O candidato ao Senado pela Rede Sustentabilidade, Minoru Kinpara, concedeu entrevista ao OPINIÃO. Ele falou a respeito dos mais de 112.989 votos obtidos no último domingo. Kinpara ficou em terceiro lugar nos dois maiores colégios eleitorais do Estado, Rio Branco e Cruzeiro do Sul, desbancando grandes nomes da política acreana como o senador Jorge Viana e o deputado estadual Ney Amorim.
Minoru Kinpara falou a respeito da corrente que defende sua ida para compor a equipe de governo de Gladson Cameli na Educação. Ele foi enfático ao comentar uma possível candidatura para a Prefeitura de Rio Branco em 2020.
Ao finalizar, Kinpara agradeceu aos eleitores e disse que os votos obtidos nas urnas foram votos conscientes.
OPINIÃO – Como explicar essa votação expressiva que o senhor teve nessas eleições, quase 13 mil votos? O que se deve essa explosão de votos nas urnas?
Acredito que o desejo de mudança de uma boa parte da população foi significativo. As pessoas acreditaram nas nossas propostas, por quê? Porque nós, durante a campanha, falamos o que fizemos e falamos do que queríamos fazer pelo nosso Estado. Fizemos uma campanha sem agredir A, B ou C. Fizemos uma campanha com pés no chão, falando a verdade, não mentindo, não enganando. A maneira que você ganha uma eleição, vai determinar como vai ser o seu mandato. Fizemos uma campanha com poucos recursos: saliva, suor e sapato, são os três “s”. Andamos esse Estado todo, os 22 municípios, subindo e descendo rios, ramais, visitando os bairros, o máximo de pessoas dentro das nossas estruturas.
Esses votos que tivemos são de pessoas que tiveram coragem para mudar e que essa mudança passava pela nossa pessoa.

O senhor acredita que houve uma mudança de comportamento do eleitor nessas eleições? O eleitor estava mais consciente da importância do voto?
Acredito que sim. Essa questão da mudança, a gente sabe que toda mudança é um processo que não acontece de uma hora para outra. Ela vai sendo gerida, paulatinamente desenvolvendo. Mas acredito que essas já sinalizaram com um grande desejo de mudança que vai continuar pelos próximos anos.
O senhor se considera o novo na política do Acre?
Eu acredito que me considero sim uma pessoa que está mostrando e defendendo uma nova maneira de fazer politica, que a política sem compra de votos, que é a política olho no olho, a política falando a verdade, a política de mãos limpas, que é a política feita com propostas mostrando o que quer fazer e aonde quer chegar. Então, acredito que é isso que a gente precisa. Esse País, esse Estado é maravilhoso, mas precisa de fato de políticos que desejam de servir verdadeiramente. Político tem que entender que quem manda nele é o povo. O povo é o patrão dele. O povo coloca e o povo tira. O meu desejo de entrar política é para servir e principalmente as pessoas que mais precisam. Apesar de vivermos em um País rico, sabemos que tem muitas pessoas que vivem em situações de tristeza, que não tem saúde de qualidade, não tem educação de qualidade, não tem segurança de qualidade. Eu estou falando de coisas básicas. O político tem que entender que, em qualquer cargo que ele ocupar, ele está ali para servir. E não é para servir de qualquer jeito, é servir bem.
O senhor disse que percorreu os 22 municípios, o que marcou nessas andanças pelo Acre?
O sofrimento das pessoas. Eu andei em locais que quando as pessoas adoecem elas precisam ser transportadas em redes porque não tem como o carro chegar. Eu cheguei a locais onde os professores dão aula, em zona rural, em que as condições de acesso ensino-aprendizagem são tristes. Eu cheguei a locais onde as mães lamentam a perca de filhos. Estamos perdendo nossos jovens de 14, 15, 16, 17 anos que poderiam ter um futuro pela frente, porque não tem oportunidade de estudar. Depois quando estudam não tem empregos, essas pessoas ficam vulneráveis aí para ser cooptadas por essas organizações criminosas. Eu reafirmo que quem mais mata nesse País não são as facções, mas o que mais mata nesse País são os políticos corruptos, quero ressaltar que não são todos, que roubam o dinheiro que poderia estar indo para a saúde, educação, para a segurança pública. Dinheiro que poderia estar sendo colocado à disposição para investimento ao pequeno e médio produtor. Isso me deixa muito triste.
“Acredito que as pessoas precisam mais que um abraço, as pessoas precisam mais de que um sorriso, as pessoas precisam de pessoas competentes para exercer as funções”
Há uma corrente nas redes sociais que indicam o seu nome para ser secretário de Educação do novo governo. Um dos critérios para isso seria a sua formação como professor e o trabalho desenvolvido na Universidade Federal do Acre. O senhor aceitaria se esse convite fosse formulado pelo governador eleito, Gladson Cameli?
O que a gente percebe muito são especulações. Não existe nada concreto, não existe nenhum convite e eu me sinto horando pelas pessoas lembrarem de mim, pelas pessoas comentarem nas redes sociais que eu seria um bom nome. Isso, acredito que foi graças ao trabalho que eu fiz na Ufac. Eu sou professor, tenho orgulho de ser professor e a Educação salvou minha vida. Hoje eu tenho a oportunidade de dar uma vida melhor aos meus filhos, para a minha família, porque eu tive a oportunidade de estudar. Os meus filhos não passam as mesmas necessidades que eu passei. Quem garantiu isso para mim foram os estudos. E, eu sei que se a Educação garantiu isso para mim, vai garantir para muitos jovens, para muitas outras famílias que não nasceram em berço de ouro, que não tem pais ricos. Eu sou um soldado, estou a serviço do meu Estado, a serviço do meu País. Eu me preparei muito. Eu estudei muito e eu não posso pegar isso e guardar só pra mim. Eu tenho que colocar isso a serviço das pessoas. Foi graças à escola pública que eu estudei a minha vida toda. Fiz mestrado, doutorado, pós-doutorado em escola pública isso foi com investimento público. Eu tenho que devolver esse conhecimento para as pessoas em trabalho, em dedicação e eu, se for chamado, com certeza estou a serviço da população do meu Estado e do meu País. Serei um quadro técnico, se isso se concretizar. Não existe nada concreto, só especulações.
No momento, eu volto para a sala de aula. Sou professor. Gosto do que faço. Me sinto realizado no que faço. Estarei voltando para a sala de aula até porque quando eu me candidatei ao Senado eu renunciei ao cargo de reitor, mas volto para a sala de aula para fazer o que gosto também e dentro daquele espaço da sala de aula darei a minha contribuição.

Além dessa perspectiva de ser o novo secretário de Educação, há também a possibilidade de em 2020 o senhor lançar o seu nome na disputa à Prefeitura de Rio Branco. Como o senhor tem visto essa ideia?
É muito cedo para isso ainda, é preciso avaliar e a gente precisa… Eu não assumo nenhuma função por assumir, eu só assumo função se eu me sentir preparado para contribuir. Acredito que as pessoas precisam mais que um abraço, as pessoas precisam mais de que um sorriso, as pessoas precisam de pessoas competentes para exercer as funções. É muito cedo, mas não descarto a possibilidade, se realmente eu sentir que tenho condições de contribuir poderei sim colocar meu nome a disposição. Mas é preciso deixar a poeira baixar nesse momento.
“Se eu for chamado, com certeza estou a serviço da população do meu Estado e do meu País. Serei um quadro técnico, se isso se concretizar. Não existe nada concreto, só especulações”
Minoru Kinpara continua na Rede Sustentabilidade?
Eu continuo na rede. Estamos conversando no interior da Rede, até porque a Rede não conseguiu atingir aquela cota, uma quantidade ‘x’ de deputados federais. Ela passa a não ter mais direito ao Fundo Partidário e também passa a não ter mais tempo de televisão. Então é algo para a gente analisar. Isso é algo que temos que analisar, porque para disputar um projeto futuro a gente tem que ter o mínimo de estrutura.
Neste segundo turno, o que o senhor tem a dizer aos seus eleitores?
Eu acredito que as pessoas têm que ficar a vontade para votarem em quem elas acreditam. Acredito que quem achar que deve votar no Bolsonaro vote, quem achar que deve ser no Haddad. Eu acredito que as pessoas tem que votar conforme a sua consciência e conforme suas convicções políticas. Não sou necessariamente a favor que você tem que colocar uma camisa de força e obrigar a votar em A ou B. As pessoas são livres e inteligentes, são capazes de, a partir da sua reflexão, decidirem em quem devem votar.
Qual a explicação, no seu ponto de vista, para a queda acentuada da presidenciável Marina Silva no último domingo (7) de eleição?
Eu acredito assim, uma boa parte da base da Marina era a comunidade evangélica e ela perdeu uma boa parte dessa base. Aquilo pesou muito, essa questão do plebiscito do aborto. Eu sou a favor da vida, serei sempre a favor da vida e talvez naquele momento, o caminho que ela tomou de decidir fazer um plebiscito, isso desagradou uma boa parte da comunidade evangélica. A comunidade evangélica é determinante hoje no Brasil, mais de 50%, a comunidade cristã de um modo geral.

Suas considerações finais…
Quero agradecer a cada eleitor. Obrigado por terem confiado em nossa pessoa. Confiando na nossa proposta. Foram votos conscientes, foram votos acima de tudo conscientes e não foram frutos de negociatas, não foram votos comprados. Foram votos de pessoas que realmente acreditaram no professor Minoru, acreditaram na história dele, no trabalho dele e acreditaram muito. Esses 112 mil 989 eleitores que me apoiaram, eles estarão comigo em qualquer outro desafio que eu vier a enfrentar. Então, por que eles estarão comigo? Porque foram pessoas que acreditaram na mudança. Não foram pessoas que queriam barganhar isso ou aquilo. Foram pessoas conscientes. O meu voto foi um voto consciente. São pessoas que tiveram coragem para mudar e se sentiram representadas com o professor Minoru.


?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>