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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Prêmio de R$ 29 milhões da Mega-Sena vira disputa entre ex-funcionária e dono de lotérica

Um prêmio de R$ 29 milhões da Mega-Sena está no centro de uma disputa judicial que envolve uma ex-funcionária de uma casa lotérica e o antigo proprietário do estabelecimento, em Sinop (MT). O valor permanece bloqueado por determinação da Justiça enquanto o caso segue em tramitação.

De um lado, o empresário Amélio Lenke sustenta que é o legítimo proprietário do bilhete premiado. Do outro, a ex-operadora de caixa Clarice Simon, que responde a uma ação penal por furto qualificado ao lado do marido, afirma ter adquirido legalmente a aposta vencedora.

Bilhete danificado deu origem à disputa

O caso teve início em agosto de 2023, quando uma falha na impressora da lotérica gerou um bilhete com defeito durante o atendimento a uma cliente. Conforme o procedimento adotado, uma nova aposta idêntica foi emitida e entregue à apostadora.

O concurso da Mega-Sena teve quatro apostas vencedoras, sendo duas registradas na mesma lotérica. Uma delas correspondia justamente ao bilhete danificado, que havia sido guardado no estabelecimento.

Imagens do circuito interno registraram o momento em que o comprovante foi armazenado em um cofre desativado utilizado pelos funcionários.

Ex-funcionária tentou sacar o prêmio

Na segunda-feira seguinte ao sorteio, Clarice e uma colega conferiram os números do bilhete e constataram que ele havia sido premiado. Em seguida, ela e o marido, Cladecir Picoli, procuraram uma agência da Caixa Econômica Federal para solicitar o resgate do prêmio, informando que a aposta pertencia ao casal.

A tentativa de saque levantou suspeitas devido às condições do bilhete, levando a Caixa a iniciar uma verificação interna. O proprietário da lotérica registrou boletim de ocorrência, e a Justiça determinou o bloqueio dos recursos em novembro de 2023.

Em setembro de 2025, Clarice e o marido passaram a responder como réus por furto qualificado.

Versões são divergentes

A defesa da ex-funcionária sustenta que ela pagou pelo bilhete danificado, alegando que esse procedimento era adotado sempre que uma aposta apresentava problemas de impressão. Uma ex-colega de trabalho também afirmou que o valor da aposta foi quitado pela funcionária.

Já a defesa do proprietário argumenta que as normas operacionais não permitem que funcionários se apropriem de bilhetes com defeito, independentemente do pagamento realizado.

A Caixa Econômica Federal informou apenas que cumpre as determinações judiciais e não comenta processos em andamento.

Ministério Público aponta terceira possibilidade

Além da denúncia criminal contra o casal, o Ministério Público de Mato Grosso apresentou entendimento de que o prêmio não pertence, formalmente, nem à ex-funcionária nem ao dono da lotérica.

Se essa tese for acolhida pela Justiça, existe a possibilidade de que os R$ 29 milhões retornem aos cofres da Caixa Econômica Federal.

As audiências de instrução e julgamento estão previstas para começar em fevereiro de 2027, quando o Judiciário deverá analisar as provas e decidir quem tem direito ao prêmio milionário.