
Os municípios de Boca do Acre e Lábrea foram culpados por quase a metade do desmatamento que ocorreu no estado do Amazonas. Os dois municípios destruíram juntos, 185 km² da floresta amazônica, o que equivale a 45% dos 412 km² de floresta derrubados só por ações dentro do estado.
A maior concentração do desmate está no Projeto de Assentamento Monte, que fica dividido entre Boca do Acre em Lábrea, mas a maior porção está em território labrense. No entanto, como a maioria absoluta de produtores rurais tem ligação direta com Boca do Acre, na prática quem desmata são os bocacrenses, mas quem leva a culpa é Lábrea.
Desmatamento da Amazônia
O desmatamento atingiu 1.606 km² da Amazônia em agosto, uma área equivalente a cinco vezes o tamanho do município de Belo Horizonte (MG) e o maior índice para o mês em dez anos. Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
O levantamento aponta que a área de floresta destruída em agosto deste ano é 7% superior ao índice registrado no mesmo mês no ano passado. Além disso, o desmatamento acumulado desde janeiro também é o pior da década, de 7.715 km², 48% maior do que no mesmo período de 2020.
O estado do Amazonas segue pelo quarto mês consecutivo como o segundo que mais desmata no bioma, atrás apenas do Pará. Foram 412 km² de floresta destruída em agosto, 26% do total.
A maioria do desmatamento na Amazônia em agosto (62%) ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse. O resto do desmate foi registrado em assentamentos (26%), unidades de conservação (9%) e terras indígenas (3%).
‘Ações mais efetivas’
Antônio Fonseca, pesquisador do Imazon, afirma que para evitar que o ano feche com a maior área desmatada da década é preciso “urgentemente” adotar ações mais efetivas, “como aumentar o embargo de terras já desmatadas ilegalmente e intensificar operações de fiscalização, com a devida punição dos desmatadores”.


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