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quarta-feira, 24 de junho de 2026
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“Vamos permanecer do nosso lado, mas não vou entrar no time do quanto pior melhor”

“Vamos permanecer do nosso lado, mas não vou entrar no time do quanto pior melhor”

Depois de ser reeleito a deputado estadual, Daniel Zen bate um papo com a reportagem do Opinião

Reeleito com 6.616 votos para mais quatro anos de mandato na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), o deputado Daniel Zen (PT) concedeu entrevista ao jornal OPINIÃO e falou a respeito do seu mandato na legislatura vigente, das matérias aprovadas, os desafios do parlamento e sua projeção para os próximos quatro anos.

Ele frisou que fará uma oposição coerente, sempre procurando dialogar com as propostas que sejam de interesse da população. Zen falou, ainda, a respeito das divergências dentro do PT e como isso influenciou no processo eleitoral.

Ao finalizar, ele comentou sobre o segundo turno e voltou a fazer críticas aos regimes ditatoriais e a candidatura de Jair Bolsonaro. Ele frisou que qualquer movimento que possa fazer com que a sociedade brasileira tenha seus direitos tolhidos deve ser combatido.

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Deputado o senhor foi reeleito com 6.616 votos. A que o senhor atribui essa votação mesmo sendo líder do governo, uma missão sempre desgastante para todos que assumem essa função no parlamento?

Cumprimentar a todos os leitores do jornal OPINIÃO. Eu acho que assim, uma das coisas que a gente procurou fazer no mandato foi não só tentar cumprir com as nossas funções e atribuições da liderança do governo. Sempre tentou manter, além da tarefa de líder do governo, que é articular a base, manter um ambiente de diálogo sempre constante, fazer reuniões, debater os projetos de lei de iniciativa do Executivo, tentar convencer os colegas da importância deles, mas a gente manteve uma agenda legislativa própria. Eu fui um dos deputados que mais apresentou projetos de lei, anteprojetos de lei que retornaram do Executivo na forma de projeto de lei que foram aprovados, indicações, requerimentos, moções, audiências públicas. Todo tipo de atividade legislativa, propriamente dita, fizemos num volume considerável e sempre procurou trabalhar a comunicação dessas ações, não só pelas redes sociais que a gente sabe da importância crescente que as redes sociais têm tido nos últimos anos, não só para campanha, mas também para o mandato. Mas também, utilizamos dos outros meios tradicionais: jornais impressos, informativos, entrevistas, rádio televisão. A gente procurou fazer um trabalho do mandato além das tarefas de líder do governo e comunicar isso para a população. Então, acredito que a população em alguma medida assimilou isso. Fiz uma campanha que foi basicamente o relato do mandato. Procuramos dialogar e me comunicar com aqueles grupos da sociedade que foram diretamente beneficiamos por essa ou por aquela lei. Também mantivemos uma agenda de andanças muito consistente. Toda semana, praticante, nesses quatro anos de mandato, eu estava em um município diferente. Era difícil um final de semana que eu ficasse aqui em Rio Branco. Já na quinta à tarde, sexta e sábado até o meio dia essa era a nossa rotina. Sempre perto das bases, chegando lá reunindo com o nosso pessoal e mesmo assim teve uma queda em relação à anterior. Tem o desgaste que vai não só da liderança do governo, mas do cenário geral que está refletido no resultado majoritário.

A respeito do resultado dessas eleições para o PT. Eram cinco deputados estaduais, reduziu para dois. Tinham-se três federais e o único senador não foi reeleito. Na sua visão onde o PT errou e o que fazer para corrigir esse erro?

É muito difícil fazer avaliação no calor das emoções, estamos aqui com menos de uma semana das eleições, e acho que qualquer análise que a gente faça agora vai ser uma análise superficial, talvez contaminada pelo calor dos acontecimentos, pelos sentimentos, pelas emoções. Não será uma análise bem feita à luz da razão. Então, o que eu acho: nenhum fator sozinho, isolado, ele teria capacidade e condição de nos impor uma derrota tão avassaladora como essa. Eu acho que é um conjunto de fatores, eu citaria desde a onda conservadora que elegeu o Trump nos Estados Unidos e o Macron na França, passando por essa onda conservadora nacional que leva um Bolsonaro para o segundo turno, aí no caso do Acre, os nossos 20 anos de exercício do poder que sozinho já traz um certo degaste. Eu penso também que a crise econômica nacional que fez com que nós recebêssemos muito menos recursos do que normalmente receberíamos que impediram o governo de realizar uma série de obras e um calendário de projetos importantes que estavam previstos, estavam planejados. Quando o governo deixa de apresentar resultados positivos, sobretudo obras que são o que as pessoas mais veem, isso prejudica, depõe contra o governo. Mas de forma que o principal é o seguinte: não é uma, duas ou três. Muita gente diz: ‘ah, foi a escolha do vice’, ou ‘foi os buracos que o Marcus Alexandre deixou na prefeitura’. Não, cada problema vai somando com outros para criar um cenário desfavorável, mas eu acho que o tempo mesmo, 20 anos não são 20 meses.


Vamos procurar estabelecer esse diálogo com o governo para que aquilo que seja em benefício da população a gente consiga avançar


 

O senhor disse no último dia 10 que é preciso respeitar a vontade popular e que a FPA e o PT têm que ter apenas o sentimento de gratidão pelos cinco mandatos concedidos ao PT para governar o Acre. Gerou-se um inconformismo no pós-eleição na militância e líderes?

O povo do Acre nos deu cinco mandatos consecutivos no governo, cinco intercalados na prefeitura: um do Jorge Viana, dois do Angelim, dois do Marcus, então acho que a gente não pode agora, porque teve um resultado desfavorável aponta o dedo para o eleitor e dizer: o povo errou. A decisão do povo é soberana. A maioria decidiu e o que esperamos do governador eleito que possa fazer o trabalho da maneira que achar melhor. No nosso caso, vamos estar lá para fazer oposição e para fiscalizar, exercer o papel inverso do que a gente exercia até agora. Não vamos também mudar de lado, né? Vamos permanecer do nosso lado, na nossa trincheira de resistência, apontando os erros, mas não vou, me recuso como eu disse no dia 10, eu não entro para o time dos que torcem pelo quanto pior, melhor. A oposição tem que ser coerente. Coerente inclusive com as minhas posições que venho adotando nesse atual mandato. Não posso agora, de repente assassinar a coerência e adotar uma postura, até como alguns colegas que hoje são oposição e vão passar a ser base do governo no ano que vem adotavam: que é fazer a crítica pela crítica ou de achar que tudo está errado, não reconhecer as coisas boas do governo. Isso aí eu não farei de jeito nenhum.

O senhor acredita que o racha entre o grupo do deputado Ney Amorim e o grupo do senador Jorge Viana atrapalhou as estratégias de campanha da Frente Popular, enfraquecendo todo o grupo?

Eu acho que a partir do momento em que se passou a ter uma disputa nas redes sociais e até o momento que essa tensão, que existia entre ambas candidaturas, se manteve no âmbito interno, o que é até normal, estava tudo bem. A partir do momento que essa tensão ganhou as redes sociais e se tornou pública aí começou a complicar porque é provável que tenha havido uma fuga do segundo voto de ambos para adversários, então, o eleitor de Jorge Viana que tinha ele como primeiro voto e esse segundo voto que poderia ser dado no Ney migrou para uma das outras candidaturas. Da mesma forma o eleitor do Ney que tinha o Ney como primeiro voto esse segundo voto do Ney pode ter migrado uma boa parte para as candidaturas opostas. Apesar de que, pelo que eu observei, nos boletins de urna que existe uma espécie de simetria, de paridade, o que comprova, na minha opinião, que mesmo havendo isso, a maioria dos votos foram casados: Jorge e Ney. Na verdade pode ser sim que isso tenha atrapalhado, mas não a ponto também de importar a derrota pra uns. Acho que tem outros fatores aí também que contribuíram pra isso.


Eu sou contrário a qualquer regime de exceção, qualquer regime ditatorial, seja de Esquerda ou de Direita


 

Daniel Zen teve quatro anos incansáveis na Aleac como líder do governo. Agora surgi o desafio de ser um dos líderes da oposição. Como o senhor vai pautar o debate na Aleac?

Durante a campanha apresentamos uma série de propostas, desde a Educação passando pela Cultura, pelo Esporte, pelo Lazer. Projetos que boa parte deles vão depender do governo, que são projetos que passam pela Assembleia do ponto de vista de legislação, mas que vão depender do governo para que eles sejam implementados. Mas vamos procurar estabelecer esse diálogo com o governo para que aquilo que seja em benefício da população a gente consiga avançar. Na Educação eu me comprometi com as equipes das escolas que a gente trabalharia uma nova proposta de escalonamento das tabelas remuneratórias dos membros das equipes gestoras das escolas. Hoje existe uma distorção, mesmo a gente tendo trabalhado a nova lei de gestão democrática das escolas públicas, mas existem ali alguns problemas que passaram batidos na reformulação da lei. Isso me foi solicitado em várias reuniões que eu fiz com as equipes de diversas escolas e eu me comprometi que ia trabalhar nisso, agora isso é uma matéria que é de exclusividade do Poder Executivo, o que eu posso fazer nesse caso é apresentar um anteprojeto de lei para que seja enviado à Aleac em forma de projeto para aprovarmos.

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Além desse trabalho que será feito na Educação, há trabalhos em andamento. Como ficou aquela questão da atualização da Constituição Estadual?

A reformulação da Constituição ela avançou bastante, mas tivemos que interromper o processo por conta do calendário eleitoral para que não tivesse nenhuma espécie de contaminação ou confusão. Quando falamos de Constituição tem que ser algo muito cuidadoso, nenhuma mudança brusca, nenhuma retirada de direitos, apenas o aperfeiçoamento mesmo de mecanismos e acho que ela deve continuar sim para concluir e deixar de presente uma Constituição moderna. Mas é bom que se diga: ninguém vai mexer em cláusulas pétreas, ninguém vai mexer em direitos e garantias fundamentais, os servidores públicos podem ficar tranquilos que não vai haver nenhuma supressão de direitos.

Eu vi nessa campanha as tais das Fake News. Candidatos adversários nossos que achavam que poderiam ganhar nos prejudicando divulgaram Fake News dizendo que eu trabalhava nessa reforma da Constituição para tirar a Sexta Parte e a Licença Prêmio dos servidores, de forma alguma, até porque eu sou servidor público e não quero ser tolhido e nem ser privado desses direitos e de nenhum outro, então, é bom que a gente reforce isso. O meu desejo é que esse processo de revisão continue até o final, mas sem nenhuma supressão de direitos, sem nenhuma alteração nas garantias fundamentais, que fique claro isso.

Falando a respeito das eleições para presidente. O senhor disse que qualquer nome seria melhor que Jair Bolsonaro. Por que essa afirmação e se o senhor acredita que o Brasil volta a se reencontrar com a democracia, como o senhor sempre frisou?

Eu vejo que quando as pessoas querem nos criticar, aqueles que trabalham politicamente no campo progressista de Esquerda, eles falam: ‘e a Venezuela, e Cuba, e a Coréia’. E eu digo: olha, sinceramente, isso não são referências para mim e nem para a grande maioria absoluta das pessoas de Esquerda no nosso País, até porque eu sou contrário a qualquer regime de exceção, qualquer regime ditatorial, seja de Esquerda ou de Direita. Não podemos esquecer que a Venezuela que eles colocam que fosse algo que nós defendêssemos que o Chavez, antecessor do Maduro, quando ele chegou ao poder ele era um militar que foi eleito pelo voto popular e depois quando se viu contrariado nos seus interesses, ele deu um autogolpe e não quis mais largar o poder e é o que pode acontecer com o Bolsonaro, exatamente isso: um ex-militar que pode ser eleito pelo voto, mas que fala publicamente, sem nenhum receio, que é a favor da Ditadura, que é a favor da tortura, faz apologia a torturadores, que diz que o único resultado que ele aceita é a vitória dele, porque se ele perder ele vai suscitar fraudes nas urnas, uma postura que contradiz a democracia. Ele diz uma série de impropérios contra negros, índios, contra mulheres, contra pobres, contra a população LGBT. Uma pessoa que não respeita o diferente nem as diferenças, e uma pessoa assim, ela é na essência e na definição um fascista e com fascismo, como Luiz Fernando Veríssimo já disse e eu já disse também e reproduzi isso nas redes sociais: com o fascismo a gente não dialoga, se combate. Não há tolerância da minha parte com o fascismo, logo: não há tolerância da minha parte com candidato fascista.

Suas Considerações finais…

Agradecer ao povo do Acre pelo apoio, pela fiscalização do nosso mandato. O sentimento pelo povo é de gratidão. Gratidão a todos àqueles que trabalharam conosco, marcharam conosco. Peço às pessoas que acompanhem os nossos trabalhos. E muito comum ouvir que o político só vai de 4 em 4 anos, mas quando a gente vai fazer uma reunião que não é no período eleitoral, as pessoas nem querem ir. O que peço as pessoas é: acompanhe o seu deputado.