O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a fazer ameaças contra Omã nesta segunda-feira (17), em meio às negociações do país com o Irã sobre a circulação de embarcações pelo Estreito de Ormuz. Em entrevista à Fox News, o republicano afirmou que os Estados Unidos poderiam atacar o território omanense caso o país interferisse nas tratativas.
Trump declarou que, se Omã “atrapalhar”, os Estados Unidos poderiam bombardear o país. A fala ocorre no mesmo dia em que autoridades iranianas anunciaram avanços nas conversas com Mascate sobre uma possível alternativa para o trânsito marítimo na região.
Irã e Omã avançam nas negociações
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, informou nesta segunda-feira que Teerã e Mascate chegaram a um entendimento preliminar sobre o trajeto que poderá ser utilizado pelas embarcações no Estreito de Ormuz.
Segundo as informações divulgadas, a proposta prevê que os navios utilizem uma rota de entrada localizada próxima ao território iraniano e deixem a região por uma passagem situada nas proximidades de Omã.
Até o momento, os governos envolvidos não apresentaram publicamente todos os detalhes do entendimento. A definição de uma nova rota, portanto, ainda depende de questões que permanecem em negociação.
Trump já havia feito outras ameaças
A declaração desta segunda-feira não é a primeira vez que Trump faz ameaças relacionadas a Omã e ao estreito. Nos últimos meses, o presidente norte-americano já havia utilizado um tom semelhante ao comentar a situação na região.
Em maio, Trump afirmou que Omã deveria seguir as exigências apresentadas pelos Estados Unidos ou poderia sofrer consequências militares. Na última sexta-feira (12), o presidente também declarou que pretendia anunciar em breve o Estreito de Ormuz como território sob domínio norte-americano.
Por que Ormuz é tão importante?
Localizado entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz é uma das principais passagens marítimas utilizadas no transporte internacional de petróleo e gás. A região possui importância estratégica para o mercado mundial de energia e qualquer interrupção significativa no tráfego pode provocar impactos nos preços das commodities.
Antes da atual escalada militar no Oriente Médio, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás consumidos globalmente passava pela região. O bloqueio da passagem, portanto, tem potencial para afetar diretamente o abastecimento e os mercados internacionais.
Desde os ataques realizados conjuntamente por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, a circulação pelo estreito permanece fortemente comprometida. Também foram registrados episódios envolvendo embarcações que, segundo as informações divulgadas, não tinham autorização de Teerã para utilizar a rota.
Irã estabelece condições para reabrir o estreito
O governo iraniano também deixou claro que a eventual criação de uma nova rota de navegação não significa necessariamente que o Estreito de Ormuz será reaberto.
Na semana passada, Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, afirmou que a passagem permanecerá fechada enquanto os Estados Unidos não aceitarem as condições estabelecidas por Teerã para o fim do conflito.
Entre as exigências apresentadas estão a liberação de ativos iranianos congelados no exterior, o encerramento das hostilidades na região, incluindo os conflitos em Gaza e no Líbano, e o fim das ameaças militares contra o território iraniano.
Rezaei também destacou que um eventual entendimento entre Irã e Omã sobre o trânsito marítimo deve ser tratado separadamente da decisão iraniana de manter o estreito fechado.
As negociações entre Irã e Omã avançam, mas a ameaça feita por Trump aumenta a tensão em torno de uma das rotas marítimas mais importantes do mundo. O futuro da navegação pelo Estreito de Ormuz continua condicionado às negociações diplomáticas e às decisões dos governos envolvidos no conflito.


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