AGOSTINHO ALVES
Um novo levantamento divulgado pelo IBGE revelou o mapa religioso dos municípios brasileiros, e em Boca do Acre, no interior do Amazonas, os números revelam uma importante virada histórica: os evangélicos agora são o maior grupo religioso da cidade, superando a tradicional hegemonia católica.
Segundo os dados, 44,44% da população bocacrense se declara evangélica, enquanto 41,56% ainda se identificam como católicos apostólicos romanos. A diferença é pequena, mas simboliza uma transformação que já vinha sendo sentida nas últimas décadas, com o avanço de diversas denominações evangélicas, especialmente as pentecostais e neopentecostais.
Outros dados chamam a atenção no levantamento: quase 10% da população (9,87%) afirma não ter religião, o que indica um aumento da parcela de pessoas sem filiação religiosa — um fenômeno que também tem crescido em outras regiões do país. As religiões espíritas representam 0,16%, enquanto a Umbanda e o Candomblé aparecem com 0,05%, revelando uma presença muito discreta das religiões de matriz africana no município.
Em um território marcado por comunidades indígenas, apenas 0,19% dos moradores declararam seguir tradições religiosas indígenas. Já as “outras religiosidades” somam 3,6%, o que pode incluir religiões orientais, esotéricas ou práticas espiritualistas não classificadas nas categorias principais.
Vale destacar que os que não souberam responder somam 0%, e os que preferiram não declarar sua religião são apenas 0,13%, o que mostra que a maioria da população tem clareza sobre sua identidade religiosa.
Uma mudança que reflete novos tempos
Essa mudança no cenário religioso de Boca do Acre acompanha uma tendência nacional, onde o crescimento das igrejas evangélicas, impulsionado por estratégias de evangelização de base e forte presença em comunidades periféricas, vem ocupando cada vez mais espaço. Ao mesmo tempo, a Igreja Católica, embora ainda muito presente, tem enfrentado dificuldades em manter sua influência no mesmo ritmo de décadas passadas.
O mapa religioso divulgado pelo IBGE não apenas fornece dados estatísticos, mas também lança luz sobre as transformações culturais, sociais e espirituais pelas quais passam cidades como Boca do Acre. Em tempos de intensas mudanças sociais, a fé continua sendo um elemento central da identidade da população — mas com novas roupagens, novas lideranças e novos caminhos.



?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>