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Covid-19: novas medidas adotadas desagradam a população, mas governo reforça que são necessárias

MARCELA JANSEN

No dia 17 de fevereiro completa onze meses que o Governo do Acre decretava situação de emergência devido à pandemia do novo coronavírus. No mesmo dia (17/03/20) o governador Gladson Cameli confirmava os três primeiros casos da doença no Estado.

A necessidade do isolamento social para evitar o contágio da Covid-19 no Estado suspendeu atividades em geral. Aulas foram suspensas, o comércio foi fechado e o sistema público e privado passaram a trabalhar no sistema home office. O uso de máscaras e álcool gel tornaram-se indispensáveis também.

Passado todo esse tempo o Acre contabiliza mais de 48 mil pessoas infectadas com a Covid-19 e mais de 860 mortes. Mais de 136 mil notificações pela doença foram registradas, sendo que mais de 87 mil casos já foram descartados. Quase 44 mil já receberam alta.

Em todo o país o número de infectados já ultrapassam nove milhões de pessoas. Além do Brasil, só os Estados Unidos e a Índia atingiram esse número.

Foram necessários 114 dias desde o primeiro caso, em fevereiro, até que o país registrasse um milhão de pacientes, no dia 19 de junho. Menos de um mês depois, em 16 de julho, o número de infectados já chegava a dois milhões. A marca dos três milhões foi alcançada 25 dias mais tarde, em nove de agosto. Também 25 dias depois, em três de setembro, o coronavírus já havia atingido quatro milhões de pessoas.

O patamar de cinco milhões ocorreu 34 dias após a marca anterior.  Entre sete de outubro e 20 de novembro, o Brasil saltou de cinco para seis milhões de casos, ou seja, em um período de 44 dias. Para sair de seis milhões e atingir a marca de sete milhões, foram 26 dias.

O total de vidas perdidas para a Covid-19 no Brasil já ultrapassou 225 mil pessoas. A média móvel de mortes no Brasil nos últimos sete dias foi de 1.062. Já são doze dias com essa média acima da marca de um mil. A variação foi de +10% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de estabilidade nos óbitos pela doença.

Novas medidas no Acre

Com o aumento dos casos do novo coronavírus em todo o Acre, o governo do Estado, orientado pelo Comitê de Acompanhamento Especial da Covid-19, decidiu regredir para a Bandeira Vermelha (Decreto Nº 7.849). Com isso, o governador Gladson Cameli decidiu adotar medidas mais severas para conter o avanço da doença. Restrições quanto ao funcionamento de serviços considerados não essenciais já estão valendo desde a terça-feira, 2. Além disso, mantem-se as restrições quanto aglomerações das 22h às 5 horas.

Apesar das medidas desagradarem parte da população, Gladson reforça que são necessárias para evitar um colapso no Sistema de Saúde, como vem ocorrendo em outros estados. Além disso, o chefe do Executivo afirma que essas ações buscam evitar o decreto de lockdown no futuro.

“Agora, estamos em Bandeira Vermelha, para não precisarmos viver a medida mais radical, que é o lockdown. O que isso quer dizer? Que estamos priorizando a vida. Para que, no Acre, não se instale o mesmo caos que enfrentam outros estados do país”, declarou.

E acrescentou: “Estamos fazendo tudo o que podemos para diminuir o prejuízo da população, mas não existe preço quando se trata de vida. Não podemos postergar uma decisão para protegê-las. Espero a compreensão de todos e eu como governador, junto de toda minha equipe, estamos mostrando nossa capacidade, compromisso e toda responsabilidade possível. Essa luta não é só minha, mas de todos nós”.

O anúncio de novas restrições dividiu a população acreana. Alguns consideram desnecessárias e defendem o aumento de publicidade educativas, como é o caso do acadêmico João Paulo. “O psicológico da população com essa doença está bem abalado. Entendo a preocupação do governo do Estado, mais está cada vez mais difícil se manter isolado. Acredito que todo mundo já sabe como evitar a doença. Em minha opinião seria o caso de intensificar as publicidades educativas”, disse.

A enfermeira Rose Meire, em discordância da opinião do acadêmico, frisa que as aglomerações são os principais motivos do aumento dos casos. “Não dá para brincar com essa doença. Tem gente saudável morrendo, isso significa que o vírus está mudando. É necessário ter atenção aos cuidados devidos como lavar as mães, usar máscara e álcool gel, especialmente, evitar aglomerações. A população precisa entender que a doença se propaga mais rapidamente de fazem aglomerações. Portanto, tenham consciência, vocês se colocam em risco e todo o resto. Fiquem em casa!”, disse.

Atualmente, 98% dos leitos da rede pública para Covid-19 em todo o Acre estão ocupados

De acordo com o secretário de Saúde do Acre, Alysson Bestene, durante a coletiva de imprensa em que reclassificou todo o Acre para a bandeira vermelha, a medida foi recomendada devido à lotação de 100% dos leitos disponíveis para pacientes com Covid-19.

“Identificamos um número crescente de casos e de mortes e, consequentemente, a rede pública de saúde está praticamente com 98% de ocupação no Acre. Atingimos o topo da rede de atendimento e a necessidade de antecipar as prévias com relação ao que íamos apresentar na próxima sexta”, destacou.

O coordenador do Comitê de Enfrentamento da Covid-19, o médico Osvaldo Leal, reiterou que medidas mais severas no momento são necessárias devido a gravidade do problema e os riscos da doença. “Precisamos fazer um esforço coletivo, cada um na sua área, com um compromisso para que a gente consiga superar esse novo momento. É claro que as pessoas vão falar do cansaço, das restrições, mas, quando a realidade se impõe, é necessário tomarmos decisões. Precisamos pensar na saúde da população em geral”, disse.

Dos 55 leitos de UTIs disponíveis em Rio Branco, 43 estão ocupados. Dos 45 leitos de Unidade Tratamento Intensivo (UTI) destinados à Covid-19 no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia no Acre (Into), unidade referência para atendimentos, 40 estão ocupados.

Na região do Baixo Acre, que engloba as cidades de Rio Branco, Sena Madureira, Plácido de Castro e Acrelândia, das 55 UTIs, 43 estão ocupadas, registrando uma taxa de ocupação de 72,7%. Destes, três são do Pronto Socorro, que registrou 30% de ocupação e os outros 40 são do Into, que registrou 88,9% de ocupação.

Já a região do Juruá, que engloba Cruzeiro do Sul, Tarauacá e Marechal Thaumaturgo, dos 20 leitos de UTI existentes, 16 estão ocupados, registrando 80% de ocupação. Os leitos clínicos somam 74 e 68 estão ocupados, registrando 91,9% de ocupação.

É a primeira vez neste ano que a regional do Juruá registra um grande aumento nas internações em leitos de UTI e Clínicos ao mesmo tempo. De 94 leitos de UTIs e Clínicos, 84 estão ocupados, restando apenas 10.

Já regional do Alto Acre, que engloba as cidades de Brasileia e Epitaciolândia, quatro estão ocupados, num total de 18 leitos disponíveis. A regional do Alto Acre é a única que não tem leitos de UTI para a Covid-19.

O que funciona na Bandeira Vermelha

O documento estabelece que estão proibidas até o dia 22 de fevereiro, data da divulgação da nova classificação de risco, toda a atividade em estabelecimentos comerciais, em feiras, inclusive feiras livres, o Shopping Center volta a ser fechado, cinema, clubes de recreação, buffets, academias de ginástica, bares, restaurantes, lanchonetes, sorveterias, boates, teatros, casas de espetáculos, casas de shows, centros culturais, circos e clínicas de estéticas. O setor de alimentos tem autorização para funcionar em sistema delivery.

O decreto também proíbe agrupamentos de pessoas em locais públicos. Parques e locais que promovem aglomeração como é o caso do Parque do Tucumã e Horto Florestal devem voltar a ser fechados.

Estão permitidos a funcionar estabelecimentos ligados à saúde como os estabelecimentos médicos, hospitalares, laboratórios de análises clínicas, farmacêuticos, farmácias de manipulação, psicológicos, clínicas de fisioterapia e vacinação humana, além dos serviços de delivery de alimentação e medicamentos. As empresas que participem em qualquer fase da cadeia produtiva e de distribuição de produtos de primeira necessidade para população deverão manter suas atividades, tais como distribuidoras, revendedoras ou indústrias de alimentos, medicamentos, produtos de limpeza e higiene, água, gás, postos de combustíveis, padarias, conveniências, supermercados, mercadinhos, minibox e congêneres.

Ainda pelo Decreto 7.225, as aulas de todos os segmentos estudantis estão impedidas de retomar de forma presencial durante a Bandeira Vermelha.

A decisão é válida até uma nova classificação, marcada para o dia 19 de fevereiro

Vacina contra a Covid-19 trouxe esperança a população

Diante desses números assustadores a população segue esperançosa que a vacina contra a doença, anunciada pelo Instituto Butantan, a Coronavac, no dia sete de janeiro, consiga contornar a situação. Balanço da vacinação contra Covid-19 no Brasil aponta que 26 estados e o Distrito Federal vacinaram 2.220.216 pessoas.

A CoronaVac foi desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, responsável por coordenar os testes de fase 3 da vacina no Brasil, que envolveu 16 centros de pesquisa clínica em sete estados e no Distrito Federal.

A vacina usa vírus inativados. Esta técnica recorre a vírus que foram expostos em laboratório a calor e produtos químicos para não serem capazes de se reproduzir. Isso quer dizer que não há a presença do vírus Sars-Cov-2 vivo na solução, o que reduz os riscos deste tipo de imunização.

Um estudo publicado na revista científica “The Lancet” aponta que a vacina produzida pela Sinovac é segura. Os resultados tratam de estudos de fase 1 e 2 com 743 pacientes.

De acordo com os pesquisadores chineses, a CoronaVac não apresentou “nenhuma preocupação com relação à segurança”. A maioria das reações foram leves, sendo que a mais comum foi a dor no local da injeção. Nenhuma reação adversa mais grave foi relatada durante a fase 2, que teve participação apenas de voluntários chineses.

No Brasil, de cada cem voluntários vacinados com a CoronaVac que contraíram o vírus, 22 tiveram apenas sintomas leves, sem a necessidade de internação hospitalar, índice apresentado como de 78% de eficácia para casos leves, segundo o governo de SP.

Para redução de casos graves e moderados, o governo anunciou índice de eficácia de 100%, ou seja, não houve casos graves (incluindo mortes) e moderados entre os vacinados.

Vacinação no Acre

O Acre começou a vacinação contra a Covid-19 no dia 19 de janeiro, após a chegada das primeiras doses da CoronaVac, vacina contra a Covid-19 importada da China pelo Instituto Butantan. As vacinas foram distribuídas aos 22 municípios do estado. O último a receber foi Santa Rosa do Purus.

No dia 24, o primeiro lote com 5,5 mil doses da AstraZeneca, vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, chegou em Rio Branco. No total, o estado já recebeu três lotes de imunizantes.

Diferente do que fez com a CoronaVac, que dividiu a quantidade de unidades recebidas para aplicação da primeira e segunda doses, com intervalo de 28 dias, com a vacina da marca AstraZeneca, o governo vai usar todos os imunizantes para aplicação da primeira dose. Isso porque, segundo a Sesacre, a segunda dose dessa vacina só é aplicada após três meses, então, há tempo para a chegada de mais doses.

No dia 25 de janeiro, o Acre recebeu o segundo lote da CoronaVac, 4,8 mil doses no total.

A prioridade na primeira fase da vacinação, segundo o governo, é imunizar trabalhadores da Saúde, mas, dessa vez, com a chegada do terceiro lote de vacinas, os idosos acima de 80 anos também estão inclusos. O governo ainda não divulgou como vai ser feita a aplicação das doses nos idosos.

COVID X DENGUE

Em meio a pandemia da Covid-19, Acre vive surto de Dengue

Em meio a pandemia do novo coronavírus, a população do Acre precisa redobrar os cuidados também contra o mosquito Aedes Aegypti durante o período de inverno. Em 2020, o estado confirmou mais de 5,4 mil casos de dengue e para reduzir as notificações e casos positivos a Secretaria de Saúde (Sesacre) monta um plano de contingência de enfrentamento à doença.

Alguns sintomas da Covid-19 e Dengue se confundem, como febre, dor de cabeça e dor no corpo. Em certos casos, o diagnóstico é previamente apresentado como dengue, mas depois é confirmado como COVID-19. No entanto, ainda não se sabe se é possível uma co-infecção, onde os dois vírus podem infectar uma mesma pessoa ao mesmo tempo.

A COVID-19 é uma doença respiratória aguda, na qual as pessoas infectadas geralmente apresentam febre, cansaço e tosse seca, que pode ser acompanhada de dor de garganta e dificuldade para respirar. Embora a maioria das pessoas apresente sintomas leves, a infecção pode evoluir para doenças respiratórias mais graves, como pneumonia.

Esses sintomas respiratórios não são frequentes na dengue, e apesar de as duas doenças serem febris e causarem dor de cabeça, dor pelo corpo e cansaço, esses sinais são mais intensos quando provocados pela dengue.

Além disso, a dengue é caracterizada por dores nas articulações, problemas gastrointestinais, manchas avermelhadas pelo corpo, além da queda no nível de plaquetas do sangue o que leva aos sangramentos que caracterizam a forma grave da dengue.

Como se proteger – No meio da pandemia de COVID-19, todos precisam ter mais atenção às medidas preventivas. Higienizar as mãos com água em sabão, utilizar máscaras faciais se for necessário contato com outras pessoas e praticar o isolamento social, são as principais recomendações para evitar a disseminação do vírus.

Para se proteger da dengue, é preciso conter a proliferação do mosquito Aedes aegypti, combatendo a sua reprodução.

O ambiente ideal para o criadouro do mosquito da dengue é aquele no qual há água parada, mesmo que a quantidade seja mínima. Para evitar que o inseto se crie, você deve evitar deixar a água parada.

Já a prevenção do contato com o mosquito infectado pode ser feita com o uso de repelentes, inseticidas e outras medidas para afastar o inseto. No entanto, as medidas mais efetivas incluem acabar com os possíveis criadouros do inseto.

O médico infectologista, Jenilson Leite, em suas redes sociais também fez um alerta para o aumento dos casos da Covid-19 e de Dengue em Rio Branco. Ele citou que identificou, em visita as algumas unidades de saúde, muitos problemas, inclusive falta de cadeiras para os pacientes.

Jenilson pediu que a Secretaria Municipal de Saúde abra, com urgência, as unidades referência para a dengue. “No pronto socorro hoje estava sem vaga para internar paciente com dengue hemorrágica, não tinha cadeira para o paciente sentar. A secretaria municipal de saúde de Rio Branco precisa com urgência abrir as unidades de referência para dengue”, disse Leite.

O médico disse ainda que “o INTO está saturado, apesar do esforço dos profissionais. Tem mais gente adoecendo do que a capacidade do sistema de atender. Outras doenças também estão matando porque está faltando vagas de UTI para operar pacientes graves de neurologia, cardiologia entre outros”.

“Enfim, as ações de cunho preventivo poucos estão dispostos a adotar, enquanto isso muita gente morrendo todos os dias. O simples uso generalizado de máscara poderia salvar muita gente enquanto a vacina chega para maioria, mas o Estado perdeu a capacidade de fiscalizar o que é lei”, finalizou.