Vacina da Johnson & Johnson é segura e produz resposta imune, aponta estudo

Uma dose única da (vacina) Ad26.COV2.S induziu uma forte resposta humoral na maioria dos receptores da vacina, com a presença de anticorpos neutralizantes em mais de 90% dos participantes

A vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Johnson & Johnson obteve indicadores satisfatórios de segurança e produção de resposta imunológica, de acordo com resultados das fases 1 e 2 publicados no periódico científico The New England Journal of Medicine.

Os resultados positivos foram obtidos após aplicação única do imunizante em voluntários, com duas dosagens diferentes.

Essa característica é tida como o diferencial da vacina, já que representaria uma imunização acelerada da população.

“Uma dose única da (vacina) Ad26.COV2.S induziu uma forte resposta humoral na maioria dos receptores da vacina, com a presença de anticorpos neutralizantes em mais de 90% dos participantes, independentemente da faixa etária ou da dose da vacina”, escreveram os pesquisadores da Janssen, braço farmacêutico da Johnson & Johnson, na conclusão do estudo.

Os anticorpos aumentaram e se estabilizaram ao longo de uma análise de 71 dias, o que sugere a durabilidade da resposta imune da vacina.

com informações da CNN Brasil

Contrato de seguro de vacina pago por governo Bolsonaro é mantido em sigilo

Enquanto a CPI da Covid avança, estão sob sigilo os contratos de seguro que somam R$ 10 milhões pagos pelo governo Bolsonaro para cobrir a responsabilidade em caso de efeitos adversos das vacinas Pfizer e Jansen. Procurado pelo Painel S.A., o Ministério da Saúde diz que os acordos de aquisição dos imunizantes assinados com os laboratórios têm cláusulas de confidencialidade exigidas pelas empresas, portanto, os dados da contratação de seguro também ficam confidenciais.

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Anvisa aprova armazenamento de vacina da Pfizer em temperaturas mais altas para facilitar logística

 Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o armazenamento da vacina da Pfizer contra a Covid-19 em temperaturas mais altas do que originalmente previsto, a pedido do laboratório, para facilitar a logísitica de transporte do imunizante.

Será acrescentado na bula, segundo a agência reguladora, que “alternativamente, os frascos fechados podem ser armazenados e transportados entre -25 °C a -15 °C por um período único de até 2 semanas e podem retornar a -90 °C a -60 °C”.

A Anvisa disse que já constava na bula que a vacina deveria ser mantida no congelador a uma temperatura entre -90 °C e -60 °C e que, uma vez retirada do congelador, a vacina fechada poderia ser armazenada por até cinco dias em temperatura entre 2 °C e 8 °C.

“Estudos de estabilidade apresentados comprovam que a vacina mantém suas características de qualidade nas novas condições de temperatura. As novas indicações foram avaliadas a pedido do laboratório”, disse em nota a agência reguladora.

Os novos limites de conservação não alteram o período de validade total do produto, que é de seis meses. As demais orientações de conservação e armazenamento da vacina não foram modificadas.

“Essa nova autorização para o armazenamento de nossa vacina contra a Covid-19 contribuirá para a logística de vacinação com o imunizante em um país de dimensões continentais como o Brasil”, disse em comunicado Márjori Dulcine, diretora médica da Pfizer Brasil.

O governo brasileiro está negociando com a Pfizer a compra de mais de 100 milhões de doses até o final deste ano, totalizando 200 milhões de unidades a serem adquiridas da farmacêutica. O anúncio foi feito pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria, em uma rede social.

“A negociação começou há cerca de 20 dias e a pasta busca dar celeridade ao processo”, escreveu o ministro.

Na semana passada, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou que a Pfizer antecipará 2 milhões de doses, elevando o total de imunizantes fornecidos pela fabricante para 15,5 milhões até junho.

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Compra de vacina para funcionário é insustentável e moralmente inaceitável, diz presidente da Natura

Enquanto uma parte do empresariado brasileiro pressiona governo e Congresso para liberar a vacinação de funcionários, o grupo Natura vai na contramão com “uma posição bastante firme em relação a isso”, nas palavras de João Paulo Ferreira, presidente da Natura &Co América Latina.

“Uma vacinação que siga critérios de determinados grupos econômicos ampliará ainda mais as desigualdades sociais, já aprofundadas pela pandemia, especialmente no Brasil, onde temos mais de 14 milhões de desempregados”, diz.

Para ele, antecipar a vacinação de funcionários em relação aos grupos prioritários é algo moralmente inaceitável e economicamente insustentável.

Na semana passada, a multinacional de cosméticos brasileira anunciou uma doação de R$ 4 milhões ao consórcio de prefeitos para a compra de insumos hospitalares e vacina, quando houver disponível no mercado.

O executivo lamenta que, apesar do sistema de saúde público estruturado, o Brasil não tenha conseguido articular as esferas de governo e comprar as vacinas com agilidade.

“Contribui para a situação caótica em que nos encontramos o negacionismo nas declarações de algumas autoridades, desestimulando o distanciamento social e o uso de máscaras”, afirma.

Para Ferreira, iniciativas como a carta aberta lançada por 500 economistas, banqueiros e empresários cobrando medidas para a dramática situação brasileira, são um esforço válido. O documento teve a assinatura de um dos fundadores da Natura, Pedro Passos.

“Apesar da continuidade do discurso negacionista na retórica oficial, essa pressão já tem mostrado resultados, com o aprofundamento de medidas de distanciamento nas cidades, ampliação das frentes de negociação para a aquisição e produção de vacinas e o retorno do auxílio emergencial”, afirma.

Para o futuro, Ferreira alerta que o Brasil terá de lidar com os prejuízos que a pandemia vai deixar na educação.

“Adiciono a necessidade de requalificação de trabalhadores e o retrocesso na educação pública. Antes, discutíamos como melhorar o desempenho dos estudantes. Agora, estamos novamente lidando com a evasão escolar”, diz.

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Foto: Reuters

Butantan cria vacina contra Covid e pedirá início de testes

O Instituto Butantan criou uma nova candidata a vacina contra a Covid-19, totalmente nacional, e pedirá autorização para ensaios clínicos com seres humanos à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) nesta sexta (26).

A pandemia já matou mais de 300 mil brasileiros. O Butantan é o maior produtor de vacinas do país e já fornece a Coronavac, fármaco de origem chinesa mais disponível hoje no Brasil.

Doria e Dimas Covas durante a chegada de carregamento de insumo da Coronavac
Doria e Dimas Covas durante a chegada de carregamento de insumo da Coronavac – Danilo Verpa – 15.mar.2021/Folhapress

O imunizante se chama Butanvac e foi desenvolvido pelo instituto, que lidera um consórcio internacional do qual ele é o principal produtor —85% da capacidade total de fornecimento da vacina, se ela funcionar, sairá do órgão do governo paulista.

O diretor do Butantan, Dimas Covas, disse à Folha ser possível encerrar todos os testes da vacina e ter 40 milhões de doses prontas antes do fim do ano.

Há pelo menos outros sete estudos de imunizantes no Brasil, todos na fase anterior aos ensaios clínicos. “É uma segunda geração de vacina contra a Covid-19, pode haver uma análise mais rápida”, afirmou.

“Um grande avanço da ciência brasileira a serviço da vida”, afirmou à reportagem o governador paulista, João Doria (PSDB).

Promotor da Coronavac e antagonista do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na condução da crise sanitária até aqui, o tucano pode ter um segundo trunfo político em mãos se a Butanvac for eficaz. Ele é um provável adversário de Bolsonaro na eleição do ano que vem.

“Fizemos todos os enfrentamentos desde abril do ano passado para colocar a vacina no braço dos brasileiros. E hoje temos a oportunidade de apresentar uma nova vacina”, disse Doria em entrevista coletiva nesta manhã de sexta.

O pedido de autorização se refere às fases 1 e 2 de testes da vacina, nas quais serão avaliadas segurança e capacidade de promover resposta imune com 1.800 voluntários. Na fase 3, com até 9.000 indivíduos, é estipulada sua eficácia.

Doria, que mostrou uma caixa do novo imunizante, cobrou rapidez da Anvisa, com quem já teve altercações em outros momentos da crise sanitária. “Senso de urgência é senso de respeito aos mortos”, disse.

A Butanvac, que começou a ser testada em 27 de março do ano passado, já passou pelos testes pré-clínicos, nos quais são avaliados em animais efeitos positivos e toxicidade.

Segundo Covas, eles foram promissores e indicaram que ela provoca alta resposta imune. “Isso significa necessidade de menos doses”, disse. Há lotes prontos do imunizante para os ensaios.

Como a Butanvac utiliza uma tecnologia já usada amplamente no próprio Butantan para fabricar a vacina anual contra a gripe comum, Covas crê que isso será um fator a mais para acelerar seu desenvolvimento.

As vacinas que foram desenvolvidas mais rapidamente contra a Covid-19 no mundo demoraram menos de seis meses para completar suas fases 1 e 2. “Mas elas eram totalmente novas”, pondera Covas.

A vacina será testada nos dois outros países participantes do consórcio, Vietnã e Tailândia —neste último, a fase 1 já começou. Segundo o diretor do Butantan, a prioridade é fornecimento de imunizantes para o Brasil e para países mais pobres.

A tecnologia em questão utiliza o vírus inativado de uma gripe aviária, chamada doença de Newcastle, como vetor para transportar para o corpo do paciente a proteína S (de spike, espícula) integral do Sars-CoV-2.

A proteína é responsável pela ligação entre o vírus e as células humanas, e ao ser inserida sozinha no corpo estimula a resposta imune. Segundo Covas, ela já utilizará a proteína da variante amazônica, a P.1, mais transmissível e possivelmente mais letal.

Outra vantagem prevista, se o fármaco funcionar, é de escala e de independência. O seu vetor é criado dentro de ovos embrionados, o que aumenta bastante a rapidez de sua produção, e não há necessidade de nenhum insumo importado.

Hoje, tanto a Coronavac (Butantan) quanto a vacina de Oxford (Fiocruz) são formuladas e envasadas no Brasil com insumos vindo da China. A partir do segundo semestre, o órgão paulista prevê a fabricação nacional da vacina.

“Nenhuma vacina contra Covid hoje é feita em ovo. É muito mais barato para fazer”, afirmou Covas nesta manhã.

Na Butanvac, o vírus é inativado com produtos químicos e, como a doença de Newcastle não afeta humanos, é uma alternativa ainda mais segura do ponto de vista de efeitos colaterais.

A Coronavac, cujos estudos da fase 3 foram coordenados no Brasil pelo Butantan, utiliza o próprio Sars-CoV-2 inativado como vetor. A vacina de Oxford/AstraZeneca, que também está sendo usada no Brasil, utiliza um adenovírus causador de gripe em macacos para inserir a proteína S.

Outras vacinas usam tecnologias mais recentes, como é o caso dos fármacos da Moderna e da Pfizer, que utilizam material genético (RNA mensageiro).

A vantagem é uma alta eficácia, mas elas são menos estáveis e também não trazem a segurança que métodos usados há mais tempo conferem.

“Após o final da campanha de produção da vacina contra influenza, que termina em maio, podemos iniciar imediatamente a produção da Butanvac. Atualmente, nossa fábrica envasa a da influenza e a Coronavac. Estamos em pleno vapor”, afirma Covas. Todo ano, o instituto produz 80 milhões de doses contra a gripe.

Não foi divulgado ainda o custo do projeto até aqui, que prevê capacidade de 100 milhões de doses por ano. “Poder entregar mais vacinas é o que precisamos em um momento tão crítico”, disse Ricardo Palacios, diretor médico de pesquisa clínica do Butantan.

A imunização vai a passos lentos no Brasil, com 8,7% da população adulta tendo recebido ao menos uma dose de alguma vacina e 2,8%, duas doses.

O desenvolvimento da Butanvac em nada altera o cronograma da Coronavac.

Já foram entregues 27,8 milhões das 46 milhões de doses previstas até 30 de abril, e o governo federal encomendou mais 54 milhões até setembro.

As compras só ocorreram após intensa pressão política. Doria acelerou a aposta na vacina e a ofertou em outubro passado para o Programa Nacional de Imunização.

A aquisição chegou a ser anunciada pelo então ministro Eduardo Pazuello (Saúde), mas Bolsonaro o desautorizou na sequência e disse que não compraria o que chamou de vacina chinesa.

O tucano então anunciou em dezembro seu programa próprio de vacinação, forçando Bolsonaro a se mexer. O agravamento da pandemia, que trouxe uma queda abrupta na popularidade do presidente, selou sua conversão à vacinação.

Nas últimas semanas, com cobranças públicas dos seus apoiadores no centrão, Bolsonaro demitiu Pazuello e formou um comitê com o Legislativo e alguns governadores sobre a crise.

Em rede nacional de TV na terça (23), fez um pronunciamento coalhado de mentiras sobre o que teria feito contra a pandemia, mas comprometeu-se a tornar a imunização uma prioridade.

Doria, por sua vez, seguiu conselho de aliados e reduziu sua exposição na crise em um momento agudo. A atual fase emergencial de restrições ao comércio deverá ser estendida por mais 15 dias, e cidades articulam lockdowns.

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Brasileia ultrapassa 70% de cobertura vacinal contra a covid-19 em idosos e profissionais da saúde


Dentro das ações de enfrentamento ao coronavírus a Prefeitura de Brasileia já vacinou 965 pessoas contra a Covid-19 no município. Atualmente a equipe da saúde montou varias frentes de trabalho para dar maior celeridade no processo de vacinação dos idosos a partir de 70 anos e profissionais da saúde.


No geral, profissionais da saúde e idosos, Brasileia já alcançou setenta e três porcento (73%) de cobertura vacinal. Ao fazer a comparação do município com as cidades que apresentam maior porcentagem deve ser observado que estas cidades tem população indígena a ser contabilizada, enquanto Brasiléia não recebeu vacinas para este público.


Segundo o secretário municipal de saúde, Joãozinho Melo, Brasileia não alcançou a cobertura vacinal de cem porcento por conta de o município depender do Ministério da Saúde (MS), e ainda não enviou novos lotes da vacina.

“Nós estamos com duas equipes realizando a vacinação na cidade, uma se encontra na quadra do bairro Ferreira Silva ao lado do Centro Cultural, outra está indo até as casas dos idosos cadastrados na secretaria de saúde”, falou Joãozinho Melo.


Joãozinho Melo informou que estar elaborando junto com a equipe da saúde e a prefeita Fernanda Hassem um plano logístico que possa atender da melhor forma os idosos da área rural para que possam ser vacinados. Brasileia tem atualmente mais de dois mil quilômetros de ramais.


Entre primeira e segunda dose, 637 idosos tomaram a primeira dose e 46 idosos tomaram a segunda dose, a maioria tomaram da vacina da FIOCRUZ, com o intervalo de doses até 90 dias. Na tarde de terça-feira (16), funcionários do Hospital Regional do Alto Acre tomaram a segunda dose e funcionários da saúde municipal tomaram suas doses na unidade de referencia a covid-19.

Brasil quer sondar EUA sobre vacinas prontas estocadas em fábrica da AstraZeneca

O Brasil vai tentar conseguir cerca de 10 milhões de doses prontas que diz estarem estocadas em fábrica da AstraZeneca nos Estados Unidos, segundo o governador do Piauí e representante do Fórum Nacional de Governadores, Wellington Dias.

Em entrevista coletiva ao lado do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, ele afirmou que está sendo discutido com o Itamary uma consulta aos americanos sobre a possibilidade de importação dessa remessa, já que eles não estão aplicando a vacina desenvolvida pelo laboratório e pela universidade de Oxford na sua população.

“Há um laboratório da AstraZeneca nos EUA. Nós tratamos desse aspecto com o Itamaraty, com a diplomacia brasileira, para que possamos consultar, porque o que sabemos é que há vacina pronta em estoque”, disse Dias nesta segunda (8) em Bio-Manguinhos, a fábrica da Fiocruz no Rio de Janeiro.

“Como não está sendo utilizada a AstraZeneca nos Estados Unidos, que eles possam, pela conjuntura brasileira, ceder a venda para o Brasil. São 10 milhões de doses ou mais que estariam disponíveis. Porque também os EUA adotaram uma medida de proibir exportação para suprir sua necessidade. Essa é uma situação mundial”, continuou.

O Brasil não é o único que está de olho nessas doses. Neste sábado (6), o jornal “Financial Times” divulgou que a União Europeia também pediria aos americanos que permitissem a exportação de vacinas e que garantissem o fluxo livre de embarques de insumos para o continente.

“Acreditamos que podemos trabalhar junto com os EUA para garantir que as vacinas produzidas ou envasadas nos EUA para o cumprimento das obrigações contratuais dos produtores de vacinas com a UE sejam honradas”, disse a Comissão Europeia segundo a publicação.

atraso na importação de doses prontas da Índia previstas para março também se deu porque os indianos decidiram proibir as exportações de imunizantes, disse o ministro Pazuello. São esperadas 12 milhões de doses no total, das quais 4 milhões já foram entregues. O restante era esperado em março e abril, mas agora é aguardado só para os meses de abril a julho.

Essa iniciativa não constava inicialmente nos planos da Fiocruz, mas foi uma alternativa para compensar o atraso na produção nacional com o IFA (insumo farmacêutico ativo) da China, que demorou a chegar. As doses vêm do Instituto Serum, um dos centros de produção vinculados à AstraZeneca na Índia.

“Esse laboratório vem fazendo uma postergação na entrega”, afirmou Pazuello nesta segunda. “Vamos ter que fazer uma pressão política, diplomática e até pessoal junto à AstraZeneca para que cobre do laboratório Serum que ele cumpra a entrega dos 8 milhões que faltam. Nesse momento a Índia como país dificultou o processo porque proibiu a exportação”, declarou.

“Então os países no mundo estão variando suas posições diplomáticas e comerciais porque o troço realmente é instável. E é por isso que nós estamos falando de produção nacional. Se nós não tivermos produção nacional como temos hoje no Butantan e na Fiocruz, nós não vamos ter como vacinar em massa o nosso país”, acrescentou.

FIOCRUZ INICIA PRODUÇÃO EM LARGA ESCALA

Nesta segunda (8) a Fiocruz anunciou o início de sua produção em larga escala com o insumo comprado da China, após ter concluído os lotes de validação e controle de qualidade. A partir de agora, diz a fundação, não haverá interrupção na fábrica.

Uma série de atrasos afetaram as entregas. Inicialmente eram esperados 15 milhões de doses envasadas nacionalmente em março, mas agora a fundação só deve enviar 3,8 milhões. Questionado, o diretor de Bio-Manguinhos, Maurício Zuma, afirmou que “tem uma série de variações no processo”.

“A gente anunciou 15 milhões de doses com base nas informações que a gente tinha no momento. Na medida que a gente vai internalizando o processo, a gente vai conhecendo melhor os rendimentos de produção. É uma tecnologia nova, então a cada dia a gente aprende um pouco”, disse.

Um dos fatores que atrapalharam foi um problema no equipamento que fecha os frascos, chamado de máquina de recravação. Ele disse que isso “impactou um pouco” no cronograma porque foi preciso esperar uma semana até que o aparelho fosse consertado e novamente validado.

“Em situação normal isso acontece, só não aparece porque no cotidiano não há essa pressão por doses a cada dia”, explicou, acrescentando que na produção de vacinas não se pode trabalhar ininterruptamente “porque tem dias que é preciso paralisar para fazer a limpeza de todo o processo, para evitar contaminações”.

A capacidade de envasamento da Fiocruz atualmente é de 250 a 300 mil doses, mas até o fim do mês deve passar para 1 milhão. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ainda tem que aprovar o processo de produção nacional com o IFA importado, o que está previsto até o fim desta semana.


CRONOGRAMA DA FIOCRUZ

  • Janeiro: 2 milhões importadas da Índia (entregues)
  • Fevereiro: 2 milhões importadas da Índia (entregues)
  • Março: 3,8 milhões (produção nacional com IFA importado)
  • Abril: 30 milhões (produção nacional com IFA importado)
  • Maio: 25 milhões (produção nacional com IFA importado)
  • Junho: 25 milhões (produção nacional com IFA importado)
  • Julho: 16,6 milhões (produção nacional com IFA importado)
  • Estão previstas mais 8 milhões de doses importadas da Índia
  • Total: 112 milhões até julho, e mais 110 milhões com produção 100% nacional até o fim do ano

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Coronavac é eficaz contra variante de Manaus, mostram dados preliminares

Coronavac, vacina contra Covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, mostrou ser eficaz contra a variante de Manaus do coronavírus, segundo dados preliminares de um estudo feito pelo Instituto Butantan, responsável pelo estudo clínico da vacina e que está envasando o imunizante no Brasil, disse uma fonte com conhecimento do estudo à Reuters nesta segunda-feira (8).

Segundo a fonte, o estudo foi feito por meio do exame de amostras de sangue retiradas de pessoas vacinadas com a Coronavac e testadas contra a variante de Manaus, e os dados preliminares indicam que o imunizante foi eficaz contra a cepa.

O estudo ainda será ampliado para a obtenção de dados definitivos. A variante do coronavírus conhecida como P.1 e originada em Manaus é apontada como mais transmissível do que cepas anteriores do coronavírus e, por isso, é vista como um dos fatores que levaram ao recrudescimento da pandemia de Covid-19 no Brasil nas últimas semanas.

O Butantan já entregou 16,1 milhões de doses da Coronavac, que é aplicada em duas doses, ao Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde. Além desse montante, o PNI conta atualmente com 4 milhões de doses importadas prontas da Índia da vacina desenvolvida em conjunto entre a AstraZeneca e a Universidade de Oxford, no Reino Unido.

diretor do Butantan, Dimas Covas, disse anteriormente que a Coronavac teve resultados “muito positivos” em testes feitos na China contra as variantes britânica e sul-africana da Covid-19, também apontadas como mais contagiosas que cepas anteriores.

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Em meio a pandemia da Covid-19, população está dividida quanto a Lockdown no Acre

MARCELA JANSEN

O governo do Estado analisa adotar novas medidas para conter o avanço nos casos do novo coronavírus no Acre. Na última semana foram confirmados quase dois mil casos, num total de 56.731 infectados com o vírus e 986 óbitos.

O governador Gladson Cameli trouxe a ordem do dia o debate acerca do lockdown, versão mais rígida do distanciamento social. Uma imposição do Estado que significa bloqueio total. No cenário pandêmico, essa medida é a mais rigorosa a ser tomada e serve para desacelerar a propagação do novo Coronavírus, quando as medidas de isolamento social e de quarentena não são suficientes e os casos aumentam diariamente.

A decisão, caso ocorra, deverá ser anunciada na próxima segunda-feira, 1, data em que será realizada mais uma reunião do Comitê Acre Sem Covid-19, ocasião que será anunciada também a permanência ou não na bandeira vermelha.

Lockdown no Acre

Pelas regras, caso adotada, os estabelecimentos vão voltar a abrir com capacidade limitada de público, limite de horário de funcionamento e para venda de bebidas, e só poderão abrir de segunda a sexta-feira.

No sábado, domingo e feriados, o governo vai promover bloqueio total, o chamado lockdown. Nesses dias só poderão funcionar os postos de combustíveis para abastecimento de veículos do serviço público e farmácias.

Restaurantes devem voltar a abrir no Acre no dia 1º de março com capacidade de público de até 20%, limite de funcionamento até às 22h, de segunda a sexta-feira, e com venda liberada de bebidas até às 20h. Não abrirão aos sábados e domingos.

O comércio poderá abrir com capacidade de atendimento de até 20% durante oito horas, de segunda a sexta-feira; ja as escolas poderão retomar as suas atividades presenciais com limite de até 30%.

A previsão é de que os bares e academias sejam liberados a partir do dia 9 de março com até 20% de sua capacidade total até às 22h.

Os supermercados não vão funcionar nos sábados, domingos e feriados, exceto via delivery. O uso de praças públicas será proibido aos sábados, domingos e feriados.

Já os postos de combustíveis só poderão atender nos fins de semana os veículos do serviço público.

Dados atualizados da Covid-19 no Estado

A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), por meio do Departamento de Vigilância em Saúde (DVS), registrou 474 novos casos de infecção por coronavírus na sexta-feira, 26, sendo 291 casos confirmados por exames de RT-PCR e 183 testes rápidos. O número de infectados subiu de 56.257 para 56.731.

O Acre já registra 155.643 notificações de contaminação pela doença, sendo que 97.924 casos foram descartados e 988 exames de RT-PCR seguem aguardando análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (Lacen) ou do Centro de Infectologia Charles Mérieux.

Pelo menos 46.440 pessoas já receberam alta médica da doença, enquanto 300 pessoas seguem internadas.

Mais quatro notificações de óbitos foram registradas ontem, sendo todas do sexo masculino, fazendo com que o número oficial de mortes por Covid-19 suba para 986 em todo o estado.

População dividida

A possibilidade de o governo decretar lockdown deixou parte da população apreensiva, especialmente os comerciantes, que temem queda nas vendas e, consequentemente, o surgimento de dívidas.

Em sua página no Instagram, o empresário Rodrigo Pires pontuou que o “fechamento total do comércio, geraria milhares desempregados no Acre”. E acrescentou: “É preciso mais investimentos e mais transparência nos recursos aplicados, acima de tudo, cuidado para não gerar um colapso econômico e social”.

O acadêmico Paulo César acredita que a medida é exagerada e pode prejudicar milhares de acreanos. “Ainda existem pessoas que estão se recuperando financeiramente do prejuízo ocorrido devido a isolamento social decretado em março do ano passado. Decretar agora lockdown é ferir de morte esses empreendimentos. Entendo a preocupação do governador Gladson Cameli, mas considero essa medida drástica”. Falou.

A professora Edna Moreira é a favor do lockdown. Ele pontua que medidas severas devem ser tomadas quando não há a coloração do coletivo. “Tem muita gente que não está levando a sério essa pandemia. A maior prova disso é que no último final de semana muita gente estava aglomerada no Calçadão da Gameleira e sem máscaras. Colocam em risco a vida de muitas pessoas. O governo do Estado deve agir para conter o avanço da doença e se isso passa pelo lockdown, que seja”, disse.

Voo com 2 milhões de doses de vacinas decola da Índia

Um avião da companhia Emirates, com remessa de 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca contra covid-19 decolou na madrugada de hoje (22) de Mumbai, na Índia, e deve chegar a São Paulo às 6h55 desta terça-feira.

A aeronave deixou a cidade indiana por volta das 10h30 da manhã (horário local), o que equivale a 2h da madrugada de hoje no horário de Brasília. A carga fará escala em Dubai, nos Emirados Árabes, de onde decolará para São Paulo às 22h40 (horário local) – 15h40 de hoje (horário de Brasília).

O voo chegará a São Paulo amanhã de manhã e as vacinas seguirão para o Rio de Janeiro, onde serão levadas para o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz).

As doses foram produzidas pelo Instituto Serum, parceiro da AstraZeneca na Índia e maior produtor mundial de vacinas. Mesmo prontas, as vacinas precisarão passar primeiro por Bio-Manguinhos para que possam ser rotuladas antes de serem distribuídas ao Programa Nacional de Imunizações.

A importação de doses prontas é uma estratégia paralela à produção de vacinas acertada entre a AstraZeneca e a Fiocruz. Para acelerar a disponibilidade de vacinas à população, 2 milhões de doses já foram trazidas da Índia em janeiro e está previsto um total de 10 milhões de doses prontas a serem importadas. Além dos 2 milhões que chegam amanhã ao país, mais 8 milhões estão previstas para os próximos dois meses. 

Enquanto negocia a chegada das doses prontas, a Fiocruz trabalha na produção local das vacinas Oxford/AstraZeneca. Segundo o acordo com a farmacêutica anglo-sueca, a Fiocruz vai produzir 100,4 milhões de doses de vacinas até julho, a partir de um ingrediente farmacêutico ativo (IFA) importado. A primeira remessa desse insumo já chegou ao Bio-Manguinhos e o primeiro milhão de doses produzido na Fiocruz tem entrega prevista para o período de 15 a 19 de março.

De acordo com a fundação, os dois primeiros lotes estarão liberados internamente nos próximos dias. Esses lotes são destinados a testes para o estabelecimento dos parâmetros de produção.

“Com esses resultados, a instituição produzirá os três lotes de validação, cuja documentação será submetida à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Esses lotes somarão cerca de 1 milhão de doses e seus resultados serão enviados à Anvisa até meados de março”.

Também está em andamento na Fiocruz o processo de transferência de tecnologia para a produção do IFA no Brasil, o que tornará a fundação autossuficiente na produção das vacinas. A previsão é que as primeiras doses com IFA nacional sejam entregues ao Ministério da Saúde em agosto, e, até o fim de 2021, seja possível entregar 110 milhões de doses, elevando o total produzido no ano pela Fiocruz para 210,4 milhões. (Agência Brasil)

OMS aprova vacina de Oxford e destrava envio para o Brasil

A OMS (Organização Mundial da Saúde) incluiu nesta segunda (15) em sua lista de uso emergencial (EUL) a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela AstraZeneca. A decisão permite que elas sejam distribuídas pela Covax, consórcio internacional que enviará vacinas para mais de cem países no mundo, inclusive o Brasil.

A expectativa é que 1,6 milhão de doses do imunizante cheguem ao Brasil neste trimestre e 6 milhões no segundo trimestre. Dos 10.672.800 de doses alocadas para o país no primeiro semestre, cerca de 3 milhões serão adiadas para o segundo semestre, de acordo com documento publicado no começo do mês. O acordo do Brasil na Covax prevê 42,5 milhões de doses até o fim de 2021.

O departamento responsável pela avaliação e regulação das vacinas aprovou tanto a versão produzida pela AstraZeneca-SKBio na Coreia (que virá para o Brasil) quanto a produzida pelo Instituto Serum, na Índia.

Além de destravar a distribuição pela Covax de 336 milhões de doses da AstraZeneca para 145 países, a inclusão do produto na EUL também beneficia países menos desenvolvidos, que não tem uma agência regulatória estruturada e podem tomar sua decisão com base no parecer da entidade. A Covax deve ainda entregar 1,2 milhão de doses da Pfizer/BioNTech (incluída na EUL em dezembro) neste semestre.

“Países sem acesso a vacinas até o momento finalmente poderão imunizar seus profissionais de saúde e populações em risco”, disse a brasileira Mariângela Simão, subdiretora-geral da OMS para Acesso a Medicamentos. O órgão avaliou dados de qualidade, segurança e eficácia da vacina de Oxford e planos de gestão de risco e adequação das cadeias de refrigeração.

Na semana passada, o órgão consultivo que orienta a OMS (Sage) recomendou o uso do imunizante em todas as faixas etárias a partir dos 18 anos de idade.

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Câmara aprova projeto que criminaliza o ‘fura-fila’ da vacinação

Câmara aprovou nesta quinta-feira (11) um projeto de lei que transforma em crime o ato de furar fila para ser vacinado. O texto segue para a análise do Senado.

A proposta cria um novo tipo de crime, chamado de “infração a plano de imunização“, atualmente não previsto no Código Penal.

Além do fura-fila, a proposta criminaliza qualquer afronta à operacionalização de planos de imunização federais, estaduais, distritais ou municipais. Pela proposta aprovada, o crime abarca todas as vacinas, e não apenas as doses contra a Covid-19.

A pena estabelecida no projeto é de um a três anos de detenção e multa. Esta pena pode ser aumentada em um terço caso envolva falsificação de atestado e outros documentos.

Desde que se iniciou a campanha de vacinação contra o vírus, diversas cidades pelo país registraram denúncias de pessoas que receberam doses do imunizante, mesmo sem estarem na ordem de prioridade.

Em Manaus, a Justiça chegou a suspender a entrega da vacina até que a prefeitura garantisse transparência nos critérios para vacinação.

Corrupção

O projeto cria também outro crime, o de corrupção em plano de imunização. Pelo texto, o crime é cometido por quem se vale do cargo para benefício próprio ou alheio com o objetivo de “infringir a ordem de prioridade de vacinação ou afrontar, por qualquer meio, a operacionalização de plano federal, estadual, distrital ou municipal de imunização”.

A pena prevista é de 2 a 12 anos de prisão e multa e deve ser aplicada também a funcionário público que deixa de adotar as providências necessárias à apuração do crime.

Se o funcionário pedir ou receber dinheiro para cometer o crime, a pena é aumentada de um terço até a metade.

‘Peculato de vacinas’

O texto ainda cria uma forma qualificada do crime de peculato. O Código Penal já pune o funcionário público que rouba ou desvia dinheiro e bens para em proveito próprio ou alheio.

A proposta estabelece pena de prisão de 3 a 13 anos e multase a apropriação, o desvio ou a subtração for de bem ou insumo médico, terapêutico, sanitário, vacinal ou de imunização, público ou particular.

Aplicação fraudulenta de vacinas

O Código Penal já prevê, hoje, o crime de expor a vida ou a saúde de alguém a perigo. A pena é de detenção de três meses a um ano, mas o tempo pode ser duplicado se o perigo for causado pela simulação ou pela aplicação fraudulenta de vacina.

g1

Entenda como é feita a aplicação de uma vacina contra Covid-19


Com o início da vacinação contra Covid-19 entre os primeiros grupos prioritários, surgiram relatos de emoção e alívio mas também denúncias de vacinas que não estariam sendo aplicadas corretamente, supostamente para que funcionários guardassem as vacinas para si mesmos diante da escassez de imunizantes no país.

Uma funcionária da prefeitura de Maceió chegou a ser afastada após ser flagrada aplicando a vacina sem apertar o êmbolo —o que, na prática, inviabiliza a aplicação.

Em outro vídeo que circula nas redes sociais, um funcionário é questionado pelo parente de uma idosa por supostamente não ter aplicado o líquido nela. Ele responde que a dosagem estava muito baixa na seringa e por isso não aplicou a vacina e realizou a troca da seringa.

Esses e outros vídeos têm trazido dúvidas sobre como é a correta aplicação da vacina, quantas doses podem ser aplicadas por frasco e até se há alguma recomendação de usar uma dose menor para “guardar para depois” a vacina.

A enfermeira e supervisora do Centro de Referência em Imunobiológicos do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, Ana Paula dos Santos, explica que existe uma série de regras de conduta para aplicação de qualquer vacina, e que essas infrações relatadas, caso sejam verdadeiras, são gravíssimas e podem levar à perda do registro do profissional.

Como não há uma regra geral sobre o que a pessoa deve sentir após receber a vacina e como o procedimento todo é muito rápido, Santos recomenda que, caso alguma conduta ou infração ética seja verificada, a ouvidoria daquela instituição deve ser comunicada e a pessoa deve fazer uma denúncia ao Conselho Regional de Enfermagem (Corem).

Segundo documento do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, publicado no último dia 18 de janeiro, as vacinas contra a Covid-19 são aplicadas via intramuscular.

A pasta recomenda o uso de agulhas com as especificações 20 por 5,5 dec/mm, 25 por 7 dec/mm ou 30 por 7 dec/mm, sendo que a primeira medida refere-se ao calibre da agulha (medido pela unidade inglesa “gauge”, equivalente a entre 0,55 mm e 0,8 mm de espessura), e a segunda é o comprimento. Já as seringas podem ser de três tamanhos, de acordo com seu volume: 1 ml, 3 ml ou 5 ml.

A Coronavac é apresentada em ampolas contendo uma única dose (0,5 mL) ou multidoses (com cerca de 6,2 mL). Já a Covishield, da Oxford/AstraZeneca, vem em frascos multidoses contendo 5 mL (dez doses).

Como cada dose das vacinas possui 0,5 ml, Santos explica que no caso das ampolas multidoses, é feita a retirada de uma dose do frasco por vez. “Os frascos já possuem em seu volume o chamado ‘espaço morto’, que é a porcentagem do líquido perdida com a retirada das ampolas. No caso do frasco unidose, essa quantidade não chega nem a 0,1 ml.”

Como os frascos multidoses contêm várias doses, é necessária a higienização do frasco antes de cada aplicação. Já nas ampolas unidose, é retirado o volume total para uma única aplicação.

Para retirar o líquido do frasco, uma agulha é inserida através do lacre de borracha da ampola e o êmbolo da seringa é puxado. O corpo oco da seringa vai ser preenchido com o líquido, e o pistão, uma espécie de anel de borracha dentro da seringa ligado ao êmbolo, vai deslizar pelo tubo até chegar à quantidade desejada —as seringas possuem uma gradação indicando o volume de zero a 1 ml, 3 ml ou 5 ml.

Para evitar a entrada de ar no corpo, antes de dar a injeção o êmbolo é empurrado para eliminar esse ar residual. “A perda com esse procedimento é muito pequena, quase não tem perda de conteúdo [da vacina]”, diz Santos.

No momento da injeção, primeiro é utilizado um algodão seco para limpar a área e, com a outra mão, é feita a inspeção da área muscular –a vacina é feita preferencialmente no músculo deltoide, que tem formato de triângulo invertido. Após a injeção, é preciso empurrar o êmbolo até o final para aplicar todo o líquido.

Em geral, algumas pessoas podem ter uma sensação gelada nessa hora, uma vez que o imunizante estava sob refrigeração de 2˚ a 8˚C antes de ser aplicado. Mas, se a pessoa não sentir o frio, não significa que não foi injetado o líquido.

“Tem pessoas que sentem mais, algumas relatam ardor, outras dizem não sentir nada. Isso varia de pessoa para pessoa, é assim com todas as vacinas”, diz.

Uma outra prática já não muito utilizada pode ser feita, que é puxar levemente o êmbolo para ver se não há mistura do líquido a ser injetado com sangue. A enfermeira explica que essa técnica era usada para garantir que a agulha tenha entrado de fato no músculo e não em algum vaso da região, No entanto, como os vasos ali são muito finos, essa ação deixou de ser padrão.

Ao final, o profissional pressiona a área da picada com algodão e pode aplicar um curativo caso haja sangramento. Contudo, não existe regra para comprovar que foi feita a injeção, como ter uma determinada sensação de dor ou sangrar.

O melhor a fazer é verificar com o profissional se a seringa ou frasco utilizados estão vazios. “Se a pessoa quiser ter certeza que foi injetada a vacina, ela pode pedir para olhar a seringa no final. Isso pode causar alguma estranheza, mas ela tem resguardado o direito de confirmar que a vacinação foi feita”, afirma.

Relatos de não aplicação do líquido na injeção ainda são escassos e não representam o que é preconizado por enfermeiros, que é “a vida cuidando da vida”.

“A enfermagem tem como principal objetivo garantir que aquela pessoa, além de se recuperar [no caso de um tratamento], não tenha nenhum dano associado a algum procedimento. Alguns dos casos podem até soar como maldade, mas imagino também que tenha muita manipulação de imagem. Tenho muita paixão pela minha profissão, como muitos colegas. A gente estranha quando vê alguma imagem como essa pois não representa nossos valores”, diz.

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Rússia, China e Índia lideram projeção geopolítica com a vacina

Enquanto EUA e Europa tentam imunizar suas populações mais rapidamente do que cresce a taxa de mutações do novo coronavírus, Rússia, China e Índia apostam na projeção geopolítica da vacina.

As três potências, que integram o moribundo grupo Brics com Brasil e África do Sul, têm feito movimentos de expansão de sua influência a partir da oferta de imunizantes, em especial a países em desenvolvimento.

Enfermeira boliviana recebe dose da Sputnik V russa em hospital de La Paz
Enfermeira boliviana recebe dose da Sputnik V russa em hospital de La Paz – Jorge Bernal/AFP

Os russos tiveram uma semana de boas notícias, com sua contestada Sputnik V sendo chancelada pela comunidade científica a partir da publicação de seus dados preliminares de fase 3 na prestigiosa revista britânica The Lancet.

Isso abriu as portas para a chanceler alemã, Angela Merkel, dizer que se o imunizante for aprovado para uso na Europa, ela ajudaria Vladimir Putin a fazê-lo na Alemanha —resolvendo um dos gargalos da Sputnik V.

Além disso, a aprovação para uso emergencial e fabricação no Brasil avançaram consideravelmente. Nesta quarta (3), México e Nicarágua elevaram para 18 os países que já deram aval para a vacina, 6 deles na América Latina.

Para Putin, o prestígio é peça central, ainda mais no momento em que a pressão ocidental acerca da prisão do opositor Alexei Navalni cresce exponencialmente.

De quebra, alguns negócios típicos dos russos podem avançar ao mesmo tempo.

Na Argentina, que vacinou 0,88% de sua população desde a virada do ano com a Sputnik V, o embaixador da Rússia ofertou, segundo relatos, a venda de caças Su-30 ou MiG-29 para a Força Aérea local, que voa em estado miserável.

Na mão inversa, compradores recente de caças russos como Egito e Argélia usaram os canais azeitados para receber o fármaco de Moscou.

Na quarta, desembarcaram na África do Sul 1 milhão de doses da vacina indiana Covishield, a versão sob licença do fármaco da AstraZeneca/Universidade de Oxford.

Embora ela seja entregue pelo consórcio da Organização Mundial da Saúde Covax, que ajuda países mais pobres, é uma bandeira fincada pelo maior produtor de vacinas do mundo no continente mais desprezado pelos fabricantes.

Com isso, Nova Déli entra na disputa com o maior ator externo na África, Pequim.

O presidente Xi Jinping já prometeu ajudar 38 países com dificuldades na pandemia, com foco no continente, para o qual destinou US$ 2 bilhões para imunizantes.

A África do Sul, onde uma nova variante mais transmissível do Sars-CoV-2 assusta cientistas, encomendou 12 milhões de doses ao consórcio.

Vai precisar de mais: isso supre menos de 10% de sua população, lembrando sempre que são vacinas que necessitam de duas inoculações.

Segundo a União Africana, os países da região já reservaram 400 milhões de doses na Índia, ante 270 milhões de farmacêuticas ocidentais. O Covax deverá entregar 700 milhões, de diversos produtores.​

Também nesta quarta a China aplicou um golpe contra os indianos, rivais econômicos com quem quase foram às vias de fato em uma escaramuça fronteiriça em 2020.

Pequim anunciou a entrega de lotes doados de vacinas chinesas para o Paquistão, seu aliado e maior inimigo da Índia, que já era cliente da estatal Sinopharm.

As atitudes desses colegas de Brics contrastam com a estratégia de países ricos, de assegurar para si o maior número de doses possível.

Há lógica geopolítica também: eles precisam conter a pandemia para reativar fluxos econômicos e manter estabilidade social, tão importantes quanto influência externa.

Segundo o monitor de contratos para entrega de vacinas da agência Bloomberg, que conta 110 acordos oficiais, nada menos do que 40% dos 8,57 bilhões de doses negociadas estão nas mãos de EUA, União Europeia, Reino Unido, Japão e Canadá, que somam 13% da população mundial.

Os canadenses reservaram uma cobertura vacinal três vezes maior do que a necessária.

Os dados são só referências. Há vacinas com problemas crescentes de aceitação, inclusive a campeã de contratos (3 bilhões de doses), a da AstraZeneca/Universidade de Oxford.

Além isso, não há informações confiáveis acerca de quantas vacinas estarão disponíveis para China e Índia, os dois países mais populosos do mundo, com 1,44 bilhão e 1,38 bilhão, respectivamente.

A Índia quer vacinar 300 milhões até agosto. Até aqui, só inoculou 0,29% da população.

Mas o país, que produz 60% das vacinas do mundo, será uma grande fábrica de imunizantes ocidentais vendidos para terceiros, também.

Já a China, que usa três de suas vacinas no programa emergencial desde julho passado, também está empenhada em parcerias externas.

Um dos casos mais conhecidos é o da Coronavac, feita em parceria com o Butantan e cuja disponibilidade forçou o até então negacionista Jair Bolsonaro a adotá-la.

Esses são efeitos secundários dessa disputa geopolítica: sob risco de ficar sem insumos chineses, Bolsonaro mudou sua postura crítica à ditadura chinesa e até deve aceitar a presença da Huawei como fornecedora de redes 5G.

Mas tanto no caso chinês como no indiano, há considerações de política interna a fazer, como o episódio em que Nova Déli segurou uma carga de 2 milhões de doses para o Brasil da vacina de Oxford no começo de sua campanha.

Outro ponto é de imagem: a China controlou a pandemia de forma eficaz, antes da vacina, enquanto os EUA caíram no caos e lideram o ranking da tragédia.

Mas os americanos estão vacinando em alta velocidade relativa: 10% dos moradores já receberam ao menos uma dose, e 2%, duas. A China, até por ser quatro vezes mais populosa, só vacinou 1,7%.

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Fiocruz diz que só deve entregar primeiras doses da vacina em março

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) enviou, nesta terça-feira (19), um ofício ao Ministério Público Federal (MPF) informando que a entrega da vacina de Oxford contra a Covid-19 vai atrasar de fevereiro para março. Veja abaixo a íntegra da nota sobre o atraso.

Segundo o órgão, o motivo para o atraso na produção da vacina no Brasil é por não ter recebido um dos insumos para a fabricação da vacina Oxford/AstraZeneca.

O composto que falta para o início da produção é o ingrediente farmacêutico ativo (IFA), de responsabilidade da AstraZeneca.

O insumo vem da China e ainda não tem data para chegar, segundo nota divulgada pela Fiocruz. Ainda segunda a Fundação, o recebimento do ingrediente estava previsto para janeiro. O detalhamento da produção será informado quando a data da chegada do produto for confirmada.

A expectativa é entregar 100 milhões de doses até julho e mais 110 milhões até o fim do ano.

Butantan pede negociação com a China
O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, cobrou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tenha dignidade para defender a vacina CoronaVac.

A CoronaVac foi desenvolvida pelo instituto, que é ligado ao governo de São Paulo, em parceria com o laboratório chinês Sinovac. As doses da vacina começaram a ser aplicadas neste domingo (17), logo após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar seu uso emergencial.

Ele também cobrou agilidade do Itamaraty para viabilizar a vinda de matéria-prima da China para dar continuidade à produção do imunizante contra a Covid-19 — o único sendo aplicado até o momento na população do país.

A declaração foi dada na manhã desta terça (19) em um evento no interior de São Paulo.

De acordo com o Blog da jornalista Andréia Sadi, os assessores de Bolsonaro avaliam nomes para fazer ponte com a China por insumos para CoronaVac.

Segundo o blog, o vice-presidente Hamilton Mourão disse que está à disposição para contatar a China e ajudar na questão dos insumos, já que tem boa relação com o vice-presidente chinês.

Nota da Fiocruz sobre Oxford:
“Embora ainda dentro do prazo contratual em janeiro, a não confirmação até a presente data de envio do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) poderá ter impacto sobre o cronograma de produção inicialmente previsto de liberação dos primeiros lotes entre 8 e 12 de fevereiro. O cronograma de produção será detalhado assim que a data de chegada do insumo estiver confirmada. Ainda que sejam necessários ajustes no início do cronograma de produção inicialmente pactuado, a Fiocruz segue com o compromisso de entregar 50 milhões de doses até abril deste ano, 100,4 milhões até julho e mais 110 milhões ao longo do segundo semestre, totalizando 210,4 milhões de vacinas em 2021”.

Passo a passo da produção da vacina:

  • Com a matéria-prima em mãos, é iniciado, então, o processamento propriamente dito da vacina. O primeiro passo é realizar a formulação, quando são adicionados ao concentrado vacinal os componentes que vão estabilizar a vacina e diluir a concentração do vírus;
  • Em seguida, no envase, o imunizante é transportado dos grandes tanques de aço inox para pequenos frascos de vidro, os mesmos que posteriormente seguirão para os postos de saúde;
  • Já com o imunizante, esses frascos são fechados com uma rolha de borracha e seguem para a recravação, onde recebem um lacre de alumínio;
  • A última etapa consiste na rotulagem e embalagem, em que os frascos recebem os rótulos com a identificação da vacina, número de lote, data de fabricação e validade, além de outras informações importantes. Elas são acomodados em caixas chamadas de cartuchos que garantem a proteção das embalagens durante a distribuição.
  • Nesse momento algumas amostras são separadas e seguem para um rígido controle de qualidade, onde serão submetidas a testes de potência, estabilidade e esterilidade.

Registro sanitário definitivo
Para começar a distribuição da vacina no país será necessário o registro sanitário definitivo para uso dela no Brasil.

De acordo com a Fiocruz, a previsão é que a reunião com a Anvisa seja agendada durante esta semana.

CoronaVac
As vacinas que começaram a ser distribuídas na segunda-feira (18) são a CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo. As primeiras doses vieram prontas da China.

O Butantan diz que produziu outras quatro milhões de doses no Brasil. O governo federal afirma que o Instituto ainda não pediu autorização emergencial para o uso desses lotes.

Vacinas aprovadas
No domingo (17), duas vacinas foram aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A Coronavac teve 50% (50,38%) de eficácia em testes. Isso significa que a vacina desenvolvida pelo laboratório Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, reduziu à metade as chances de pegar Covid-19, e teve 100% de eficácia contra sintomas graves.

Já a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, do Reino Unido, e pelo laboratório AstraZeneca, teve eficácia média de 70% (70,4%). A Oxford e a Coronavac devem ser aplicadas em duas doses, em um intervalo de 28 dias.

As duas vacinas também precisam ficar armazenadas em geladeiras em temperaturas de 2 a 8ºC.

Motivo de guerra entre Bolsonaro e Doria, 1º lote de Coronavac chega ao Brasil

O primeiro lote composto por 120 mil doses da vacina Coronavac chegou na manhã desta quinta-feira (19), no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos (Grande SP).

A vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan ganhou projeção ao entrar no centro de uma guerra política entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador João Doria (PSDB), prováveis adversários nas eleições presidenciais de 2022.

Bolsonaro esvaziou o plano de aquisição futura da Coronavac feito em outubro pelo seu próprio ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, criticou o governador João Doria e disse que a vacina não era confiável por causa de sua origem.

Neste mês, o presidente voltou atrás e declarou que poderia autorizar a compra da vacina produzida pela Sinovac, mas não pelo preço que um “caboclo aí quer”.

As 120 mil doses foram transportadas até São Paulo num avião cargueiro que saiu da China na última segunda-feira (16) e pousou na pista de Cumbica por volta das 7h40(horário de Brasília) desta quinta debaixo de muita chuva.

Por volta das 8h10, Doria chegou ao aeroporto e disse que estava no local para “receber a carga que ajuda a salvar a vida de milhares de brasileiros.” Ele estava acompanhado de Jean Gorinchteyn (secretário de Saúde) e Dimas Covas (diretor do Instituto Butantan).

Sob um forte esquema de segurança, a imprensa só conseguiu fazer registros fotográficos da carga. Após cumpridos os trâmites aduaneiros, o produto será transportado até o Instituto Butantan num caminhão escoltado pelas forças de segurança do estado.

As doses que compõem o primeiro lote já estão prontas para o uso e foram acondicionadas em bolsas de 200 litros cada uma dentro de contêineres refrigerados numa temperatura que varia entre 2ºC e 8ºC.

No entanto, elas só serão usadas quando o imunizante for aprovado e registrado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A droga encontra-se na fase 3 de teste (a última antes da autorização).

As primeiras 120 mil doses integram a primeira remessa, de 6 milhões de doses, que o governo paulista adquiriu da Sinovac.

As doses prontas e a matéria-prim a necessária para a fabricação de mais 40 milhões de doses contra o novo coronavírus serão transportadas em voos fretados e comerciais. A previsão do governo Doria é que a carga completa esteja em solo paulista até o dia 30 de dezembro.

O Butantan detém duas fábricas para produção e envase de vacinas cuja capacidade atinge cerca de 2 milhões de doses. Segundo o instituto, as duas linhas de produção já passaram por manutenção e estão prontas para o início dos trabalhos.

SEGURANÇA DA VACINA

Os testes da Coronavac chegaram ser suspensos neste mês após a confirmação da morte de um homem de 33 anos, morador de São Paulo, que fazia parte dos estudos clínicos da vacina.

No dia seguinte à suspensão, em resposta a um apoiador nas redes sociais, Bolsonaro escreveu insinuando que a imunização de origem chinesa poderia causar morte, invalidez e anomalia. Completou que era “mais uma que Jair Bolsonaro ganha”.

Mas logo a Anvisa concluiu que o óbito não estava relacionado com a vacina e autorizou a volta dos testes. E Bolsonaro alegou, depois, que não havia comemorado a morte do voluntário que participava do ensaio clínico com a Coronavac.

Nesta terça-feira (17), um artigo publicado na revista científica Lancet Infectious Diseases mostrou que a Coronavac é segura e tem a capacidade de produzir resposta imune no organismo 28 dias após sua aplicação em 97% dos casos.

Os resultados são fruto da análise dos ensaios clínicos de fase 1 e 2 conduzidos na China nos meses de abril e maio com 744 voluntários saudáveis de 18 a 59 anos e sem histórico de infecção pelo coronavírus Sars-CoV-2.

Embora a CoronaVac já esteja em fase 3 de teste em humanos em diversos países, incluindo o Brasil, onde o imunizante é testado em parceria com o Butantan, o estudo é a primeira publicação oficial dos testes das fases anteriores. Todas as outras vacinas em fase 3 já haviam tido seus resultados de fase 1 e 2 publicados.

A vacina da farmacêutica Sinovac é feita a partir de vírus inativados. A ideia é modificar o coronavírus Sars-CoV-2 tornando-o não infectante.

Até a fase 1, os cientistas utilizavam o cultivo de células Vero —linhagem de células comumente utilizadas em culturas microbiológicas, sintetizadas a partir de células isoladas dos rins de uma espécie de macaco na década de 1960 e usadas até hoje— para multiplicar o Sars-CoV-2 em laboratório.

A partir da fase 2, no entanto, a empresa passou a usar biorreatores, espécie de “fábrica celular” industrial que utiliza calor, matéria-prima (células ou partes dela) e movimento para produzir em larga escala células infectadas. O vírus é então inativado e incorporado na vacina.

A produção de vacina com o vírus total inativado é semelhante à utilizada para a produção da vacina da raiva. Esse tipo de vacina, porém, necessita de grandes testes de segurança. A fase 3 que está em andamento no Brasil deve seguir por, no mínimo, seis meses.

Nesta terceira etapa, algumas dúvidas importantes, como o tempo de duração da proteção contra o vírus, se o imunizante é capaz de impedir a infecção ou apenas proteger contra o quadro mais severo da doença e se a vacina induz resposta imune das células T devem ser respondidas.

empresa já iniciou também um estudo clínico pessoas com mais de 60 anos de idade, e os resultados preliminares deste estudo, divulgados no início de setembro, apontam para uma resposta imune nesse grupo, embora mais baixa do que a observada em indivíduos com idade entre 18 e 59 anos. A vacina se mostrou segura também nesta faixa etária.

​Não há, ainda, uma vacina aprovada para uso na população que combata a Covid-19. Dezenas de imunizantes estão em testes em humanos, proveniente de diferentes países e com o emprego de tecnologias distintas.

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‘Não acredito que vacina chinesa transmita segurança pela sua origem’, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou na noite desta quarta-feira (21) que não acredita que a Coronavac —parceria entre a farmacêutica chinesa Sinovac e o Instituto Butantan— transmita credibilidade “pela sua origem” e usou como justificativa que “esse vírus [Covid-19] teria nascido” na China.

As declarações do presidente foram dadas em entrevista à rádio Jovem Pan e são um passo a mais na série de manifestações de Bolsonaro contra as pesquisas realizadas pela parceria sino-brasileira. Durante a quarta, ao determinar a suspensão de um protocolo de compra de 46 milhões de doses da Coronavac pelo Ministério da Saúde, Bolsonaro se referiu ao desenvolvimento da imunização como “a vacina chinesa de João Doria”.

Governador de São Paulo, o tucano Doria é adversário político do presidente.

Na entrevista de quarta, foram novas críticas ao projeto e ao país asiático, com o argumento de que o veto teria sido motivado pela origem chinesa da farmacêutica. “Da China nós não comparemos, é decisão minha. Eu não acredito que ela [vacina] transmita segurança suficiente para a população pela sua origem”, declarou o presidente.

Questionado sobre os motivos que levaram à decisão de barrar a compra da Coronavac, Bolsonaro responsabilizou novamente a China e disse que era uma questão de credibilidade.

“Acredito que teremos a vacina de outros países, até mesmo a nossa, que vai transmitir confiança para a população. A da China, lamentavelmente, já existe um descrédito muito grande por parte da população, até porque, como muitos dizem, esse vírus teria nascido lá”, declarou.

Ao se referir a uma origem chinesa do vírus, Bolsonaro faz eco à ala mais ideológica de seus apoiadores, que responsabilizam Pequim pelo que consideram a pandemia de um “vírus chinês”. O mesmo termo também é usado com frequência pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Tenho certeza que outras vacinas que estão em estudo poderão ser comprovadas cientificamente. Não sei quando, pode durar anos inclusive. E nós também estamos trabalhando com o Butantan para conseguir a vacina”, acrescentou o presidente.

Apesar da fala, o Butantan no momento mantém parceria apenas com a Sinovac para o desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus. Pelo acordo com a farmacêutica chinesa, parte das doses são desenvolvidas inteiramente na China, enquanto que o restante será produzido no instituto paulista, como parte de protocolos de transferência de tecnologia.

Quando anunciou o acordo para a aquisição de doses da Coronavac, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que “a vacina do Butantan será a vacina do Brasil”

“O Butantan já é o grande fabricante de vacinas para o Ministério da Saúde, produz 75% das vacinas que nós compramos”, acrescentou o ministro na ocasião.

Bolsonaro desautorizou o chefe da Saúde na manhã de quarta, usou a palavra “traição” para o caso e disse que o governo não comprará o que chamou de “vacina chinesa”.

“Tudo será esclarecido hoje. Tenha certeza, não compraremos vacina chinesa. Bom dia”, respondeu Bolsonaro nas redes sociais a uma simpatizante.

“Para o meu governo, qualquer vacina, antes de ser disponibilizada à população, deverá ser comprovada cientificamente pelo Ministério da Saúde e certificada pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]”, escreveu, em outra mensagem, nas redes sociais.

Na entrevista da noite de quarta, Bolsonaro voltou a investir contra Pazuello e disse que houve “certa precipitação” do ministro da Saúde ao fechar a parceria para a compra da Coronavac. “No meu entender, houve certa precipitação em assinar esse protocolo porque uma decisão tão importante eu devia ser informado”, disse.

No entanto, Bolsonaro ressaltou que Pazuello continua na chefia da pasta e que ele é “um dos melhores ministros da Saúde que o Brasil já teve nos últimos anos”.

Em nota divulgada na terça (20), o Ministério da Saúde chegou a informar que, com a parceria com São Paulo, o Brasil chegaria a ter 186 milhões de doses de vacinas a serem disponibilizadas ainda no primeiro semestre de 2021, já a partir de janeiro.

O total considera as 46 milhões de doses do Butantan e Sinovac, além de contratos já existentes no governo para obter 140 milhões de doses —100 milhões da vacina da Universidade de Oxford e 40 milhões do mecanismo Covax Facility, liderado pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Mas o ministério voltou atrás após o veto de Bolsonaro.

Citando uma “interpretação equivocada” da fala de Pazuello, a pasta negou compromisso para compra de vacinas com o governo de São Paulo “ou seu governador” e disse não ter “intenção de compra de vacinas chinesas”.Em seguida, no entanto, reafirmou ter um protocolo de intenções para compra de uma possível “vacina brasileira” com o Instituto Butantan, que é vinculado ao governo paulista.

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Secretários de Saúde culpam Bolsonaro por crise das vacinas e defendem permanência de Pazuello

cancelamento da compra da vacina chinesa por parte de Jair Bolsonaro irritou governadores e secretários estaduais de Saúde e uniu boa parte deles em um mesmo norte: na defesa pela permanência do ministro Eduardo Pazuello.

Todos culpam o presidente da República pelo episódio, considerado inacreditável. Alguns também veem responsabilidade de João Doria (PSDB-SP) na confusão. Segundo palavras deles, o tucano se aproveita politicamente da situação e já está em campanha.

Ao Painel, secretários mantiveram nesta quarta (21) os mesmos elogios que vinham fazendo a Pazuello. Vários usam como argumento o receio de quem poderia vir a substituí-lo. A primeira versão de uma carta publicada por eles em defesa da ciência tinha trechos em apoio ao ministro. Tiraram, com medo de ter efeito contrário.

“Pazuello tem sido um ministro diligente e cada vez mais comprometido com o SUS. Não vejo motivo para mudança no comando do ministério, o que seria o pior desfecho possível para esse episódio”, afirma Fabio Vilas-Boas, secretário da Bahia.

“Pazuello tem que continuar no cargo. E enfrentar com altivez sua postura de ontem [terça], aquela manifestada em reunião com os governadores”, diz Geraldo Resende, secretário do Mato Grosso do Sul.

“Toda mudança em um cenário de crise sempre representa fragilidade e fragmentação do processo de trabalho. Já entramos em uma linha de ação junto ao Ministério da Saúde que tem sido positiva e uma fragilidade dessas fragmenta essa atuação. Vamos continuar em um caminho que tem dado bons frutos”, diz Juan Mendes Silva, do Amapá.

“O estado do Rio Grande do Sul considera que o ministro tem feito uma política pública respeitando as pactuações com as instâncias estaduais e municipais. É um ministro do diálogo, que ouve, e tem encaminhado as principais demandas, especialmente no Covid, de forma sempre pronta, ajudando os estados”, diz Arita Bergmann, do Rio Grande do Sul. “A escolha da vacina tem que ser técnica, e não política. Tem que ter eficiência e comprovação de que ela é segura”, completa.

“Na verdade, o cerne do discurso não mudou. Ontem [terça] nos foram apresentadas algumas vacinas e seus status, a maioria já na fase 3, carecendo de conclusão e registro. Foi dito ontem [terça] que as vacinas que tiverem respeitado todas as fases de testes, apresentarem segurança de uso e forem aprovadas pela Anvisa, serão adquiridas pelo Ministério da Saúde e distribuídas pelo Programa Nacional de Imunizações. E isso foi repetido hoje [quarta]. Então, observando o epicentro do discurso, não mudou”, diz Ismael Alexandrino, de Goiás.

“Quanto ao ministro Pazuello, creio que deva continuar, pois tem apresentado boa resposta logística (o que num cenário de pandemia, de guerra, é fundamental) e tem se mostrado aberto ao diálogo conosco”, completa.

“Firmamos positivo diálogo com o Ministério da Saúde. Neste sentido, o ministro Pazuello também tem sinalizado abertura para as demandas do Paraná. Temos debatido o Programa Nacional de Imunização de forma técnica, sem viés político. E sobre qual vacina deverá ser colocada à disposição, estamos aguardando esse processo, capitaneado pelo Ministério da Saúde, até porque temos diversas tentativas em andamento”, afirma Beto Preto, do Paraná.

Para governadores, a ira de Bolsonaro foi o combo Doria + China. Na reunião para anunciar que iria adquirir o imunizante, Pazuello deu explicações. “A vacina do Butantan será uma vacina brasileira. Com isso, o registro entra pela Anvisa, (…) e isso dá mais segurança.”

Posicionados pragmaticamente do mesmo lado de Doria, pró-vacina do Butantan, alguns dos secretários se queixam nos bastidores da postura do governador. Eles dizem que a forma com que o tucano lida com o tema ajuda na politização.

Na reunião entre governadores e Pazuello, causou surpresa uma atitude de Doria: fez chamada de presença dos participantes, convocando-os pelos nomes. Pazuello prontamente assumiu o comando da conversa.

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Governo quer até 300 milhões de doses de vacina contra coronavírus em 2021

O Ministério da Saúde informou nesta quinta-feira (8) que já obtém contrato para obter 140 milhões de doses da vacina contra o novo coronavírus para o primeiro semestre de 2021.

Ao longo de todo o próximo ano, a pasta pretende contar com até 300 milhões de doses para atender a demanda de imunização da população brasileira.

Em entrevista coletiva a jornalistas, o secretário-executivo da pasta, Élcio Franco, disse que 100 milhões de doses virão da parceria entre a AstraZeneca e a Universidade de Oxford. As outras 40 milhões de doses serão obtidas através do mecanismo Covax Facility, liderado pela OMS (Organização Mundial de Saúde). O Brasil anunciou a adesão ao mecanismo em setembro deste ano, quando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) editou medida provisória liberando R$ 2,5 bilhões.

Até o momento, informou o secretário-executivo, R$ 800 milhões já foram pagos para o mecanismo. De acordo com o governo, cada dose da vacina recebida por meio da Covax Facility custará US$ 21,90. ​O acordo permite acesso a vacinas que estão sendo desenvolvidas por nove laboratórios, de diferentes partes do mundo.

Franco afirmou que a quantidade acertada com o mecanismo prevê a imunização de 10% da população brasileira, mas esse percentual pode aumentar. Isso porque, inicialmente, trabalha-se com a possibilidade de uma vacina que seja aplicada em duas doses, capaz, portanto, de imunizar 20 milhões de pessoas.

A presidente da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Nísia Trindade de Lima, disse que espera receber o resultado dos estudos clínicos de fase 3 (última fase de testes antes da aprovação final) da vacina de Oxford entre os meses de novembro e dezembro. Em janeiro, há a previsão do recebimento dos componentes para a produção imediata de 30 milhões de doses.

A produção no primeiro semestre ainda será feita em parceria com as instituições estrangeiras. Após a transferência de tecnologia, a partir do segundo semestre, a produção será inteiramente nacional.

“O acordo prevê 100 milhões de doses no primeiro semestre e uma produção totalmente nacional a partir do segundo semestre de 2021”, afirmou.

Em relação ao segundo semestre, Lima afirmou que a estimativa de produção varia entre 100 milhões e 165 milhões de doses. A quantidade ainda não está definida, porque depende da complexidade do processo de incorporação da tecnologia.

O Ministério da Saúde também informou que criou uma câmara técnica para estudar um programa de imunização contra a Covid-19. A expectativa é que um plano para a aplicação da vacina contra a nova doença seja finalizado até o final do ano, especificando grupos prioritários e datas, entre outros aspectos.

O governo também afirmou que está desenvolvendo uma plataforma online para melhorar planejar e organizar o plano de imunização contra a Covid-19. O cadastro das pessoas interessadas em receber a vacina será feito pelo meio do CPF.

O sistema, argumenta o Ministério da Saúde, será importante para garantir que a população se imunize apenas uma vez e também para melhor acompanhar o sistema de imunização.

Questionados durante a entrevista coletiva sobre grupos contrários à vacina e seu impacto no processo, o secretário de Vigilância em Saúde, os representantes do Ministério da Saúde afirmaram que o governo atual valoriza a “vida, a consciência e a liberdade”.

O secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, explicou que a função do ministério é ofertar a imunização, garantir a eficácia da vacinação e fornecer informações para que cada um tome sua decisão com consciência.

O último boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, referente à semana epidemiológica que se encerrou em 3 de outubro, apontou que o coronavírus está ou esteve presente em 5.565 municípios brasileiros, o que corresponde a 99,9% do total.

Isso significa que apenas cinco municípios do país ainda não tiveram casos confirmados da Covid-19.

O documento também aponta que, ao final da mencionada semana epidemiológica, 59% dos casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus foram em cidades do interior.

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Post distorce informações para insinuar que China não usará a própria vacina

ma publicação distorce informações sobre as negociações para aquisição de vacinas contra a Covid-19 sugerindo que há algo de errado com os imunizantes desenvolvidos por empresas chinesas, já que um laboratório do país fechou acordo com a AstraZeneca, empresa parte britânica e parte sueca, para que a China receba 100 milhões de doses do composto desenvolvido em parceria com a Universidade de Oxford, caso ele se prove eficaz para combater a doença. O post questiona por que os chineses estariam em busca dessas vacinas enquanto vendem os seus produtos para o Brasil.

Apenas uma das 13 vacinas desenvolvidas por chineses tem acordo para distribuição no Brasil: a CoronaVac, da Sinovac Biotech. O acordo com o governo de São Paulo prevê a importação de 60 milhões de doses, mas também que a tecnologia será transferida para o Instituto Butantan, que produzirá a vacina no país. Até dezembro deste ano, o Butantan pode produzir até 40 milhões de ampolas.

Detalhe do ombro de mulher recebendo vacina por injeção dada por mãos com luvas brancas
Voluntária recebe aplicação de dose da CoronaVac em São Paulo – Governo do Estado de São Paulo/Divulgação

O conteúdo verificado pelo Comprova desconsidera ainda que a China já concedeu autorização especial para que as vacinas da Sinovac e da Sinopharm –ambas desenvolvidas lá– sejam aplicadas na população do país considerada de alto risco, caso dos médicos e profissionais de saúde. O material não leva em conta, também, que vários países têm buscado diversificar seus fornecedores de vacinas.

A China não é o único país que desenvolve vacinas contra a Covid-19 a comprar imunizantes produzidos por outras nações. Estados Unidos e Reino Unido, por exemplo, têm, cada um, acordos com seis diferentes fornecedores de vacinas contra o novo coronavírus, segundo levantamento do jornal Financial Times. Como ainda não é possível saber quais das 42 vacinas em fase de testes serão eficazes para imunizar o vírus, o país que conseguir fechar acordos de fornecimento com mais de uma empresa farmacêutica tem mais chances de ter um imunizante eficiente disponível para sua população, mesmo que um deles não seja aprovado.

A publicação também desconsidera que 12 das 13 vacinas desenvolvidas por empresas ou institutos de pesquisa chineses foram aplicadas primeiro em cidadãos da própria China, em suas fases 1 e 2 de testes em humanos. A CoronaVac, vacina da Sinovac que está sendo testada no Brasil em conjunto com o Instituto Butantan, veio realizar a fase 3 do ensaio clínico na América do Sul porque, na época, o número de novos casos na China havia caído substancialmente, o que tornaria difícil saber se as pessoas não se infectaram por causa do imunizante ou simplesmente porque não tiveram contato com o vírus.

ESPECIALISTAS

Para o professor Eduardo Martins Netto, que é médico-epidemiologista do Hospital Universitário Professor Edgard Santos e chefe do Laboratório de Pesquisa em Infectologia na mesma unidade, da Universidade Federal da Bahia, além de coordenador do Comitê de Ética da Faculdade de Medicina da Bahia, é normal que os países busquem, neste momento, uma diversidade de fornecedores de vacinas.

“Não existe ainda nenhuma vacina licenciada em nível mundial. Só existe investigação, pesquisa para vacina. Os países estão diversificando os possíveis fornecedores. Isso é muito natural, porque se você não tem nada, você pode comprar de uma determinada fábrica ou de outra. Você pode dizer: ‘olha, se essa vacina não deu certo, não protegeu, tem uma perspectiva para outra vacina”, aponta.

Para o epidemiologista, o que os países podem fazer, neste momento, é se comprometer a comprar uma vacina, se ela funcionar. “Já houve investimento em fábricas, como Butantan, Manguinhos, que investiram em aumentar as instalações para produção da vacina”, completa.

Pesquisadora da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e professora de Imunopatologia da Faculdade de Medicina da Bahia, a imunologista Viviane Boaventura explica que “há normas de ética e boas práticas em pesquisa clínica que tornam necessário que as primeiras etapas de estudos de desenvolvimento de medicamentos e vacinas sejam testadas necessariamente no país que desenvolveu”.

Sobre a diversidade de fornecedores, ela disse acreditar que os países possam, sim, comprar de outros. “Mesmo porque devem ser tecnologias diferentes e podem facilitar a produção e distribuição para um grande número de pessoas. Pode ser o caso”, sugere.

VERIFICAÇÃO

Em sua terceira fase, o Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre a pandemia e sobre políticas públicas do governo federal que tenham ampla repercussão nas redes sociais. Quando a publicação envolve medicamentos ou métodos de imunização contra o novo coronavírus, a checagem é ainda mais importante porque o conteúdo enganoso pode levar as pessoas a deixarem de tomar medidas para se proteger contra a infecção.

Atualmente, as vacinas são um dos meios mais promissores para o controle definitivo da doença, que já causou 147,4 mil óbitos e infectou mais de 5 milhões de pessoas apenas no Brasil.

A publicação no perfil pessoal do Facebook que foi verificada aqui teve mais de 41 mil compartilhamentos. O texto teve 9,4 mil interações na rede social, após ser compartilhado por páginas de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), segundo a ferramenta de monitoramento CrowdTangle. O presidente disse, em setembro, que não podia obrigar ninguém a tomar a vacina, embora uma lei assinada por ele em fevereiro preveja a possibilidade de vacinação compulsória contra o novo coronavírus, como mostrou o Comprova.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo que usa dados imprecisos; ou que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

O Comprova fez esta verificação baseado em dados oficiais sobre o novo coronavírus disponíveis no dia 7 de outubro de 2020.

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Anvisa dá aval a ampliar estudos de vacina da Sinovac de 9 mil para 13 mil voluntários

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou nesta quarta-feira (23) um aumento no número de voluntários que devem participar de estudos da vacina em desenvolvimento pela empresa chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo.

Segundo a agência, até então, a previsão era que 9.000 pessoas participassem dos estudos clínicos da vacina no Brasil. Com o aval, o número deve chegar agora a 13.060 voluntários.

Os testes também devem passar a incluir os estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, informou em nota.

Chamada de CoronaVac, a vacina se mostrou segura em seu teste da chamada fase 3 em 50 mil voluntários na China, segundo dados adiantados pelo jornal e apresentados nesta quarta (23) pelo governador João Doria (PSDB), o diretor do Butantan, Dimas Covas, e um representantes da farmacêutica chinesa.

Já os resultados sobre a eficácia, que nas fases anteriores foram considerados satisfatórios, devem estar prontos em novembro.

Se esse cronograma se mantiver sem percalços, a expectativa no governo paulista é de uma liberação para vacinação na segunda quinzena de dezembro. A oferta ainda seria para grupos específicos, como idosos e pessoas com doenças crônicas, seguidos de agentes de segurança, profissionais da educação e a população indígena.

O jornal questionou o Butantan sobre a previsão de ampliação de estudos informada pela agência, mas ainda não recebeu resposta.

Além da ampliação do número de voluntários do estudo da vacina CoronaVac, a Anvisa aprovou também uma ampliação nos testes da vacina Janssen-Cilag, do grupo Johnson e Johnson. A empresa anunciou nesta qurta o início da última etapa de estudos.

Atualmente, a vacina é testada em sete estados brasileiros. Agora, serão 11. Foram incluídos na lista os estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Santa Catarina e também o Distrito Federal.

O Brasil tem hoje quatro estudos clínicos em andamento de potenciais imunizantes contra a Covid.

O primeiro a obter aval para testes foi a vacina em desenvolvimento pela Universidade de Oxford com a farmacêutica AstraZeneca, o que ocorreu ainda em junho.

Em seguida, tiveram autorização para estudos a empresa chinesa Sinovac, que conduz pesquisas em parceria com o Instituto Butantan, a empresa norte-americana Pfizer e a Janssen, braço farmacêutico da Johnson & Johnson.

Até o início da semana, a agência não tinha recebido pedido de aval para estudos da vacina Sputnik, da Rússia.

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Brasil decide entrar em aliança internacional por vacina contra Covid-19

O governo brasileiro informou nesta sexta-feira (18) que decidiu fazer parte da Covax Facility, uma iniciativa global para facilitar o acesso de países a vacinas contra Covid-19.

“O governo brasileiro, após tratativas com a Aliança Gavi, confirma a intenção de aderir à Covax Facility, iniciativa inédita que tem como objetivo acelerar o desenvolvimento e proporcionar mundialmente o acesso equitativo a vacinas contra a Covid-19”, informou o Palácio do Planalto em nota que diz ainda que “a aquisição de uma vacina segura e eficaz é prioridade do governo federal”.

O prazo divulgado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) para que países informassem se iam aderir à iniciativa terminava nesta sexta-feira (18).

A Covax é uma espécie de aliança e consórcio entre países que visa garantir investimentos para pesquisa, produção e oferta equitativa de vacinas contra a Covid-19. Atualmente, a estratégia acompanha nove estudos clínicos de possíveis imunizantes.

O compromisso prevê que, caso alguma delas tenha eficácia, haja o fornecimento de doses para pelo menos 20% da população de cada país vinculado à aliança.

A medida também tem apoio de recursos de instituições e doadores internacionais, o que visa ajudar países de menor renda, segundo a OMS.

Na quinta-feira (18), a Secom (Secretaria de Comunicação) do governo havia informado que estudava “criteriosamente” a participação do Brasil na Covax Facility e que, “assim como outros países, segue em tratativas junto à Aliança Global de Vacinação para a extensão do prazo” para a adesão.

“Tal medida se faz necessária para obter mais informações sobre as condições para a aprovação regulatória, instrumento jurídico aplicável, vacinas em desenvolvimento, suas características de armazenamento e transporte logístico”, apontava comunicado de quinta. “Essas definições são especialmente importantes em um país como o Brasil, de dimensões continentais.”

O jornal apurou que um desses fatores seria o possível custo da adesão, pelo fato do Brasil ser um dos países mais populosos —e a iniciativa prever a oferta de vacina para até 20%.

A ideia é que os países façam investimentos iniciais até 9 de outubro. Isso ocorre porque a estratégia prevê a possibilidade de que fabricantes façam investimentos precoces na capacidade de produção, aumentando a chance de uma oferta mais rápida da vacina caso haja eficácia.

Atualmente, o Ministério da Saúde já possui um acordo que prevê a compra de 100 milhões de doses de uma vacina em desenvolvimento pela Universidade de Oxford com a AstraZeneca —uma das nove vacinas cujo estudo clínico é acompanhado pela Covax.

Ainda não está claro se a medida poderá trazer uma interferência no acordo. A avaliação inicial de membros que acompanham o processo ouvidos pelo jornalé que a adesão é complementar, já que a iniciativa da Covax envolve também outras oito opções de vacinas, mas que a medida ainda precisa ser avaliada.

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