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segunda-feira, 13 de julho de 2026
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Lula critica proposta de Trump para taxar cargas no Estreito de Ormuz e chama medida de “pirataria”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta segunda-feira (13), a proposta apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de cobrar uma taxa sobre cargas transportadas por navios que cruzarem o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o escoamento de petróleo no mundo.

Durante agenda no Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo, Lula afirmou que a cobrança representa uma tentativa de obter ganhos financeiros em meio a um cenário de conflito internacional e comparou a iniciativa a práticas de pirataria.

Lula critica cobrança sobre navios

Ao comentar a proposta anunciada por Trump, o presidente brasileiro afirmou que considera inadequado transformar a segurança de uma rota marítima internacional em fonte de arrecadação.

“Hoje tem uma publicação de Trump dizendo que vai garantir a segurança do Estreito de Ormuz, mas que os navios terão de pagar uma taxa. Antigamente isso era chamado de pirataria“, declarou.

Lula também afirmou que grandes potências sempre atuaram no combate à pirataria marítima e defendeu que não cabe transformar essa atuação em cobrança financeira.

“Não é normal ganhar dinheiro em cima de uma tragédia ou de uma guerra. Quem garante a segurança não deve transformar isso em negócio”, acrescentou.

Presidente brasileiro cita impactos do conflito

Durante o discurso, Lula afirmou que o aumento das tensões no Oriente Médio já provoca reflexos econômicos em diversos países e avaliou que medidas capazes de elevar ainda mais os custos do transporte internacional podem ampliar os efeitos sobre a economia mundial.

O presidente também aproveitou a agenda para defender a expansão da produção brasileira de biodiesel, destacando que o país pretende ampliar sua participação no mercado internacional de combustíveis renováveis.

Segundo Lula, o Brasil continuará comercializando o produto sem criar cobranças adicionais aos compradores internacionais, defendendo apenas a prática de preços compatíveis com o mercado.

O que propôs Donald Trump

Mais cedo, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos pretendem assumir a proteção do Estreito de Ormuz, considerado estratégico para o comércio global de petróleo.

Segundo o presidente norte-americano, os países que utilizam a rota marítima deveriam contribuir financeiramente para custear a operação de segurança conduzida pelos Estados Unidos.

Trump declarou que a proposta prevê uma cobrança equivalente a 20% sobre o valor das cargas transportadas, argumentando que a medida serviria para compensar os custos da proteção da região.

O republicano também afirmou que os Estados Unidos pretendem atuar como “guardiões” do estreito, garantindo a livre navegação das embarcações comerciais.

Por que o Estreito de Ormuz é estratégico?

Localizado entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e concentra uma das maiores movimentações de petróleo e gás natural do planeta.

Diariamente, milhões de barris de petróleo passam pela região, tornando qualquer ameaça à navegação um fator de preocupação para o mercado internacional e para os preços dos combustíveis.

Nos últimos meses, o local voltou ao centro das atenções após o aumento das tensões militares envolvendo Estados Unidos e Irã, elevando o temor de novos confrontos e possíveis impactos sobre o abastecimento mundial de energia.