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quarta-feira, 24 de junho de 2026
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Grupo de agricultores movimenta quase R$ 2 milhões com a venda de produtos em 2016

Grupo de agricultores movimenta quase R$ 2 milhões com a venda de produtos em 2016

A jornada começa cedo, passa das 3:00h da madrugada e um grupo de 28 famílias de agricultores do Projeto de Assentamento Zaqueu Machado, localizado no município de Capixaba, distante cerca de 77 km de Rio Branco, capital do Acre, já está de pé para carregar dois caminhões, um disponibilizado pela prefeitura do município e outro pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária no Acre (Incra/AC). A carga, os mais variados produtos da agricultura familiar, produzidos com todo o esmero e cuidado, sem agrotóxicos ou qualquer outro defensivo agrícola que possa contaminar e influenciar na qualidade do produto.

Saindo do projeto de assentamento, os agricultores viajam por um trecho da BR-317 e rodovia AC-40 até chegar em Rio Branco. Os produtos, que vão desde verduras a compotas, doces e queijos, frutas, polpa de frutas e as mais variadas iguarias, que são comercializados em dois dias na semana na capital, cultivada no sistema agroecológico.

No período de chuvas no Estado, os trabalhos muitas vezes começam mais cedo, já que os produtores têm que levar toda a produção de trator até o ponto onde estão os caminhões para serem carregados. Mas, como todo esforço tem sua recompensa, o grupo tem se destacado entre os outros produtores dos projetos de assentamentos no Acre, sobretudo pelo seu poder de organização que vem rendendo frutos satisfatórios. Até novembro de 2016, o grupo, batizado de “Horta Nativa”, movimentou R$ 1,8 milhão com a venda dos produtos da agricultura familiar, o que gerou uma renda de pouco mais de R$ 5.300, por família.

O sucesso do grupo está ligado diretamente ao empenho, compromisso e organização dos produtores e de entidades que apoiam o homem do campo, como o Incra e a prefeitura de Capixaba.

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Criado em 2002, o Projeto de Assentamento Zaqueu Machado foi a realização de um sonho para 236 famílias que receberam do Incra o tão esperado “pedaço de chão” por meio do programa de Reforma Agrária. Diferente de muitos que querem um lote de terra para negociar das mais variadas formas, 28 famílias de agricultores do projeto decidiram se unir e criar o grupo Horta Nativa que em pouco mais de uma década de trabalho tem mostrado que é possível ter uma vida confortável com a agricultura familiar.

O resultado positivo da diversificação da produção rural dos agricultores do Zaqueu Machado fica evidente com a grande procura pelos produtos comercializados na “Feirinha da Horta Nativa”. A feira, montada todas as quartas-feiras na praça do bairro São Francisco e as sextas em frente a sede do Incra, no bairro Aviário utiliza uma estrutura de barracas padronizadas, adquiridas por meio do programa Terra Sol do governo Federal, através do Incra.

De acordo com o coordenador do grupo Horta Nativa, Laede Felix da Silva, destacou o sucesso da feira é devido ao empenho e a determinação de todos os participantes, que entenderam que a melhor forma de crescimento é através da organização e do trabalho em equipe.

“Em apenas três anos a nossa feirinha se tornou um sucesso e devemos isso ao empenho e esforço de todos os produtores que entenderam que era preciso se organizar e realizar um trabalho em parceria para que pudéssemos crescer e graças a Deus temos conseguido chegar a onde queríamos e muitos aqui estão conseguindo realizar seu sonho”, disse Laede Felix.

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Laede reconheceu ainda a importância da parceria do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra e da prefeitura de Capixaba para o crescimento do grupo Horta Nativa.

“Os nossos produtos tiveram grande aceitação da população e por isso o sucesso nas vendas. Não podemos deixar de reconhecer que é de grande importância o apoio da prefeitura de Capixaba e do Incra para o escoamento de nossa produção, são parceiros que merecem o nosso reconhecimento e por isso acreditamos que vai melhorar cada vez mais com esse apoio que vem sendo dado à agricultura em nosso Estado”, disse o coordenador do Horta Nativa.

O Superintendente Regional do Incra no Acre, Eduardo Ribeiro, enfatizou que a principal responsável pela comida que chega às mesas das famílias brasileiras, a agricultura familiar responde por cerca de 70% dos alimentos consumidos em todo o País e que o Incra tem como uma das metas o apoio ao fortalecimento dessa cadeia produtiva no Acre.

“O pequeno agricultor ocupa hoje papel decisivo na cadeia produtiva que abastece o mercado brasileiro. A mandioca, o feijão, o leite, a carne de aves e o milho são alguns grupos de alimentos com forte presença da agricultura familiar na produção. Para 2017, o Incra tem uma meta de regularizar cerca de 2,5 mil famílias de agricultores em projetos de assentamentos da Reforma Agrária no Acre e com essa ação os produtores poderão ter acesso a melhores condições de crédito e a ampliação de mercado por meio de programas do Governo Federal, como o de aquisição de alimentos e o de fomentos”, comentou Eduardo Ribeiro.

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Sonhos realizados

“Quem tem força de vontade e quer trabalhar consegue vencer e temos na reforma agrária
e na agricultura familiar uma grande benção em nossas vidas”, João Silva, produtor rural.

“É possível ter uma vida confortável trabalhando na agricultura familiar de forma organizada e harmônica. Graças a Deus temos o Grupo Horta Nativa bem fortalecido e com pessoas comprometidas”, Luíza da Silva Nobre, agricultora.

O Brasil fora do Mapa da Fome

O fortalecimento da agricultura familiar, aliado à execução de  programas de inclusão social, como o Pronatec Rural, contribuiu, por exemplo, para que o Brasil fosse retirado do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
Recentemente, a agência da ONU apresentou um relatório na qual afirma que o Brasil pode se tornar o principal exportador de alimentos do mundo na próxima década. O documento destaca o papel fundamental da agricultura familiar na produção de alimentos e elogia as políticas públicas do governo federal para o setor. (Com informações do Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA)