Primeira piracema do mandim em 2025 acontece em meio a frente fria e atrai dezenas de pescadores à confluência dos rios Acre e Purus
A primeira piracema do mandim em 2025 chegou terça-feira (1º de julho), em Boca do Acre e veio acompanhada por uma surpresa dupla: o surubim também está subindo o rio, numa das cenas mais impressionantes da fauna aquática amazônica. O fenômeno ocorre justamente na confluência dos rios Acre e Purus, ponto de encontro tradicional de dezenas de pescadores, que se aglomeram em canoas para aproveitar o espetáculo da natureza e a fartura do pescado.
Além da beleza natural, o evento tem acontecido sob uma condição atípica: uma forte frente fria que derrubou a sensação térmica para 11°C na região — marca considerada extremamente baixa para os padrões do Sul do Amazonas. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), trata-se de uma das frentes frias mais intensas do ano até agora.
A piracema — do tupi pirá (peixe) e sema (saída) — é o nome dado à migração dos peixes rio acima, geralmente para reprodução. No caso do mandim, essa movimentação ocorre com mais frequência nos meses em que as águas começam a se aquecer e os rios apresentam níveis mais baixos, após as grandes cheias do primeiro semestre. No entanto, fatores como variação na temperatura da água, oxigenação e pressão atmosférica podem antecipar ou coincidir a piracema com fenômenos climáticos, como a frente fria atual.
De acordo com biólogos da região, essa combinação entre a descida da frente fria e o estágio intermediário do nível das águas favorece a concentração de cardumes nas áreas rasas e confluentes, facilitando sua visualização e captura.
Culinária
O mandim é um peixe de couro, com carne branca, macia e de sabor leve, altamente valorizado na culinária regional. É a estrela de pratos como o caldo de mandim, a caldeirada e até a moqueca adaptada ao estilo amazônico. Além disso, é um dos pescados mais acessíveis e consumidos pelas populações ribeirinhas, o que lhe confere não só valor gastronômico, mas também econômico e cultural.
O ponto mais movimentado é a boca dos rios, como chamam os moradores locais à confluência entre o Purus e o Acre. É ali que se concentram dezenas de embarcações pequenas, armadas com malhadeiras de diversos tamanhos, numa verdadeira operação de pesca artesanal.


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