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quarta-feira, 24 de junho de 2026
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“Você não pode se eleger com uma posição e quando eleito mudar isso” , diz Jenilson

“Você não pode se eleger com uma posição e quando eleito mudar isso” , diz Jenilson

O deputado estadual Jenilson Leite (PCdoB) reeleito com 8.253 votos concedeu entrevista exclusiva ao jornal OPINIÃO no início da semana. O parlamentar comentou as realizações do seu mandato e as perspectivas paras os próximos 4 anos.

Jenilson destacou, também, o cenário dentro da Frente Popular do Acre (FPA), o crescimento do seu partido, o PCdoB, o trabalho nas comissões da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) entre outros assuntos como a corrida presidencial.

Deputado, o senhor teve 8.253 votos nesta eleição. Qual o ingrediente para alcançar esse número tornando-o deputado mais votado da Frente Popular neste pleito?

Nós nos apegamos a três pilares: foi um mandato de trabalho, visitamos não só as cidades, mas a zona rural do nosso Estado; humildade, para poder ouvir e dialogar. Você que tem um mandato de deputado estadual, você não está acima de ninguém, é preciso, independente do cargo que você ocupa, ouvir as pessoas. Conviver com as pessoas, estar no meio das pessoas para modular seu modo de agir.

É preciso ter humildade para estas questões e coerência. Você não pode se eleger vendendo uma imagem e depois de eleito, você fazer totalmente ao contrário da imagem que você pregou. Você não pode se eleger com um posicionamento e quando está com um mandato em mãos mudar seu posicionamento. O nosso mandato foi um mandato coerente com as suas bases. Eu fui eleito majoritariamente na primeira eleição com os votos de uma base minha que foi Tarauacá e Jordão e eu andei muito nesses municípios, apesar de ter expandido as nossas andanças em outros lugares. Eu fui eleito com uma categoria, ou pelo menos não pela categoria, digamos assim majoritariamente, mas representando uma categoria que foi a Saúde.

Em nenhum momento nós deixamos de cumprir as nossas obrigações ou deixamos de ouvir essa categoria em detrimento de qualquer outra coisa. Então, você viu o nosso posicionamento, momentos em que votamos até contra o governo para ouvir a categoria. Não pestanejamos, não tivemos nenhum tipo de dificuldade para fazer isso. Isso é coerência. Esses três elementos nos fizeram o deputado estadual mais votado dentro da Frente Popular. Esses três elementos nos ajudaram e ajudaram aos nossos colaboradores a pedir votos. Esses votos não são votos meus, são da coletividade.


“E nesse segundo mandato terei lado no meu campo e vou bater palmas quando acertar e vou relembrar o governo dos seus compromissos quando ele errar. Essa vai ser a nossa forma de trabalhar ali na Assembleia Legislativa”


O PCdoB cresceu com relação à eleição de 2014. Conseguiu fazer dois estaduais, um federal e tem a possibilidade de fazer ainda uma vice-presidente da República, que é a Manoela D’Ávila. Como explicar esse crescimento e o que o PCdoB fez que os outros partidos de esquerda como o PT deixou de fazer?

Se fôssemos usar uma figura de linguagem diríamos que fizemos do limão uma limonada. A gente soube, a partir do perfil de cada um, fazer a nossa parte nesse momento. O partido também soube conduzir um pouquinho isso. Tivemos as nossas divergências com relação qual era a estratégia que deveríamos adotar, mas felizmente tivemos essa opção de estar junto nessa chapa com o PT. O nosso trabalho fez o diferencial. Voltamos! Estamos grandes. Somos hoje o maior partido da Frente Popular do Acre, do ponto de vista de mandatos parlamentares. A gente cresceu na uma eleição, mas isso também nos dar muitas responsabilidades. Temos que receber isso com humildade, saber fazer a leitura da responsabilidade que estamos assumindo e saber se movimentar dentro desse nosso campo com o objetivo de reaglutinar as nossas forças e trazer para perto as pessoas que pensam em um Acre melhor, que pensam numa vida melhor para todos e olhar para o futuro.

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Quais os seus planos para este novo mandato na Assembleia Legislativa do Acre?

Vamos continuar trabalhando. Quando você dobra uma votação em quatro anos, isso significa que a sua estratégia estava correta. A população aprovou tudo o que nós já fizemos. Vamos continuar trabalhando. Nesse momento vamos estar na condição de oposição e isso não nos transformará em nenhum kamikaze, não nos transformará em nenhum opositor por fazer oposição. Me comportarei igual me comportei no primeiro governo do Tião Viana, tendo lado, sempre tive lado. E nesse segundo mandato terei lado no meu campo e vou bater palmas quando acertar e vou relembrar o governo dos seus compromissos quando ele errar. Essa vai ser a nossa forma de trabalhar ali na Assembleia Legislativa.

O senhor acredita que a população assimilou o trabalho feito no primeiro mandato? Isso foi compreendido pelo eleitor?

A população reconheceu que, mesmo sendo base, nós não éramos subservientes. O que a população não gosta nos políticos é político que não tem pensamento próprio, que não tem posicionamento, que é marionete. A população não gosta disso. Quando você vota no seu candidato você acredita que ele é um líder, porque acredita que ele vai lhe representar e representar o seu interesse e não representar o interesse de governos ou de outras pessoas.


“O Haddad precisa de um projeto firme, duro, sem fechar as portas das expectativas e perspectivas das pessoas poderem crescer através do estudo, do trabalho e da cultura”


 

O que lhe marcou enquanto presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Aleac?

Nós fomos presidente da CCJ no momento em que a Aleac apresentou a maior produtividade de todos os tempos. Nós tivemos uma produtividade em relação a projetos, a audiências, em relação a ações dentro do parlamento e fora do parlamento, mais elevada de todos os tempos. E também isso nos deu a oportunidade de dialogar com todos os poderes, de dialogar fraternamente com todas as categorias que ia naquela Casa levar a sua pauta, sempre mediei e sempre fomos o presidente da Comissão de Constituição e Justiça que ouviu as pessoas. Em nenhum momento eu barganhei nada para votar projetos, porque tem gente que faz isso. O meu trabalho lá foi ajudar quem precisava de ajuda. As pessoas viram o nosso trabalho e isso ampliou as nossas relações.

Como senhor avalia esse cenário político nacional entre Haddad e Bolsonaro?

Vemos um cenário difícil no meu campo. O Haddad, apesar do seu esforço, está tendo dificuldade de avançar, sobretudo, porque há um antipetismo exacerbado no País, a votação no Acre foi uma demonstração disso. O antipetismo foi propagandeado e foi criada uma cultura antipetismo no Brasil e não foi por acaso, foi em função dos erros do PT também. O Haddad já tem um ponto negativo com relação a isso, mas ele precisa dialogar mais claramente com os problemas com que a população estar com ele na ordem do dia, se eu pudesse citar um, citaria a segurança pública. O Haddad tinha que fazer um programa de televisão agora para dizer claramente o que ele precisa fazer, o que ele irá fazer como presidente, que seja impactante de maneira tal que o eleitor possa confiar nesse projeto dele como algo que poderá pacificar um pouco, dar mais paz para as famílias brasileiras. Ninguém aguenta mais. Tem gente no Brasil achando que o crime compensa. E penso que o Haddad poderia dialogar mais essa pauta. Não precisa ser um diálogo como o Bolsonaro está fazendo de dar armas para as pessoas, de matar bandido. Mas tampouco pode ser a antítese, o contrário a isso. O eleitor está precisando de um posicionamento firme para tratar a segurança pública. O Haddad precisa de um projeto firme, duro, sem fechar as portas das expectativas e perspectivas das pessoas poderem crescer através do estudo, do trabalho e da cultura.