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quarta-feira, 12 de agosto de 2026
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Queimadas na Amazônia aumentaram 28% em julho, diz INPE

Mesmo após uma série de pressões de investidores nacionais e internacionais por ações para a preservação da Amazônia, o mês de julho fechou com alta de 28% no total de focos de incêndio na floresta, na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados neste sábado (1) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É o pior resultado desde 2017. Por outro lado, no acumulado do ano, entre janeiro e julho, o total de queimadas neste bioma teve queda de 7,6%. A floresta amazônica teve 6.803 focos de incêndio, contra 5.318 focos registrados em julho de 2019. O recorde para o mês, de 2017, foi de 7.986 queimadas detectada pelo instituto. O mês anterior já havia sido o pior junho dos últimos 13 anos, de acordo com os números do instituto.

Só os dias 30 e 31 de julho foram responsáveis por cerca de 1.500 focos, o que contribuiu para a alta do mês. Para a geógrafa Ane Alencar, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), a redução das queimadas no acumulado do ano está mais relacionada a uma conjunto de queimadas atípicas registradas em Roraima no ano passado do que uma redução no comportamento dos incêndios deste ano. “Os dados [atuais] são enviesados por causa de uma anomalia atípica dos focos de incêndio em Rondônia em março e abril do ano passado. Eles acabam mascarando o aumento do fogo neste ano”, disse. A anomalia citada pela pesquisadora pode ser observada nas tabelas sobre queimadas do site do Inpe. Em Roraima, no ano passado, foram detectados 2.433 focos de incêndio, mais do que o dobro do recorde anterior, de 2016, que era de 1.195 focos.

Sobre o mês de julho, Alencar afirma que os focos de incêndio atuais ainda são um saldo do aumento do desmatamento ocorrido em 2019, o maior da história. Segundo ela, as pessoas que investiram no desmatamento ainda precisam queimar as áreas desmatadas, o que ainda deve resultar em mais queimadas. “É caro desmatar. Cada 100 hectares custa cerca de R$ 100 mil. Se não houver a queimada, significa perda econômica para os que investiram nos desmatamento”, diz a pesquisadora, ao afirmar que a queimada é a forma mais prática de limpeza de um terreno desmatado.