AGOSTINHO ALVES

Quando eles prometeram que pedalariam até a capital do Acre, muita gente duvidou e até os chamou de malucos. Mas os tresloucados pela prática do pedal cumpriram com a promessa, foram até Rio Branco e retornaram para Boca do Acre, pedalando mais de 400 quilômetros, em menos de 24 horas, mais precisamente 17 horas e meia.
Quatro ciclistas da equipe Papa-Léguas partiram de Boca do Acre: Ricardinho, William França, Seba Silva e Val Zambianch. O horário do início da viagem foi às 5h30, com a escuridão da noite ainda predominando, mas nada que impedisse o quarteto que pegar a estrada, mais do que isso, de sair com velocidade acima do normal, atingindo máximas de 58 km/h.
Até a primeira parada foram mais de 60 quilômetros percorridos em uma hora e meia. O lanche da Ozana foi onde os ciclistas estacionaram as bicicletas para fazer hidratação e necessidades fisiológicas, realizar acertos nas magrelas.
Ricardinho cai
Meia hora depois o quarteto já estava dentro da segunda reserva indígena, a chamada “Reserva do Meio”, foi onde ocorreu a primeira baixa do grupo. O ciclista Ricardinho caiu, depois que o guidão da bicicleta se partiu. Na queda, Ricardinho ficou com ferimentos e escoriações. A partir daí, o grupo ficou com três integrantes e o acidentado foi para o carro de apoio.
Às 9h15min o trio percorreu 110 quilômetros e realizou a segunda parada, dessa vez para reidratação, alimentação e outras questões. O local foi a tradicional Lanchonete do Passarinho. Pouco mais de dez minutos de descanso e os ciclistas já estavam novamente na estrada, para a parte final do percurso, agora com parada final no Auto Posto Correntão, em Rio Branco.

Companhia
Faltando 5 quilômetros para o entroncamento das BRs 317 e 364, a equipe teve a companhia do ciclista Roni, da equipe Honda, que competente no Campeonato Acreano de Ciclismo, que veio ao encontro dos atletas de Boca do Acre. “Dr. Arly”, como é conhecido o fundador da equipe Papa-Léguas, desceu a sua montain bike e percorreu os últimos 25 quilômetros.
Rio Branco
Ao meio dia, Val Zambianch e William França cruzaram o perímetro urbano de Rio Branco. Pouco minutos depois, Seba Silva passou no mesmo lugar. Por fim, Arly e Bruno chegaram ao ponto final.
Carlão
O grupo ficou descansando por uma hora e meia. Nesse tempo ainda teve a visita daquele que iniciou o ciclismo em Boca do Acre, Carlão, quem além de apoio aos conterrâneos, ainda colaborou com a doação de pneus e energético para os ciclistas.
Carlão conversou com o Jornal Opinião e relatou que por vários anos fez essa viagem, quando a BR-317 era de uma ponta a outra de barro e com trechos de atoleiros que impediam o tráfego. “Fico feliz de ver meus conterrâneos darem continuidade com aquilo que eu iniciei”. Carlão ficou visivelmente emocionado com o feito dos atletas bocacrenses e disse que sua vontade era de acompanhar o grupo na viagem de volta.

O retorno
Às 14h25min foi o momento em que a equipe Papa-Léguas largou da capital acreana em direção à Boca do Acre. Teria pela frente mais 206 quilômetros, com três trechos de barro, sem contar com a grande chance da aventura terminar à noite.
Câimbras do William
Com 300 quilômetros percorridos, William França, que já havia sentido uma fisgada, levantou a mão em sinal de que estaria chegando ao fim a sua participação no bate-volta. França reclamou de fortes câimbras. A bicicleta e o ciclistas foram para o carro de apoio e viagem de volta continuou.

Bate-volta concluído com sucesso
A noite caiu, mas as pedaladas não cessaram. Com 17 horas e meia de pedal intenso e 412 quilômetros percorridos, os ciclistas cruzaram a linha de chegada de Boca do Acre, realizando um feito inédito, que os próprios atletas não acreditavam que foram capazes de cumprir, que é ir a Rio Branco e voltar no mesmo dia.
















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