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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Médica que tirou plantão em hospital onde grávida perdeu filho é investigada pelo MP-AC

Uma médica que tirou plantão em um hospital onde uma grávida perdeu o filho durante atendimento é investigada pelo Ministério Público do Acre (MP-AC). Isso porque um inquérito civil do órgão mostra que a profissional tirou plantão de outro médico no Hospital Regional do Alto Are Wildy Viana, na cidade de Brasileia. De acordo com a denúncia, ela não tinha vínculo com o Estado a época do fato e nem integrava o quadro de servidores da unidade pública de saúde.

Além da atuação irregular, a denúncia aponta que uma mulher grávida, que foi atendida pela médica durante o plantão, teve uma reação alérgica e perdeu o filho. O caso ocorreu em julho de 2018 e foi denunciado pelo marido da paciente. Segundo o Ministério Público, o inquérito já ouviu os profissionais que estavam no hospital no dia do caso relatado para verificar se houve erro por parte da médica durante o atendimento. Profissionais citados não quiseram comentar o caso.

A médica investigada não foi encontrada para falar do assunto. Em posicionamento dado ao portal de notícias G1 Acre, a Gerência do Hospital Regional do Alto Acre Wildy Viana afirmou que o fato aconteceu na gestão anterior e que não possui conhecimento do processo. “É um documento antigo, da gestão passada, que já foi até respondido pela gestão. Não temos conhecimento e nem fomos notificados do processo”, disse o gerente da unidade, Janildo Morais, na entrevista ao G1.

Promotor do Ministério Público e responsável pelo caso, Carlos Augusto Pescador disse que as investigações estão na fase inicial do inquérito e que o processo será colocado sob sigilo. Ele falou que a médica não tinha vínculo com o Estado na época dos fatos. “Não tinha vínculo com o Estado, hoje ela passou a ter. O pai procurou a gente [para denunciar]. Já ouvimos umas sete pessoas, falta a gerência do hospital e a médica, que vai ser a última a ser ouvida”, disse ao G1.

Pescador afirmou ainda que a medicação aplicada na grávida é usada normalmente nos procedimentos. De acordo com ele, a mulher não sabia que era alérgica ao medicamento. “O protocolo foi o correto, só que ela [paciente] tinha alergia, faz parte de um número pequeno de pessoas que é alérgica. Ela não sabia. Porém, vamos mandar médicos do MP-AC para ver se era o protocolo correto, mas os profissionais disseram que era o protocolo”, destacou o responsável.

Durante as oitivas feitas pelo MP-AC no processo, os servidores ouvidos relataram que a mulher grávida chegou à unidade na parte da manhã sentindo algumas dores. Procedimentos como exames e verificação dos batimentos cardíacos foram realizados e a mulher foi liberada. A paciente retornou com dores durante a tarde e foi medicada com cefalotina, que causou o quadro alérgico. Uma das médicas ouvidas informou que viu a profissional investigada atendendo a paciente.

Investigação

Durante o processo, o Ministério Público detalha o depoimento da médica que viu a colega atendendo a grávida: “[A médica] Estava atendendo uma paciente na maternidade quando ouviu gritos e perguntou o que estava acontecendo, sendo informada de que a paciente estava apresentando uma reação alérgica; que estabilizou a paciente que estava atendendo e saiu para ajudar na ocorrência da paciente que apresentava alergia; que quando chegou ao local foi informada que a paciente estava apresentando um grave quadro alérgico à Cefalotina”, aponta.

A paciente foi estabilizada e ficou em observação. O depoimento afirma ainda que no início da noite ela foi avaliada por outro médico, que ouviu os batimentos cardíacos do bebê. “Realizou a aferição dos batimentos do feto através da ultrassom, momento em que se percebeu que estavam em 70; que não havia a mínima condição de que fosse realizada uma cesárea de urgência, uma vez que a situação clínica não permitia, pelo fato de que a paciente estava hipotensa”, falou ela.

Segundo a médica, a anestesia era necessária para realizar o procedimento de cesariana. Entretanto, se o recurso fosse utilizado pioraria o quadro da paciente “com a possível perda de ambos”, ressaltou ela ao MP-AC. De acordo com o depoimento, uma nova avaliação foi feita na grávida após às 19h pelo mesmo médico. Ele percebeu que o coração do bebê não tinha mais batimentos e comunicou sobre o fato ao pai da criança. O feto foi retirado em um parto normal por outro profissional após a confirmação do óbito. A grávida não sofreu complicações clínicas.

“É comum a aplicação de Cefalotina, realizada em inúmeros procedimentos de parto; que a aplicação objetiva evitar infecções, já que se trata de um antibiótico de largo espectro; que durante toda a sua vivência médica nunca havia presenciado nenhuma paciente com reação alérgica ao medicamento; que sempre foi praxe perguntar aos pacientes acerca da existência ou não de alergia; que se o paciente relata que é alérgico à penicilina, não é feito o medicamento cefalotina”, disse a médica.

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