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domingo, 5 de julho de 2026
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Boca do Acre pode se tornar destino turístico arqueológico: novas imagens revelam marcas de civilizações antigas

Com apoio de tecnologias de ponta e expedições aéreas, Instituto Geoglifos da Amazônia apresenta registros nunca antes vistos de estruturas milenares localizados no município de Boca do Acre, descobertas entre 4 e 10 de maio.

`Por Sabrina Rocha, g1 AM`

Imagens inéditas de geoglifos – estruturas geométricas monumentais escavadas no solo – localizadas no município de Boca do Acre, foram reveladas nesta semana pelo Instituto Geoglifos da Amazônia, em Manaus. Identificadas com o auxílio de tecnologia de ponta e registradas por uma equipe de pesquisadores e fotógrafos brasileiros, as imagens mostram vestígios de estruturas utilizadas por antigas civilizações da Amazônia.

Contexto: Os geoglifos são estruturas geométricas escavadas na terra, em formato de quadrados, retângulos ou círculos, e que podem ser datados em até três mil anos. O Acre já tem o primeiro geoglifo oficialmente tombado pelo Iphan.

As descobertas foram feitas entre 4 e 10 de maio deste ano e fazem parte do projeto ‘Desvelando o passado profundo’, conduzido pelo Instituto Geoglifos da Amazônia. Ao todo, foram identificados 124 pontos no Amazonas com possível presença de geoglifos.

“As datações que nós temos na região giram em torno de mil anos antes de Cristo até mil anos depois de Cristo, ou seja, durante dois mil anos esse povo viveu na região à margem direita do Rio Purus e à margem esquerda do Rio Madeira”, afirmou o presidente do Instituto Geoglifos da Amazônia, Alceu Ranzi.

O principal achado na região é um geoglifo com cerca de mil metros de extensão. As formas registradas — círculos, quadrados e retângulos escavados no solo — revelam traços de civilizações com domínio técnico de geometria.

“Os geoglifos são estruturas gigantescas escavadas no solo, com aproximadamente cinco metros de largura por até seis metros de profundidade, dependendo do geoglifo, formando desenhos geométricos monumentais que contam a história de uma civilização antiga, que estamos tentando identificar”, explicou o diretor executivo do Instituto, Hudson Ferreira.

Educação, turismo e preservação
A divulgação das imagens inéditas não marca o fim da pesquisa, mas o início de uma nova fase, de acordo com o Instituto. A equipe já planeja atividades de educação patrimonial e expedições arqueológicas de escavação. As escolas de Boca do Acre e região serão incluídas no projeto.

Boca do Acre: destaque nacional e internacional
“Elaborar um projeto para esse trabalho de campo, com foco em educação patrimonial: levar essas informações às escolas de Boca do Acre e região, aproximando professores e alunos do conhecimento sobre os geoglifos”, afirmou Alceu Ranzi.

As descobertas também podem transformar Boca do Acre em referência arqueológica nacional e até mesmo internacional. A equipe sonha com o reconhecimento dos geoglifos como Patrimônio Mundial da Humanidade, e defende que eles sejam incluídos nos materiais didáticos.