“Você não pode se eleger com uma posição e quando eleito mudar isso” , diz Jenilson

O deputado estadual Jenilson Leite (PCdoB) reeleito com 8.253 votos concedeu entrevista exclusiva ao jornal OPINIÃO no início da semana. O parlamentar comentou as realizações do seu mandato e as perspectivas paras os próximos 4 anos.

Jenilson destacou, também, o cenário dentro da Frente Popular do Acre (FPA), o crescimento do seu partido, o PCdoB, o trabalho nas comissões da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) entre outros assuntos como a corrida presidencial.

Deputado, o senhor teve 8.253 votos nesta eleição. Qual o ingrediente para alcançar esse número tornando-o deputado mais votado da Frente Popular neste pleito?

Nós nos apegamos a três pilares: foi um mandato de trabalho, visitamos não só as cidades, mas a zona rural do nosso Estado; humildade, para poder ouvir e dialogar. Você que tem um mandato de deputado estadual, você não está acima de ninguém, é preciso, independente do cargo que você ocupa, ouvir as pessoas. Conviver com as pessoas, estar no meio das pessoas para modular seu modo de agir.

É preciso ter humildade para estas questões e coerência. Você não pode se eleger vendendo uma imagem e depois de eleito, você fazer totalmente ao contrário da imagem que você pregou. Você não pode se eleger com um posicionamento e quando está com um mandato em mãos mudar seu posicionamento. O nosso mandato foi um mandato coerente com as suas bases. Eu fui eleito majoritariamente na primeira eleição com os votos de uma base minha que foi Tarauacá e Jordão e eu andei muito nesses municípios, apesar de ter expandido as nossas andanças em outros lugares. Eu fui eleito com uma categoria, ou pelo menos não pela categoria, digamos assim majoritariamente, mas representando uma categoria que foi a Saúde.

Em nenhum momento nós deixamos de cumprir as nossas obrigações ou deixamos de ouvir essa categoria em detrimento de qualquer outra coisa. Então, você viu o nosso posicionamento, momentos em que votamos até contra o governo para ouvir a categoria. Não pestanejamos, não tivemos nenhum tipo de dificuldade para fazer isso. Isso é coerência. Esses três elementos nos fizeram o deputado estadual mais votado dentro da Frente Popular. Esses três elementos nos ajudaram e ajudaram aos nossos colaboradores a pedir votos. Esses votos não são votos meus, são da coletividade.


“E nesse segundo mandato terei lado no meu campo e vou bater palmas quando acertar e vou relembrar o governo dos seus compromissos quando ele errar. Essa vai ser a nossa forma de trabalhar ali na Assembleia Legislativa”


O PCdoB cresceu com relação à eleição de 2014. Conseguiu fazer dois estaduais, um federal e tem a possibilidade de fazer ainda uma vice-presidente da República, que é a Manoela D’Ávila. Como explicar esse crescimento e o que o PCdoB fez que os outros partidos de esquerda como o PT deixou de fazer?

Se fôssemos usar uma figura de linguagem diríamos que fizemos do limão uma limonada. A gente soube, a partir do perfil de cada um, fazer a nossa parte nesse momento. O partido também soube conduzir um pouquinho isso. Tivemos as nossas divergências com relação qual era a estratégia que deveríamos adotar, mas felizmente tivemos essa opção de estar junto nessa chapa com o PT. O nosso trabalho fez o diferencial. Voltamos! Estamos grandes. Somos hoje o maior partido da Frente Popular do Acre, do ponto de vista de mandatos parlamentares. A gente cresceu na uma eleição, mas isso também nos dar muitas responsabilidades. Temos que receber isso com humildade, saber fazer a leitura da responsabilidade que estamos assumindo e saber se movimentar dentro desse nosso campo com o objetivo de reaglutinar as nossas forças e trazer para perto as pessoas que pensam em um Acre melhor, que pensam numa vida melhor para todos e olhar para o futuro.

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Quais os seus planos para este novo mandato na Assembleia Legislativa do Acre?

Vamos continuar trabalhando. Quando você dobra uma votação em quatro anos, isso significa que a sua estratégia estava correta. A população aprovou tudo o que nós já fizemos. Vamos continuar trabalhando. Nesse momento vamos estar na condição de oposição e isso não nos transformará em nenhum kamikaze, não nos transformará em nenhum opositor por fazer oposição. Me comportarei igual me comportei no primeiro governo do Tião Viana, tendo lado, sempre tive lado. E nesse segundo mandato terei lado no meu campo e vou bater palmas quando acertar e vou relembrar o governo dos seus compromissos quando ele errar. Essa vai ser a nossa forma de trabalhar ali na Assembleia Legislativa.

O senhor acredita que a população assimilou o trabalho feito no primeiro mandato? Isso foi compreendido pelo eleitor?

A população reconheceu que, mesmo sendo base, nós não éramos subservientes. O que a população não gosta nos políticos é político que não tem pensamento próprio, que não tem posicionamento, que é marionete. A população não gosta disso. Quando você vota no seu candidato você acredita que ele é um líder, porque acredita que ele vai lhe representar e representar o seu interesse e não representar o interesse de governos ou de outras pessoas.


“O Haddad precisa de um projeto firme, duro, sem fechar as portas das expectativas e perspectivas das pessoas poderem crescer através do estudo, do trabalho e da cultura”


 

O que lhe marcou enquanto presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Aleac?

Nós fomos presidente da CCJ no momento em que a Aleac apresentou a maior produtividade de todos os tempos. Nós tivemos uma produtividade em relação a projetos, a audiências, em relação a ações dentro do parlamento e fora do parlamento, mais elevada de todos os tempos. E também isso nos deu a oportunidade de dialogar com todos os poderes, de dialogar fraternamente com todas as categorias que ia naquela Casa levar a sua pauta, sempre mediei e sempre fomos o presidente da Comissão de Constituição e Justiça que ouviu as pessoas. Em nenhum momento eu barganhei nada para votar projetos, porque tem gente que faz isso. O meu trabalho lá foi ajudar quem precisava de ajuda. As pessoas viram o nosso trabalho e isso ampliou as nossas relações.

Como senhor avalia esse cenário político nacional entre Haddad e Bolsonaro?

Vemos um cenário difícil no meu campo. O Haddad, apesar do seu esforço, está tendo dificuldade de avançar, sobretudo, porque há um antipetismo exacerbado no País, a votação no Acre foi uma demonstração disso. O antipetismo foi propagandeado e foi criada uma cultura antipetismo no Brasil e não foi por acaso, foi em função dos erros do PT também. O Haddad já tem um ponto negativo com relação a isso, mas ele precisa dialogar mais claramente com os problemas com que a população estar com ele na ordem do dia, se eu pudesse citar um, citaria a segurança pública. O Haddad tinha que fazer um programa de televisão agora para dizer claramente o que ele precisa fazer, o que ele irá fazer como presidente, que seja impactante de maneira tal que o eleitor possa confiar nesse projeto dele como algo que poderá pacificar um pouco, dar mais paz para as famílias brasileiras. Ninguém aguenta mais. Tem gente no Brasil achando que o crime compensa. E penso que o Haddad poderia dialogar mais essa pauta. Não precisa ser um diálogo como o Bolsonaro está fazendo de dar armas para as pessoas, de matar bandido. Mas tampouco pode ser a antítese, o contrário a isso. O eleitor está precisando de um posicionamento firme para tratar a segurança pública. O Haddad precisa de um projeto firme, duro, sem fechar as portas das expectativas e perspectivas das pessoas poderem crescer através do estudo, do trabalho e da cultura.

“Vamos permanecer do nosso lado, mas não vou entrar no time do quanto pior melhor”

Depois de ser reeleito a deputado estadual, Daniel Zen bate um papo com a reportagem do Opinião

Reeleito com 6.616 votos para mais quatro anos de mandato na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), o deputado Daniel Zen (PT) concedeu entrevista ao jornal OPINIÃO e falou a respeito do seu mandato na legislatura vigente, das matérias aprovadas, os desafios do parlamento e sua projeção para os próximos quatro anos.

Ele frisou que fará uma oposição coerente, sempre procurando dialogar com as propostas que sejam de interesse da população. Zen falou, ainda, a respeito das divergências dentro do PT e como isso influenciou no processo eleitoral.

Ao finalizar, ele comentou sobre o segundo turno e voltou a fazer críticas aos regimes ditatoriais e a candidatura de Jair Bolsonaro. Ele frisou que qualquer movimento que possa fazer com que a sociedade brasileira tenha seus direitos tolhidos deve ser combatido.

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Deputado o senhor foi reeleito com 6.616 votos. A que o senhor atribui essa votação mesmo sendo líder do governo, uma missão sempre desgastante para todos que assumem essa função no parlamento?

Cumprimentar a todos os leitores do jornal OPINIÃO. Eu acho que assim, uma das coisas que a gente procurou fazer no mandato foi não só tentar cumprir com as nossas funções e atribuições da liderança do governo. Sempre tentou manter, além da tarefa de líder do governo, que é articular a base, manter um ambiente de diálogo sempre constante, fazer reuniões, debater os projetos de lei de iniciativa do Executivo, tentar convencer os colegas da importância deles, mas a gente manteve uma agenda legislativa própria. Eu fui um dos deputados que mais apresentou projetos de lei, anteprojetos de lei que retornaram do Executivo na forma de projeto de lei que foram aprovados, indicações, requerimentos, moções, audiências públicas. Todo tipo de atividade legislativa, propriamente dita, fizemos num volume considerável e sempre procurou trabalhar a comunicação dessas ações, não só pelas redes sociais que a gente sabe da importância crescente que as redes sociais têm tido nos últimos anos, não só para campanha, mas também para o mandato. Mas também, utilizamos dos outros meios tradicionais: jornais impressos, informativos, entrevistas, rádio televisão. A gente procurou fazer um trabalho do mandato além das tarefas de líder do governo e comunicar isso para a população. Então, acredito que a população em alguma medida assimilou isso. Fiz uma campanha que foi basicamente o relato do mandato. Procuramos dialogar e me comunicar com aqueles grupos da sociedade que foram diretamente beneficiamos por essa ou por aquela lei. Também mantivemos uma agenda de andanças muito consistente. Toda semana, praticante, nesses quatro anos de mandato, eu estava em um município diferente. Era difícil um final de semana que eu ficasse aqui em Rio Branco. Já na quinta à tarde, sexta e sábado até o meio dia essa era a nossa rotina. Sempre perto das bases, chegando lá reunindo com o nosso pessoal e mesmo assim teve uma queda em relação à anterior. Tem o desgaste que vai não só da liderança do governo, mas do cenário geral que está refletido no resultado majoritário.

A respeito do resultado dessas eleições para o PT. Eram cinco deputados estaduais, reduziu para dois. Tinham-se três federais e o único senador não foi reeleito. Na sua visão onde o PT errou e o que fazer para corrigir esse erro?

É muito difícil fazer avaliação no calor das emoções, estamos aqui com menos de uma semana das eleições, e acho que qualquer análise que a gente faça agora vai ser uma análise superficial, talvez contaminada pelo calor dos acontecimentos, pelos sentimentos, pelas emoções. Não será uma análise bem feita à luz da razão. Então, o que eu acho: nenhum fator sozinho, isolado, ele teria capacidade e condição de nos impor uma derrota tão avassaladora como essa. Eu acho que é um conjunto de fatores, eu citaria desde a onda conservadora que elegeu o Trump nos Estados Unidos e o Macron na França, passando por essa onda conservadora nacional que leva um Bolsonaro para o segundo turno, aí no caso do Acre, os nossos 20 anos de exercício do poder que sozinho já traz um certo degaste. Eu penso também que a crise econômica nacional que fez com que nós recebêssemos muito menos recursos do que normalmente receberíamos que impediram o governo de realizar uma série de obras e um calendário de projetos importantes que estavam previstos, estavam planejados. Quando o governo deixa de apresentar resultados positivos, sobretudo obras que são o que as pessoas mais veem, isso prejudica, depõe contra o governo. Mas de forma que o principal é o seguinte: não é uma, duas ou três. Muita gente diz: ‘ah, foi a escolha do vice’, ou ‘foi os buracos que o Marcus Alexandre deixou na prefeitura’. Não, cada problema vai somando com outros para criar um cenário desfavorável, mas eu acho que o tempo mesmo, 20 anos não são 20 meses.


Vamos procurar estabelecer esse diálogo com o governo para que aquilo que seja em benefício da população a gente consiga avançar


 

O senhor disse no último dia 10 que é preciso respeitar a vontade popular e que a FPA e o PT têm que ter apenas o sentimento de gratidão pelos cinco mandatos concedidos ao PT para governar o Acre. Gerou-se um inconformismo no pós-eleição na militância e líderes?

O povo do Acre nos deu cinco mandatos consecutivos no governo, cinco intercalados na prefeitura: um do Jorge Viana, dois do Angelim, dois do Marcus, então acho que a gente não pode agora, porque teve um resultado desfavorável aponta o dedo para o eleitor e dizer: o povo errou. A decisão do povo é soberana. A maioria decidiu e o que esperamos do governador eleito que possa fazer o trabalho da maneira que achar melhor. No nosso caso, vamos estar lá para fazer oposição e para fiscalizar, exercer o papel inverso do que a gente exercia até agora. Não vamos também mudar de lado, né? Vamos permanecer do nosso lado, na nossa trincheira de resistência, apontando os erros, mas não vou, me recuso como eu disse no dia 10, eu não entro para o time dos que torcem pelo quanto pior, melhor. A oposição tem que ser coerente. Coerente inclusive com as minhas posições que venho adotando nesse atual mandato. Não posso agora, de repente assassinar a coerência e adotar uma postura, até como alguns colegas que hoje são oposição e vão passar a ser base do governo no ano que vem adotavam: que é fazer a crítica pela crítica ou de achar que tudo está errado, não reconhecer as coisas boas do governo. Isso aí eu não farei de jeito nenhum.

O senhor acredita que o racha entre o grupo do deputado Ney Amorim e o grupo do senador Jorge Viana atrapalhou as estratégias de campanha da Frente Popular, enfraquecendo todo o grupo?

Eu acho que a partir do momento em que se passou a ter uma disputa nas redes sociais e até o momento que essa tensão, que existia entre ambas candidaturas, se manteve no âmbito interno, o que é até normal, estava tudo bem. A partir do momento que essa tensão ganhou as redes sociais e se tornou pública aí começou a complicar porque é provável que tenha havido uma fuga do segundo voto de ambos para adversários, então, o eleitor de Jorge Viana que tinha ele como primeiro voto e esse segundo voto que poderia ser dado no Ney migrou para uma das outras candidaturas. Da mesma forma o eleitor do Ney que tinha o Ney como primeiro voto esse segundo voto do Ney pode ter migrado uma boa parte para as candidaturas opostas. Apesar de que, pelo que eu observei, nos boletins de urna que existe uma espécie de simetria, de paridade, o que comprova, na minha opinião, que mesmo havendo isso, a maioria dos votos foram casados: Jorge e Ney. Na verdade pode ser sim que isso tenha atrapalhado, mas não a ponto também de importar a derrota pra uns. Acho que tem outros fatores aí também que contribuíram pra isso.


Eu sou contrário a qualquer regime de exceção, qualquer regime ditatorial, seja de Esquerda ou de Direita


 

Daniel Zen teve quatro anos incansáveis na Aleac como líder do governo. Agora surgi o desafio de ser um dos líderes da oposição. Como o senhor vai pautar o debate na Aleac?

Durante a campanha apresentamos uma série de propostas, desde a Educação passando pela Cultura, pelo Esporte, pelo Lazer. Projetos que boa parte deles vão depender do governo, que são projetos que passam pela Assembleia do ponto de vista de legislação, mas que vão depender do governo para que eles sejam implementados. Mas vamos procurar estabelecer esse diálogo com o governo para que aquilo que seja em benefício da população a gente consiga avançar. Na Educação eu me comprometi com as equipes das escolas que a gente trabalharia uma nova proposta de escalonamento das tabelas remuneratórias dos membros das equipes gestoras das escolas. Hoje existe uma distorção, mesmo a gente tendo trabalhado a nova lei de gestão democrática das escolas públicas, mas existem ali alguns problemas que passaram batidos na reformulação da lei. Isso me foi solicitado em várias reuniões que eu fiz com as equipes de diversas escolas e eu me comprometi que ia trabalhar nisso, agora isso é uma matéria que é de exclusividade do Poder Executivo, o que eu posso fazer nesse caso é apresentar um anteprojeto de lei para que seja enviado à Aleac em forma de projeto para aprovarmos.

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Além desse trabalho que será feito na Educação, há trabalhos em andamento. Como ficou aquela questão da atualização da Constituição Estadual?

A reformulação da Constituição ela avançou bastante, mas tivemos que interromper o processo por conta do calendário eleitoral para que não tivesse nenhuma espécie de contaminação ou confusão. Quando falamos de Constituição tem que ser algo muito cuidadoso, nenhuma mudança brusca, nenhuma retirada de direitos, apenas o aperfeiçoamento mesmo de mecanismos e acho que ela deve continuar sim para concluir e deixar de presente uma Constituição moderna. Mas é bom que se diga: ninguém vai mexer em cláusulas pétreas, ninguém vai mexer em direitos e garantias fundamentais, os servidores públicos podem ficar tranquilos que não vai haver nenhuma supressão de direitos.

Eu vi nessa campanha as tais das Fake News. Candidatos adversários nossos que achavam que poderiam ganhar nos prejudicando divulgaram Fake News dizendo que eu trabalhava nessa reforma da Constituição para tirar a Sexta Parte e a Licença Prêmio dos servidores, de forma alguma, até porque eu sou servidor público e não quero ser tolhido e nem ser privado desses direitos e de nenhum outro, então, é bom que a gente reforce isso. O meu desejo é que esse processo de revisão continue até o final, mas sem nenhuma supressão de direitos, sem nenhuma alteração nas garantias fundamentais, que fique claro isso.

Falando a respeito das eleições para presidente. O senhor disse que qualquer nome seria melhor que Jair Bolsonaro. Por que essa afirmação e se o senhor acredita que o Brasil volta a se reencontrar com a democracia, como o senhor sempre frisou?

Eu vejo que quando as pessoas querem nos criticar, aqueles que trabalham politicamente no campo progressista de Esquerda, eles falam: ‘e a Venezuela, e Cuba, e a Coréia’. E eu digo: olha, sinceramente, isso não são referências para mim e nem para a grande maioria absoluta das pessoas de Esquerda no nosso País, até porque eu sou contrário a qualquer regime de exceção, qualquer regime ditatorial, seja de Esquerda ou de Direita. Não podemos esquecer que a Venezuela que eles colocam que fosse algo que nós defendêssemos que o Chavez, antecessor do Maduro, quando ele chegou ao poder ele era um militar que foi eleito pelo voto popular e depois quando se viu contrariado nos seus interesses, ele deu um autogolpe e não quis mais largar o poder e é o que pode acontecer com o Bolsonaro, exatamente isso: um ex-militar que pode ser eleito pelo voto, mas que fala publicamente, sem nenhum receio, que é a favor da Ditadura, que é a favor da tortura, faz apologia a torturadores, que diz que o único resultado que ele aceita é a vitória dele, porque se ele perder ele vai suscitar fraudes nas urnas, uma postura que contradiz a democracia. Ele diz uma série de impropérios contra negros, índios, contra mulheres, contra pobres, contra a população LGBT. Uma pessoa que não respeita o diferente nem as diferenças, e uma pessoa assim, ela é na essência e na definição um fascista e com fascismo, como Luiz Fernando Veríssimo já disse e eu já disse também e reproduzi isso nas redes sociais: com o fascismo a gente não dialoga, se combate. Não há tolerância da minha parte com o fascismo, logo: não há tolerância da minha parte com candidato fascista.

Suas Considerações finais…

Agradecer ao povo do Acre pelo apoio, pela fiscalização do nosso mandato. O sentimento pelo povo é de gratidão. Gratidão a todos àqueles que trabalharam conosco, marcharam conosco. Peço às pessoas que acompanhem os nossos trabalhos. E muito comum ouvir que o político só vai de 4 em 4 anos, mas quando a gente vai fazer uma reunião que não é no período eleitoral, as pessoas nem querem ir. O que peço as pessoas é: acompanhe o seu deputado.

“Se eu for chamado, com certeza estou a serviço da população”, diz Minoru Kinpara

O candidato ao Senado pela Rede Sustentabilidade, Minoru Kinpara, concedeu entrevista ao OPINIÃO. Ele falou a respeito dos mais de 112.989 votos obtidos no último domingo. Kinpara ficou em terceiro lugar nos dois maiores colégios eleitorais do Estado, Rio Branco e Cruzeiro do Sul, desbancando grandes nomes da política acreana como o senador Jorge Viana e o deputado estadual Ney Amorim.

Minoru Kinpara falou a respeito da corrente que defende sua ida para compor a equipe de governo de Gladson Cameli na Educação. Ele foi enfático ao comentar uma possível candidatura para a Prefeitura de Rio Branco em 2020.

Ao finalizar, Kinpara agradeceu aos eleitores e disse que os votos obtidos nas urnas foram votos conscientes.

OPINIÃO – Como explicar essa votação expressiva que o senhor teve nessas eleições, quase 13 mil votos? O que se deve essa explosão de votos nas urnas?

Acredito que o desejo de mudança de uma boa parte da população foi significativo. As pessoas acreditaram nas nossas propostas, por quê? Porque nós, durante a campanha, falamos o que fizemos e falamos do que queríamos fazer pelo nosso Estado. Fizemos uma campanha sem agredir A, B ou C. Fizemos uma campanha com pés no chão, falando a verdade, não mentindo, não enganando. A maneira que você ganha uma eleição, vai determinar como vai ser o seu mandato. Fizemos uma campanha com poucos recursos: saliva, suor e sapato, são os três “s”. Andamos esse Estado todo, os 22 municípios, subindo e descendo rios, ramais, visitando os bairros, o máximo de pessoas dentro das nossas estruturas.

Esses votos que tivemos são de pessoas que tiveram coragem para mudar e que essa mudança passava pela nossa pessoa.

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O senhor acredita que houve uma mudança de comportamento do eleitor nessas eleições? O eleitor estava mais consciente da importância do voto?

Acredito que sim. Essa questão da mudança, a gente sabe que toda mudança é um processo que não acontece de uma hora para outra. Ela vai sendo gerida, paulatinamente desenvolvendo. Mas acredito que essas já sinalizaram com um grande desejo de mudança que vai continuar pelos próximos anos.

O senhor se considera o novo na política do Acre?

Eu acredito que me considero sim uma pessoa que está mostrando e defendendo uma nova maneira de fazer politica, que a política sem compra de votos, que é a política olho no olho, a política falando a verdade, a política de mãos limpas, que é a política feita com propostas mostrando o que quer fazer e aonde quer chegar. Então, acredito que é isso que a gente precisa. Esse País, esse Estado é maravilhoso, mas precisa de fato de políticos que desejam de servir verdadeiramente. Político tem que entender que quem manda nele é o povo. O povo é o patrão dele. O povo coloca e o povo tira. O meu desejo de entrar política é para servir e principalmente as pessoas que mais precisam. Apesar de vivermos em um País rico, sabemos que tem muitas pessoas que vivem em situações de tristeza, que não tem saúde de qualidade, não tem educação de qualidade, não tem segurança de qualidade. Eu estou falando de coisas básicas. O político tem que entender que, em qualquer cargo que ele ocupar, ele está ali para servir. E não é para servir de qualquer jeito, é servir bem.

O senhor disse que percorreu os 22 municípios, o que marcou nessas andanças pelo Acre?

O sofrimento das pessoas. Eu andei em locais que quando as pessoas adoecem elas precisam ser transportadas em redes porque não tem como o carro chegar. Eu cheguei a locais onde os professores dão aula, em zona rural, em que as condições de acesso ensino-aprendizagem são tristes. Eu cheguei a locais onde as mães lamentam a perca de filhos. Estamos perdendo nossos jovens de 14, 15, 16, 17 anos que poderiam ter um futuro pela frente, porque não tem oportunidade de estudar. Depois quando estudam não tem empregos, essas pessoas ficam vulneráveis aí para ser cooptadas por essas organizações criminosas. Eu reafirmo que quem mais mata nesse País não são as facções, mas o que mais mata nesse País são os políticos corruptos, quero ressaltar que não são todos, que roubam o dinheiro que poderia estar indo para a saúde, educação, para a segurança pública. Dinheiro que poderia estar sendo colocado à disposição para investimento ao pequeno e médio produtor. Isso me deixa muito triste.


“Acredito que as pessoas precisam mais que um abraço, as pessoas precisam mais de que um sorriso, as pessoas precisam de pessoas competentes para exercer as funções”


Há uma corrente nas redes sociais que indicam o seu nome para ser secretário de Educação do novo governo. Um dos critérios para isso seria a sua formação como professor e o trabalho desenvolvido na Universidade Federal do Acre. O senhor aceitaria se esse convite fosse formulado pelo governador eleito, Gladson Cameli?

O que a gente percebe muito são especulações. Não existe nada concreto, não existe nenhum convite e eu me sinto horando pelas pessoas lembrarem de mim, pelas pessoas comentarem nas redes sociais que eu seria um bom nome. Isso, acredito que foi graças ao trabalho que eu fiz na Ufac. Eu sou professor, tenho orgulho de ser professor e a Educação salvou minha vida. Hoje eu tenho a oportunidade de dar uma vida melhor aos meus filhos, para a minha família, porque eu tive a oportunidade de estudar. Os meus filhos não passam as mesmas necessidades que eu passei. Quem garantiu isso para mim foram os estudos. E, eu sei que se a Educação garantiu isso para mim, vai garantir para muitos jovens, para muitas outras famílias que não nasceram em berço de ouro, que não tem pais ricos. Eu sou um soldado, estou a serviço do meu Estado, a serviço do meu País. Eu me preparei muito. Eu estudei muito e eu não posso pegar isso e guardar só pra mim. Eu tenho que colocar isso a serviço das pessoas. Foi graças à escola pública que eu estudei a minha vida toda. Fiz mestrado, doutorado, pós-doutorado em escola pública isso foi com investimento público. Eu tenho que devolver esse conhecimento para as pessoas em trabalho, em dedicação e eu, se for chamado, com certeza estou a serviço da população do meu Estado e do meu País. Serei um quadro técnico, se isso se concretizar. Não existe nada concreto, só especulações.

No momento, eu volto para a sala de aula. Sou professor. Gosto do que faço. Me sinto realizado no que faço. Estarei voltando para a sala de aula até porque quando eu me candidatei ao Senado eu renunciei ao cargo de reitor, mas volto para a sala de aula para fazer o que gosto também e dentro daquele espaço da sala de aula darei a minha contribuição.

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Além dessa perspectiva de ser o novo secretário de Educação, há também a possibilidade de em 2020 o senhor lançar o seu nome na disputa à Prefeitura de Rio Branco. Como o senhor tem visto essa ideia?

É muito cedo para isso ainda, é preciso avaliar e a gente precisa… Eu não assumo nenhuma função por assumir, eu só assumo função se eu me sentir preparado para contribuir. Acredito que as pessoas precisam mais que um abraço, as pessoas precisam mais de que um sorriso, as pessoas precisam de pessoas competentes para exercer as funções. É muito cedo, mas não descarto a possibilidade, se realmente eu sentir que tenho condições de contribuir poderei sim colocar meu nome a disposição. Mas é preciso deixar a poeira baixar nesse momento.


“Se eu for chamado, com certeza estou a serviço da população do meu Estado e do meu País. Serei um quadro técnico, se isso se concretizar. Não existe nada concreto, só especulações”


 

Minoru Kinpara continua na Rede Sustentabilidade?

Eu continuo na rede. Estamos conversando no interior da Rede, até porque a Rede não conseguiu atingir aquela cota, uma quantidade ‘x’ de deputados federais. Ela passa a não ter mais direito ao Fundo Partidário e também passa a não ter mais tempo de televisão. Então é algo para a gente analisar. Isso é algo que temos que analisar, porque para disputar um projeto futuro a gente tem que ter o mínimo de estrutura.

Neste segundo turno, o que o senhor tem a dizer aos seus eleitores?

Eu acredito que as pessoas têm que ficar a vontade para votarem em quem elas acreditam. Acredito que quem achar que deve votar no Bolsonaro vote, quem achar que deve ser no Haddad. Eu acredito que as pessoas tem que votar conforme a sua consciência e conforme suas convicções políticas. Não sou necessariamente a favor que você tem que colocar uma camisa de força e obrigar a votar em A ou B. As pessoas são livres e inteligentes, são capazes de, a partir da sua reflexão, decidirem em quem devem votar.

Qual a explicação, no seu ponto de vista, para a queda acentuada da presidenciável Marina Silva no último domingo (7) de eleição?

Eu acredito assim, uma boa parte da base da Marina era a comunidade evangélica e ela perdeu uma boa parte dessa base. Aquilo pesou muito, essa questão do plebiscito do aborto. Eu sou a favor da vida, serei sempre a favor da vida e talvez naquele momento, o caminho que ela tomou de decidir fazer um plebiscito, isso desagradou uma boa parte da comunidade evangélica. A comunidade evangélica é determinante hoje no Brasil, mais de 50%, a comunidade cristã de um modo geral.

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Suas considerações finais…

Quero agradecer a cada eleitor. Obrigado por terem confiado em nossa pessoa. Confiando na nossa proposta. Foram votos conscientes, foram votos acima de tudo conscientes e não foram frutos de negociatas, não foram votos comprados. Foram votos de pessoas que realmente acreditaram no professor Minoru, acreditaram na história dele, no trabalho dele e acreditaram muito. Esses 112 mil 989 eleitores que me apoiaram, eles estarão comigo em qualquer outro desafio que eu vier a enfrentar. Então, por que eles estarão comigo? Porque foram pessoas que acreditaram na mudança. Não foram pessoas que queriam barganhar isso ou aquilo. Foram pessoas conscientes. O meu voto foi um voto consciente. São pessoas que tiveram coragem para mudar e se sentiram representadas com o professor Minoru.

Perpétua e Edvaldo agradecem votos e reafirmam compromissos de campanha

Em entrevista exclusiva ao OPINIÃO na terça-feira, 9, os deputados eleitos no pleito do último domingo Edvaldo Magalhães (estadual) e Perpétua Almeida (federal), ambos do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), agradeceram os votos obtidos e falaram sobre os desafios para os próximos quatro anos.

Indagado sobre o crescimento da sigla no Acre, ao tempo que os outros partidos de esquerda perderam muito espaço, Edvaldo Magalhães disse que é cedo para fazer uma avaliação do que aconteceu.

“A gente vai precisar deixar a poeira baixar para poder enxergar melhor e da forma mais adequada o conjunto do resultado, no calor dos resultados, uma avaliação mais apressada pode não ser a avaliação mais precisa. Mas, estamos relembrando muito os resultados que o partido obteve”, disse.

Magalhães lembra que após a eleição de 2014, momento em que PCdoB perdeu espaço no cenário político do Estado, o partido estabeleceu uma meta a ser cumprida em 2018 de conseguir uma cadeira na Câmara Federal e também voltar à bancada na Assembleia Legislativa.

“Isso exigiu um conjunto de medidas e construção políticas, de buscar internamente uma construção unitária para que a gente pudéssemos todos gastar energia com esse projeto, penso que a nossa vitória é a vitória de um coletivo partidário que estabeleceu um propósito e foi coerente com esse propósito”, afirmou.

Edvaldo afirmou que o crescimento do partido no Acre é motivo de celebração, mas não de vaidade. “Mesmo em meio ao um turbilhão, veio um tsunami e nos sobrevivemos a ele, é não apenas sobrevivemos, nós crescemos em meio a uma tempestade, isso é motivo de muita celebração, mas de nenhuma vaidade. Nós, precisamos analisar os resultados da eleição com muita humildade e pé no chão”, diz o parlamentar comunista.

Perguntado sobre a meta de atuação na Assembléia Legislativa do Acre (Aleac) Edvaldo disse que vai cumprir a decisão do eleitor. “Nós vamos cumprir o que o eleitor decidiu, que devemos estar na bancada de oposição ao projeto que foi vencedor, a gente tem que respeitar muito a decisão das pessoas, e não vamos ser nenhum tipo de louco no debate político, a política exige um posicionamento conforme o desenvolvimento dos acontecimentos”, pondera.

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Penso que o que me fez voltar à
política numa disputa interna tão
difícil, foi exatamente porque eu
falei o que as pessoas gostariam
que eu fizesse, sempre trabalhei
olhando muito no olho das pessoas


 

Perpétua Almeida, deputada federal eleita pelo PCdoB

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“Voltar ao parlamento em uma conjuntura tão adversa não foi fácil”

Eleita com 18.374 votos a deputada federal Perpétua Almeida ocupou a sexta posição das oitos vagas para a Câmara Federal representando 4,3% do eleitorado. A parlamentar reconquistou a vaga no parlamento depois de ficar quatro anos afastada, após perder a eleição de 2014, em que concorria ao Senado. Ao OPINIÃO, ela falou dos desafios de voltar à política neste momento de instabilidade social.

“Voltar ao parlamento em uma conjuntura tão adversa não foi fácil, penso que o que me fez voltar à política numa disputa interna tão difícil, foi exatamente porque eu falei o que as pessoas gostariam que eu fizesse, sempre trabalhei olhando muito no olho das pessoas, fiz uma campanha lembrando para as pessoas como eu me comportei quando estava na política, é lembrando o que quero fazer”, destacou.

Uma das bandeiras de campanha da deputada federal eleita pelo PCdoB foi a anistia da dívida do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). Sobre o assunto, Perpétua disse que pretende debater a situação desses estudantes.

“Quero debater com o parlamento, com o novo governo a situação da dívida da juventude brasileira que cursou a faculdade pelo Fies, eu acompanhei por muitos anos o Brasil perdoar dívida de banqueiro por conta das crises financeiras, perdoar dívida do pessoal do cacau da Bahia, do pessoal da cana-de-açúcar do Nordeste”, lembra.

Ainda segundo a deputada, quando os estudantes adquiriram o financiamento o país vivia um outro momento econômico. “Aquele país que o jovem assinou o contrato não existe mais, é esse debate eu quero fazer com o parlamento e com o país, e quero ir mais longe, quero defender a continuidade do Fies com outras formas de pagamento. Por que não debater que um percentual seja em dinheiro e outro em serviço prestado?”, indaga.

Perpétua afirmou que também pretende fomentar o debate sobre Segurança Pública. “Falei para as pessoas como eu quero ajudar na segurança pública, como eu quero ajudar para que as pessoas possam se sentir mais seguras dentro da sua própria casa, quero debater como esse país tem leis frouxas para quem comete crimes contra a vida, mas eu quero debater também que os presídios brasileiros não recuperam ninguém” enfatizou.

Sobre a representatividade feminina na Câmara Federal Perpétua disse: “Metade da população que são as mulheres estão desassistida pela política, seja saúde, porque a mulher quando tem creche ela consegue deixar o filho e ir em busca de trabalho, eu sempre tive essa preocupação, as mulheres precisam ser visita pela política, por isso que é importante ter mulheres nos espaços de decisão da política”.

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Deputados defendem a reforma da Frente Popular

Para o deputado Edvaldo Magalhães as eleições de 2018 encerram um ciclo. “Nós do PCdoB fomos fundadores da Frente Popular e essas eleições de 2018 marcam um encerramento de um ciclo. Elas encerram um ciclo da Frente Popular e com muitas questões a ser pensadas e avaliadas, pensadas, e refletidas. Não podemos nos comportar como engenheiros de obras prontas, que passada as eleições e começa botar defeito em tudo”, disse.

Magalhães lembrou ainda a trajetória vitoriosa da coligação. “Nenhuma força política no estado do Acre conseguiu governar por tanto tempo seguidamente”.

Edvaldo Magalhães foi enfático: “A Frente Popular vai precisar ser refundada, ela vai precisar de repactuação política e programática, essas são duas questões que a gente já vem discutindo a mais de oito anos internamente, e agora ganha urgência. Para enfrentar um novo ciclo é preciso ter nova atitude, é preciso uma nova construção política e também ter nova construção programática” conclui.

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“Sairei com o sentimento de dever cumprido”, diz governador Tião Viana

Amenos de quatro meses para encerrar sua gestão, o governador Tião Viana concedeu nesta semana entrevista à Rádio Integração, em Cruzeiro do Sul. Ao jornalista Chico Melo, Viana falou sobre os maiores desafios de sua gestão e celebrou ainda os avanços conquistados ao longo dos últimos anos em que esteve à frente do governo do Acre.

Temas como a crise político-econômica que o país enfrenta e suas consequências nortearam a discussão. Mesmo diante de um cenário de dificuldade do país, o Acre desponta na contramão da crise no que diz respeito à sua economia, além de avanços no setor da educação.

Entre os assuntos debatidos, o governador falou também sobre o sentimento do fim de sua gestão, que entra em um momento definitivo, faltando menos de quatro meses para completar seu ciclo. Apesar de ter enfrentado grandes desafios em quase oito anos de gestão, Tião Viana destacou que o sentimento, neste momento, é de dever cumprido.

Confira os principais momentos da entrevista:

Chico Melo – Governador, o país vive um momento difícil na economia, e o Acre crescendo na contramão desse processo. Como o senhor vê isso?

Tião Viana: Chico, estou muito contente de ver o avanço do Acre, e um grande exemplo é o sucesso da Expoacre Juruá, que se encerrou no último domingo [2]. E nesta semana, o Grupo Itaú, que tem uma linha de estudo do desenvolvimento tão forte quanto tem o Ipea, IBGE, apresentou o estudo econômico do desenvolvimento dos estados brasileiros referente ao ano de 2017, analisando o crescimento de vendas no varejo, o incremento da produção industrial, incremento de vendas no comércio, e analisou a geração de empregos formais dados pelo Caged [Cadastro Geral Empregados e Desempregados], que é um órgão do Ministério do Trabalho, e essa foi a minha alegria. O Acre teve indicadores acima de doze estados do Brasil. Ou seja, nosso crescimento proporcional – porque o Acre é um estado pequeno e pobre – foi fantástico. Ele [Acre] alcançou, no meio de uma crise, 2,7% em 2017, meta que muitos economistas não imaginavam ver, e o melhor, crescemos mais, proporcionalmente, do que Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo, Distrito Federal, Bahia, Paraíba, Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte e Roraima. Então isso demonstra a força e a determinação do governo e da sociedade para darmos respostas à crise, por isso conseguimos ter a compreensão do que representam os investimentos em áreas como o saneamento básico – mais de R$ 1,30 bilhões –, 14 mil casas populares que estamos chegando até dezembro, investimento de R$ 160 milhões em obras na área da saúde, com a entrega do Hospital Regional do Alto Acre em Brasileia. Basta olhar os avanços que tivemos no Juruá, os investimentos em mais UTIs, enfermarias, os trabalhos dentro dos municípios como o hospital de Mâncio Lima, num investimento de R$ 3,5 milhões, a UPA de Cruzeiro do Sul, e na educação mais de mil obras entregues. Isso assegurou empregos. É claro que há dificuldades. Mas crescer 2,7% diante do crescimento negativo dos demais estados é um ato de bravura do governo e do povo acreano.

CM – Eu digo que o seu governo enfrentou as piores crises, inclusive a perda de uma aliada fundamental que era a presidente Dilma, além do aumento da violência no país, em que o Acre foi negligenciado pelo governo federal. Mas, diante desse cenário tão desafiador, quais foram os mecanismos utilizados pelo governo para manter o Acre em ritmo de crescimento com as contas em dia, principalmente com os salários sem atrasos?

TV – O estudo que fiz na minha vida pública – dada pelo povo do Acre, especialmente do Juruá, que sempre me estendeu a mão quando precisei – foi a compreensão que eu tinha na vida pública no Senado, ouvindo sempre as pessoas. Eu fui buscar canais de financiamento e, sabendo desses canais, busquei recursos no Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, no governo alemão, BNDES e outros. Nós investimos mais de R$ 4,5 bilhões, isso demonstra uma capacidade de investimentos sem precedentes na história do Acre e o resultado disso é aquilo que vimos agora [estudo do Itaú Unibanco].

CM – Temos a tradição de ser um estado que usa bem os produtos florestais. O seu governo tem investido bastante nesse setor, e isso tem sido fundamental na economia acreana.

TV – Investimos mais de R$ 500 milhões na agricultura familiar. Em todo o setor produtivo rural, o investimento total foi de R$ 1 bilhão. Um exemplo é entre o Rio Liberdade e o Rio Gregório. Temos as reservas e nós conseguimos fazer um investimento para aquelas comunidades que não tinham a presença efetiva do Estado e receberam um investimento de R$ 42 milhões ali. Você se desloca para a comunidade da Reserva Chico Mendes, você vê um investimento superior a R$ 40 milhões nas comunidades indígenas, um investimento na agricultura para a qualidade de vida, você vê investimentos que chegam a superar R$ 50 milhões. Então estamos trabalhando com toda a firmeza. Você olha a quantidade de kits entregues em todo o Estado, por exemplo, em Brasileia, que recebeu R$ 5,5 milhões em equipamentos. Entregamos kits com roçadeira, caixas d’águas (produzidas no Acre, e é bom que se diga), mudas frutíferas e árvores (foram R$ 5 milhões). Então isso demonstra uma força única.

CM – O senhor tem feito um grande esforço no que diz respeito à segurança, para conter o problema do tráfico de drogas. Como o governo tem lidado com a questão da violência aqui?

TV – Eu agradeço a todos os policiais civis, militares e demais agentes de segurança pelo trabalho desenvolvido até aqui. Somos o segundo Estado que mais investe em segurança pública no país inteiro, com mais de meio bilhão de reais somente em 2017. Quando assumi, o investimento era da ordem de R$ 165 milhões ao ano para os profissionais da segurança, e este ano estamos fechando em R$ 507 milhões. Em agosto, reduzimos em 38% os assassinatos no Acre e em mais de 40% os assassinatos em Rio Branco, demonstrando a força do governo e das forças de segurança na luta contra o crime. E aí tem a omissão completa do governo federal, salvo o esforço dos agentes de Polícia Federal, dos militares do Exército Brasileiro, que tem poucos homens, e ficamos vulneráveis. Basta olhar os nossos rios, cuja falta de vigilância na fronteira deixa essas áreas suscetíveis à passagem de drogas. Temos que lutar todos os dias naquilo que deveria ser obrigação do governo federal e contamos com o apoio das polícias no Acre, e mesmo diante desse cenário, temos conseguido alcançar resultados positivos em todo o Estado. Em breve vamos entregar as obras do presídio Manoel Néri, com mais 400 vagas e outras três mil em Rio Branco, mostrando a nossa luta, pois aqui é o Estado que mais prende no Brasil e temos a melhor elucidação de crimes. Precisamos do governo federal não apenas no Acre, mas na Amazônia, onde é necessária a presença das forças de defesa da União nas fronteiras, porque estamos ao lado de dois dos maiores produtores de drogas do mundo, que são Bolívia e o Peru, além da Colômbia.

CM – O senhor está encerrando o seu governo com o sentimento do dever cumprido?

TV – Muito! No Acre inteiro, visitei mais de mil vezes os municípios. Somente em Cruzeiro do Sul passei mais de 200 vezes até agora e virei tantas outras ainda. Tenho amigos em todos os lugares e vou sair em paz, com sentimento de dever cumprido. Ajudei o Acre a mudar muito nesse período, e a partir do dia 1 de janeiro eu me desloco não mais como governador, mas como cidadão e amigo do povo acreano, para a Universidade Federal do Acre, onde sou professor do curso de medicina. Vou lecionar para os alunos, formar mestres e doutores. Também atuarei no Hospital das Clínicas cuidando da vida humana e muito feliz, porque Deus tem sido bondoso de me dar a oportunidade de fazer pelo meu Estado, atendendo aos ideais das comunidades para o desenvolvimento do Acre, sempre dando o melhor de mim. Se você me perguntar se falta muito para o Acre, respondo que sim, falta uma longa caminhada. É um estado pequeno e pobre, com apenas 116 anos, e quando você compara com outros estados como Pará e Amazonas, por exemplo, vê que já avançamos muito. Um exemplo disso são os dados recentes divulgados pelo Ministério da Educação, que apontam o Acre como o primeiro na Região Norte em avanços na educação, como mostra a última pesquisa do Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], e vamos avançar muito mais, como por exemplo as escolas militares – já entregamos duas – e também as escolas em tempo integral.

Profissionais que dominarem competências da Indústria 4.0 vão ter mais chances no mercado

Novas tecnologias, como big data, inteligência artificial e internet das coisas vão transformar os negócios e o mercado de trabalho. A tendência é que atividades repetitivas e insalubres sejam realizadas por máquinas. Por outro lado, profissionais que dominem as novas tecnologias e tenham competências socioemocionais – como saber trabalhar em equipe com criatividade e empreededorismo – devem se posicionar melhor no novo mundo que vai mudar completamente.

A avaliação é do diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Rafael Lucchesi, nesta entrevista à Agência CNI de Notícias. Ele analisa os impactos da quarta revolução industrial, também chamada de Indústria 4.0; aponta quais são as profissões que devem ganhar com as mudanças e fala sobre o novo formato da Olimpíada do Conhecimento, que ocorre em Brasília, de 5 a 8 de julho.

Em sua 10ª edição, o evento vai apresentar como serão as cidades inteligentes, a educação do futuro e como as novas tecnologias podem promover o uso eficiente de recursos, a redução dos impactos ambientais e a melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Agência CNI de Notícias – O mundo passa pela 4ª revolução industrial. Quais são os impactos dessa transformação?

Rafael Lucchesi – Existe um conjunto de novas tecnologias tranformadoras baseado em novas rotas tecnológicas como big data, internet das coisas, produção integrada e conectada, manufatura avançada, indústria aditiva e inteligência artificial. Há 200 anos temos mudanças no paradigma técnico-econômico, mas eram rotas tecnológicas mais simples – máquina a vapor, motor a combustão interno e motor elétrico e, mais tarde, as mudanças baseadas em microeletrônica e telecomunicações. Tínhamos uma ou duas rotas técnicas e agora temos um conjunto mais complexo. Historicamente, essas transformações propiciam mais conforto e qualidade de vida para população.

Há também uma mudança cultural no estilo de vida das pessoas, no emprego e nas relações de produção. Os próximos dez anos vão ter um forte de impacto em definir empresas e atores econômicos que estarão mais bem posicionados.  É claro que países com políticas públicas que estão estimulando fortemente esses novos vetores tecnológicos e reconfigurando a economia mundial vão ter empresas mais bem sucedidas e com repercussão sobre seu território.

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Agência CNI de Notícias – E como o Brasil se posiciona nessa questão?

Rafael Lucchesi – Há uma diferença enorme entre os US$ 500 bilhões por ano que os Estados Unidos têm colocado nesses novos fatores de competitividade para o futuro, a partir de uma agenda de políticas públicas, e os cerca de US$ 15 bilhões a US$ 20 bilhões que o Brasil tem posto. Então, o país ainda precisa fazer uma ação forte na agenda de políticas públicas nesse campo.

Além disso, no século XX, as sociedades avançaram com estabilidade macroeconômica, com relações de trabalho que se modernizaram, com infraestrutura que prosperou e impulsinou a economia. Nós não resolvemos essa agenda e estamos encarando um mundo que se transforma velozmente. Por isso, o Brasil tem um duplo desafio: teremos de ser capazes de solucionar os problemas do século XX que deixamos para trás e resolver simultaneamente os problemas da capacidade inovativa. Evidentemente, todo processo de mudança cria janelas de oportunidades que são importantes.

Está se abrindo novamente um novo período de mudança e as sociedades que vão melhor capturar isso são aquelas com estruturas institucionais mais flexíveis. Os emergentes, normalmente, fazem da sua capacidade adaptativa uma vantagem. O mundo será impositivo, o Brasil não será uma bolha no mundo. O país tem oportunidades, depende de como ele vai se movimentar.

Agência CNI de Notícias – Como o mercado de trabalho deve ser afetado?

Rafael Lucchesi – Primeiro, as novas tecnologias vão redefinir muito as novas cadeias de valor. Deve haver uma miríade de novos negócios possíveis, desde uma geladeira que vai gerenciar as compras de reposição do seu consumo doméstico, passando por veículos de condução autônoma, vias inteligentes, assim como uma série de novas possibilidades que as tecnologias vão prover.

Estudos demonstram que 40% das profissões nos Estados Unidos vão sofrer o impacto das novas tecnologias. A tendência é haver menos relações de trabalho permanentes e mais vínculos temporários, que incorporam um pouco padrões culturais que os jovens que entram hoje no mercado de trabalho já buscam voluntariamente. As pessoas vão ter um processo contínuo de aprendizado ao longo de vida. Vão precisar se requalificar permanentemente para adquirir novas competências. É claro que ainda é cedo, prematuro, afirmar o que vai acontecer, mas são tendências que estão se desenhando.

Agência CNI de Notícias – Quais são as profissões que devem ganhar mais relevância?

Rafael Lucchesi – No geral, deve haver uma substituição forte de atividades de competências repetitivas. A tendência é que as novas tecnologias sejam poupadoras desse tipo de trabalho e criem novas oportunidades para interpretação de dados, criticidade de dados, tomada de decisões mais avançadas a partir de inteligência artificial, que vão propiciar novas formas de ocupação.

Então, profissões mais transversais, que dialogam mais com essas tecnologias devem ser profissões mais valorizadas porque atuam em diversas cadeias e atividades econômicas, por exemplo, o técnico de informática para internet, o técnico em tecnologia da informação para hardware e softwares, o técnico em automação, em mecatrônica, em eletrônica, entre outros.

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Agência CNI de Notícias – As competências socioemocionais, ou softskills, já são necessárias no mercado de trabalho hoje. Por que devem ganhar ainda mais importância?

Rafael Lucchesi – De fato, essas competências sempre foram importantes no mercado de trabalho. As empresas reconhecem no SENAI, por exemplo, uma capacidade, há décadas, de trabalhar com seus alunos as competências socioemocionais. É comum que outras atividades econômicas contratem pessoas formadas pelo SENAI e, quando você pergunta o motivo, as empresas dizem que é porque a formação conta com um conjunto de valores, que podemos chamar de ethos, importantes para os trabalhadores serem mais produtivos. Essas competências são ainda mais importantes porque existe um evolução constante da sociedade do conhecimento.

As estruturas empresariais hoje são menos verticalizadas, são mais horizontais e colaborativas. O processo de interação dentro da célula de produção, das empresas e até mesmo com clientes e fornecedores são cada vez mais importantes para ganhos de produtividade, de eficiência e para o processo de aprendizagem, ou seja, para se identificar oportunidades de inovação e de agregação de valor aos produtos. A conexão dessas competências de relacionamento, trabalho colaborativo, criatividade, interpretação de dados, empreendedorismo com competências de formação, associada a um trabalho em time no qual as pessoas colaboram porque estão comprometidas com o resultado reverte-se em inventividade, criatividade e o ambiente positivo cria uma cultura organizacional mais favorável para a geração de riqueza.

Agência CNI de Notícias – Como o jovem que busca uma profissão e o profissional que já está no mercado de trabalho podem se adequar melhor a este momento?

Rafael Lucchesi – Minha mensagem para a juventude brasileira é convergir para esse movimento que ocorre no mundo inteiro. Uma recomendação seria que as pessoas se informem sobre as novas tecnologias e as novas competências exigidas pelo mercado de trabalho. A educação profissional é uma boa alternativa para essa inserção profissional.

As profissões técnicas são bem remuneradas, evoluem ao longo do tempo e vão permitir uma carreira sólida, estável com a possibilidade de prosseguimento dos estudos, por meio de curso superior já com uma profissão definida, seja nas áreas de graduação tecnológica ou nos cursos de Engenharia. Para quem já está no mercado de trabalho, a requalificação é algo importante porque as tecnologias vão estabelecer novos parâmetros de exigência para os profissionais.

Aqueles que dominam as competências vão ter uma chance muito maior de manter seus vínculos. É também uma estratégia importante para quem, eventualmente nesta crise, perdeu o emprego. O caminho mais rápido para a reinserção no mercado de trabalho é estabelecer conexão com o futuro, ter o domínio dessas novas competências porque as chances de reinserção serão muito maiores. Não é à toa que existe uma enorme valorização da educação profissional no mundo.

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Agência CNI de Notícias – Por que a educação profissional tem sido mais valorizada?

Rafael Lucchesi – Há uma tendência no mundo de fortalecer os marcos legais com foco no conceito de competências e habilidades, e a educação profissional propicia às pessoas justamente dominar as competências que são afirmadas no mundo do trabalho. Isso ocorre na Alemanha, na Finlândia, na Europa continental, nos países asiáticos, na América do Norte.

Há uma tendência nos sistemas educacionais do mundo de fortalecer a agenda de educação profissional como um modelo de dupla saída do sistemas educacionais, especialmente no ensino médio. O Brasil também está avançando nessa questão. Foi aprovada a nova lei do ensino médio, que inclui a formação técnica e profissional no currículo regular, e tem o papel de convergir o sistema educacional brasileiro para a experiência dos países mais avançados.

Agência CNI de Notícias – Nesta edição, a Olimpíada do Conhecimento vai mostrar como a tecnologia deve impactar a vida nas cidades e a educação. Por que o evento tem esse novo formato?

Rafael Lucchesi – Na edição passada (em 2016), já houve uma grande mudança na Olimpíada do Conhecimento, com provas mais curtas, maior interação com o público e foi um grande sucesso. Estamos intensificando isso neste ano. Pelas características do calendário eleitoral, estamos fazendo um evento de demonstração e debate sobre as novas tecnologias da Indústria 4.0. As cidades inteligentes abrigam empresas, residências e as mudanças tecnológicas interferem na vida cotidiana de todos nós.

Como há uma grande discussão na sociedade, em um ano de eleição presidencial, fizemos algo mais aberto, mais voltado para o debate na sociedade. O Sistema Indústria quer sensibilizar as autoridades para a importância deste novo momento histórico. O SESI e o SENAI vão estar na Olimpíada como parte afirmativa dessas transformações da sociedade, dialogando com os novos vetores tecnológicos.

Há um conjunto de novas tecnologias que irão transformar o mundo e nós queremos estimular esse debate na sociedade para que haja uma melhor compreensão da importância de o Brasil buscar o protagonismo nessa agenda transformadora, baseada em inovação que vai impactar fortemente na geração de riqueza no futuro.

Agência CNI de Notícias – De que forma a Olimpíada pode inspirar a família que vai visitar o evento?

Rafael Lucchesi – A família e os jovens que visitarem a Olimpíada vão se defrontrar com um mundo que se transforma por meio de um conjunto de novas tecnologias e que, evidentemente, vai impactar no futuro de cada um deles. Os mais bem sucedidos serão aqueles que fizerem um plano de desenvolvimento indidivual que dialogue melhor com esse futuro que virá rápido, intenso e transformador. Se as pessoas estiverem dialogando melhor com essas novas tendências e moverem o domínio das suas competências individuais com as competências que serão requeridas no futuro, elas certamente vão ser mais bem sucedidas.

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