Perpétua e Edvaldo agradecem votos e reafirmam compromissos de campanha

Em entrevista exclusiva ao OPINIÃO na terça-feira, 9, os deputados eleitos no pleito do último domingo Edvaldo Magalhães (estadual) e Perpétua Almeida (federal), ambos do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), agradeceram os votos obtidos e falaram sobre os desafios para os próximos quatro anos.

Indagado sobre o crescimento da sigla no Acre, ao tempo que os outros partidos de esquerda perderam muito espaço, Edvaldo Magalhães disse que é cedo para fazer uma avaliação do que aconteceu.

“A gente vai precisar deixar a poeira baixar para poder enxergar melhor e da forma mais adequada o conjunto do resultado, no calor dos resultados, uma avaliação mais apressada pode não ser a avaliação mais precisa. Mas, estamos relembrando muito os resultados que o partido obteve”, disse.

Magalhães lembra que após a eleição de 2014, momento em que PCdoB perdeu espaço no cenário político do Estado, o partido estabeleceu uma meta a ser cumprida em 2018 de conseguir uma cadeira na Câmara Federal e também voltar à bancada na Assembleia Legislativa.

“Isso exigiu um conjunto de medidas e construção políticas, de buscar internamente uma construção unitária para que a gente pudéssemos todos gastar energia com esse projeto, penso que a nossa vitória é a vitória de um coletivo partidário que estabeleceu um propósito e foi coerente com esse propósito”, afirmou.

Edvaldo afirmou que o crescimento do partido no Acre é motivo de celebração, mas não de vaidade. “Mesmo em meio ao um turbilhão, veio um tsunami e nos sobrevivemos a ele, é não apenas sobrevivemos, nós crescemos em meio a uma tempestade, isso é motivo de muita celebração, mas de nenhuma vaidade. Nós, precisamos analisar os resultados da eleição com muita humildade e pé no chão”, diz o parlamentar comunista.

Perguntado sobre a meta de atuação na Assembléia Legislativa do Acre (Aleac) Edvaldo disse que vai cumprir a decisão do eleitor. “Nós vamos cumprir o que o eleitor decidiu, que devemos estar na bancada de oposição ao projeto que foi vencedor, a gente tem que respeitar muito a decisão das pessoas, e não vamos ser nenhum tipo de louco no debate político, a política exige um posicionamento conforme o desenvolvimento dos acontecimentos”, pondera.

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Penso que o que me fez voltar à
política numa disputa interna tão
difícil, foi exatamente porque eu
falei o que as pessoas gostariam
que eu fizesse, sempre trabalhei
olhando muito no olho das pessoas


 

Perpétua Almeida, deputada federal eleita pelo PCdoB

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“Voltar ao parlamento em uma conjuntura tão adversa não foi fácil”

Eleita com 18.374 votos a deputada federal Perpétua Almeida ocupou a sexta posição das oitos vagas para a Câmara Federal representando 4,3% do eleitorado. A parlamentar reconquistou a vaga no parlamento depois de ficar quatro anos afastada, após perder a eleição de 2014, em que concorria ao Senado. Ao OPINIÃO, ela falou dos desafios de voltar à política neste momento de instabilidade social.

“Voltar ao parlamento em uma conjuntura tão adversa não foi fácil, penso que o que me fez voltar à política numa disputa interna tão difícil, foi exatamente porque eu falei o que as pessoas gostariam que eu fizesse, sempre trabalhei olhando muito no olho das pessoas, fiz uma campanha lembrando para as pessoas como eu me comportei quando estava na política, é lembrando o que quero fazer”, destacou.

Uma das bandeiras de campanha da deputada federal eleita pelo PCdoB foi a anistia da dívida do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). Sobre o assunto, Perpétua disse que pretende debater a situação desses estudantes.

“Quero debater com o parlamento, com o novo governo a situação da dívida da juventude brasileira que cursou a faculdade pelo Fies, eu acompanhei por muitos anos o Brasil perdoar dívida de banqueiro por conta das crises financeiras, perdoar dívida do pessoal do cacau da Bahia, do pessoal da cana-de-açúcar do Nordeste”, lembra.

Ainda segundo a deputada, quando os estudantes adquiriram o financiamento o país vivia um outro momento econômico. “Aquele país que o jovem assinou o contrato não existe mais, é esse debate eu quero fazer com o parlamento e com o país, e quero ir mais longe, quero defender a continuidade do Fies com outras formas de pagamento. Por que não debater que um percentual seja em dinheiro e outro em serviço prestado?”, indaga.

Perpétua afirmou que também pretende fomentar o debate sobre Segurança Pública. “Falei para as pessoas como eu quero ajudar na segurança pública, como eu quero ajudar para que as pessoas possam se sentir mais seguras dentro da sua própria casa, quero debater como esse país tem leis frouxas para quem comete crimes contra a vida, mas eu quero debater também que os presídios brasileiros não recuperam ninguém” enfatizou.

Sobre a representatividade feminina na Câmara Federal Perpétua disse: “Metade da população que são as mulheres estão desassistida pela política, seja saúde, porque a mulher quando tem creche ela consegue deixar o filho e ir em busca de trabalho, eu sempre tive essa preocupação, as mulheres precisam ser visita pela política, por isso que é importante ter mulheres nos espaços de decisão da política”.

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Deputados defendem a reforma da Frente Popular

Para o deputado Edvaldo Magalhães as eleições de 2018 encerram um ciclo. “Nós do PCdoB fomos fundadores da Frente Popular e essas eleições de 2018 marcam um encerramento de um ciclo. Elas encerram um ciclo da Frente Popular e com muitas questões a ser pensadas e avaliadas, pensadas, e refletidas. Não podemos nos comportar como engenheiros de obras prontas, que passada as eleições e começa botar defeito em tudo”, disse.

Magalhães lembrou ainda a trajetória vitoriosa da coligação. “Nenhuma força política no estado do Acre conseguiu governar por tanto tempo seguidamente”.

Edvaldo Magalhães foi enfático: “A Frente Popular vai precisar ser refundada, ela vai precisar de repactuação política e programática, essas são duas questões que a gente já vem discutindo a mais de oito anos internamente, e agora ganha urgência. Para enfrentar um novo ciclo é preciso ter nova atitude, é preciso uma nova construção política e também ter nova construção programática” conclui.

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