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quarta-feira, 12 de agosto de 2026
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Índios Huni Kuin produzem próprias máscaras e garantem sustento durante a pandemia: ‘cultura e tradição’

Janine Brasil (G1) – Resgatar a cultura, manter a tradição e gerar renda. Foi pensando nisso que um grupo de mulheres indígenas resolveu fabricar as próprias máscaras para se proteger da Covid-19 e também ajudar na economia local.

São pelo menos 20 índias que moram na Aldeia Mibãya, na Terra Indígena da Praia do Carapanã, que fica a três horas do município de Tarauacá, no Acre, pelo rio de mesmo nome, que produzem as máscaras. A terra indígena é composta por cinco aldeias e tem aproximadamente 5 mil indígenas.

Uma das idealizadoras do projeto, Maria do Socorro Huni kuin, diz que no início a ideia era fabricar as máscaras apenas para proteção da comunidade.

“A gente está fabricando desde que a pandemia começou. Como a máscara que a gente compra é um pouco cara, nem todo mundo tem dinheiro, então, a gente resolveu fazer a nossa própria máscara”, explica.

Máscaras são vendidas a R$50 e demoram de dois a três dias para serem feitas — Foto:  Maria do Socorro Hunikuin/Rede Amazônica Acre

Máscaras são vendidas a R$50 e demoram de dois a três dias para serem feitas — Foto: Maria do Socorro Huni kuin/Rede Amazônica Acre

Com a comunidade protegida, Maria conta que agora elas fabricam as máscaras para vender e garantir o sustento dos povos.

“Vendemos por encomenda, é uma forma de melhorar nossa renda, mostrar nosso trabalho, dar continuidade à nossa cultura e tradição. Queremos mostrar para as pessoas que a gente é capaz de produzir a nossa própria máscara, então, a gente não espera por ninguém. Assim, todas as mulheres estão trabalhando”, fala.

Maria explica o processo de fabricação das máscaras é todo artesanal e manual — Foto:  Maria do Socorro Hunikuin/Arquivo pessoal

Maria explica o processo de fabricação das máscaras é todo artesanal e manual — Foto: Maria do Socorro Huni kuin/Arquivo pessoal

Fabricação, renda e divulgação

Maria explica o processo de fabricação das máscaras é todo artesanal. No total, as índias ficam de dois a três dias tecendo o material até que toda a arte ganhe forma.

“Usamos linha de algodão e os desenhos são feitos por nós mesmas. Demora porque é um trabalho de tecelagem à mão, é muito cuidado, um trabalho minucioso”, afirma.

A indígena diz que o material é comprado na cidade, no município de Tarauacá, e levado para a aldeia. “A gente já compra a linha colorida, linha artificial, mas, quando não tem, na aldeia tem como a gente tingir a linha com urucum e açafrão.”

Máscaras são vendidas a R$50 cada — Foto:  Maria do Socorro Hunikuin/Arquivo pessoal

Máscaras são vendidas a R$50 cada — Foto: Maria do Socorro Huni kuin/Arquivo pessoal

Em relação ao preço, a artesã afirma que cada máscara é vendida por R$ 50 e que após serem fabricadas na aldeia eles levam para a cidade e enviam pelo Correio. Sobre o valor cobrado, Maria diz que, além do processo ser lento e trabalhoso, a matéria prima não é tão barata.

“Tem a linha que a gente usa que é um pouco cara, custa R$18, R$19 e para fazer demora, porque tem todo o processo de tecer, fazer o desenho e costurar. Já enviamos várias para alguns estados, um deles é o Rio de Janeiro, temos uma parceira lá que ajuda a gente a divulgar. A última vez enviamos 32 máscaras”, diz.

Sobre a divulgação dentro e fora do estado, além da parceira que mora no Rio de Janeiro, a indígena administra uma conta no Facebook e outra no Instagram, com o nome de ‘Artesanato Huni Kuin’, onde expõe todos os trabalhos feitos pelas índias.

“Além das máscaras, fabricamos bolsas, vestidos, tiaras, pulseiras e tudo mais que as pessoas encomendarem. Isso ajuda muito na nossa renda para a gente se sustentar. Também é uma maneira de mostrar para as pessoas nosso trabalho”, finaliza

Além das máscaras comunidade já fabricava antes outros produtos como brincos e acessórios para o cabelo — Foto:  Maria do Socorro Hunikuin/Arquivo pessoal

Além das máscaras comunidade já fabricava antes outros produtos como brincos e acessórios para o cabelo — Foto: Maria do Socorro Huni kuin/Arquivo pessoal

Covid-19 e medicina tradicional

Sobre a Covid-19, Maria diz que atualmente não tem nenhum índio doente na aldeia, mas que alguns chegaram a adoecer. Ela conta que não tem como afirmar que a doença que eles pegaram foi a Covid-19, mas garante que o tratamento tradicional da cultura que os curou.

“Alguns chegaram a ficar doentes, agora não tem nenhum, mas os que ficaram já estão bons, tratamos com a nossa medicina tradicional. Eles tomaram chás e nossos remédios naturais. Para evitar o contágio, nem todos os índios vão para a cidade, só alguns.”

Ven da de produtos ajuda a comunidade a se sustentar — Foto:  Maria do Socorro hunikuin/Arquivo pessoal

Venda de produtos ajuda a comunidade a se sustentar — Foto: Maria do Socorro huni kuin/Arquivo pessoal