mês passado, os Estados Unidos proibiram as importações de novos robôs humanoides e quadrúpedes, bem como de inversores de energia conectados, provenientes da China. Nesta quinta-feira (6), também impuseram preços mínimos de importação e uma tarifa de 15% sobre produtos fabricados com polissilício, a matéria-prima utilizada em semicondutores e painéis solares produzida principalmente pela China.

DEMANDA RESILIENTE POR PRODUTOS RELACIONADOS À IA

Analistas esperam que a demanda por IA, que impulsionou os preços de produtos relacionados à tecnologia, sustente um forte crescimento das exportações no terceiro trimestre e até mesmo no segundo semestre.

As exportações de chips nos primeiros sete meses quase dobraram em valor em relação ao ano passado, e as exportações gerais de alta tecnologia cresceram 40,7%, segundo os dados da alfândega.

As remessas de cerâmica caíram 28,3% e as exportações de brinquedos diminuíram 9,7%, em mais um sinal do desenvolvimento desigual da economia, em que fabricantes de ponta aproveitam o boom da IA, enquanto setores mais tradicionais enfrentam dificuldades devido à fraca demanda.

crescimento do PIB da China desacelerou para 4,3% no segundo trimestre, ficando abaixo da meta oficial de Pequim para o ano inteiro, que é de 4,5% a 5%.

“A demanda externa tornou-se cada vez mais importante este ano para as perspectivas de crescimento, à medida que a divergência em forma de K da China se amplia”, disse Lynn Song, economista-chefe para a Grande China do ING.

RELAÇÕES COM PARCEIROS COMERCIAIS

Autoridades chinesas têm prometido repetidamente expandir as importações e promover um comércio equilibrado. No entanto, o superávit comercial do país, a caminho de ultrapassar US$ 1 trilhão (R$ 5,10 tri) pelo segundo ano consecutivo, continuou a inquietar os parceiros comerciais. Eles temem perturbações em suas próprias indústrias nacionais.

O superávit comercial da China diminuiu para US$ 112,5 bilhões (R$ 573,6 bi), ante US$ 125,62 bilhões (R$ 640,5 bi) em junho. Seu superávit comercial com os EUA diminuiu ligeiramente para US$ 28 bilhões (R$ 142,77 bi) em julho, ante US$ 28,86 bilhões (R$ 147,16) no mês anterior.

As exportações para os EUA aumentaram 17% em relação ao mesmo mês do ano passado. As remessas para a União Europeia cresceram 16%, enquanto as importações do bloco caíram 1,4%. O comércio com a Coreia do Sul manteve um crescimento robusto em julho, com as exportações subindo 46,6% e as importações, 97,8%, impulsionadas pela demanda por alta tecnologia.

Exportadores chineses e importadores americanos continuaram a antecipar os embarques em julho, pois esperavam que as tarifas de Washington sobre produtos chineses aumentassem após o vencimento da alíquota global temporária de 10% no final de julho, disse Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit.

Em julho, os EUA impuseram uma nova tarifa de 12,5% sobre as importações, como parte de uma campanha tarifária mais ampla, adotada após uma investigação sobre trabalho forçado em 60 parceiros comerciais, inclusive o Brasil. Uma investigação separada dos EUA sobre o excesso de capacidade dos parceiros comerciais provavelmente aumentará ainda mais as tarifas.

Com as exportações em alta e as fábricas operando a todo vapor, os formuladores de políticas podem se sentir mais à vontade para adiar medidas destinadas a aumentar a renda das famílias e fortalecer os sistemas de previdência social, a fim de lidar com a fraqueza arraigada na demanda interna.

Analistas da Macquarie afirmaram que o apoio de Pequim às políticas de consumo interno e ao mercado imobiliário permanecerá moderado enquanto as exportações e a indústria puderem ajudar a economia a atingir a meta anual de crescimento.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO