A Assembleia Legislativa do Acre debateu, nesta quinta-feira (7), os impactos devastadores das apostas esportivas e aplicativos de jogos que estão levando ao superendividamento e até ao suicídio de cidadãos, conforme apontado em audiência pública presidida pelo deputado Pedro Longo (PDT). O evento contou com representantes do Procon dos Estados do Acre e Rondônia, do Ministério Público e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AC), que denunciaram o papel dos influenciadores digitais na promoção desenfreada de jogos de azar.
Segundo Longo, o aumento do superendividamento no Acre está vinculado diretamente ao avanço das apostas esportivas em redes sociais, onde influenciadores promovem esses serviços sem qualquer cautela. “As apostas criam uma série de problemas financeiros e psicológicos, levando pessoas a desespero e até ao suicídio. Parte do recurso do Bolsa Família está indo parar nessas plataformas”, afirmou o deputado, cobrando medidas educativas para conter o que descreveu como “um vício”.
A diretora-presidente do Procon do Acre, Alana Albuquerque, ressaltou que o endividamento das famílias vem crescendo. De acordo com dados apresentados, o Procon registrou 129 atendimentos de superendividados no Acre entre março e dezembro de 2023. “Estima-se que 5 milhões de pessoas em todo o país, algumas beneficiárias de programas sociais, direcionaram R$ 3 bilhões para apostas apenas em agosto. A falta de controle e a publicidade massiva criam a ilusão de que se pode viver disso, mas muitos perdem tudo e perdem até a vida”, lamentou Albuquerque.
O coordenador estadual do Procon de Rondônia, Yan Gabriel Helmann, destacou a fragilidade da regulação das casas de apostas no Brasil, permitindo que operem sem segurança para os usuários. Ele mencionou que há denúncias de manipulação de resultados e casos de depressão entre os endividados. “As pessoas estão vendendo suas casas e sofrendo graves consequências psicológicas por causa desse mercado, que movimenta bilhões sem qualquer controle real”, disse.
A presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB/AC, Larissa Mendes, reforçou a necessidade de maior responsabilidade dos influenciadores. “A autorização governamental para apostas não impediu o aumento dos endividados. Os influenciadores têm um papel crucial ao incentivar isso sem qualquer análise crítica do impacto”, afirmou Mendes.
O promotor Carlos Maia, do Ministério Público do Acre, frisou a gravidade da situação ao destacar o problema de saúde pública e os transtornos psicológicos severos que decorrem das apostas. “A regulação é competência da União, mas não pode ignorar os danos sociais. O vício em apostas afeta o consumo e o sustento das famílias, levando a um impacto econômico real e duradouro para o comércio local”, alertou Maia, comparando o fenômeno com esquemas de pirâmides financeiras.
O deputado Pedro Longo concluiu a audiência reafirmando a necessidade urgente de campanhas de conscientização, enquanto aguarda uma resposta efetiva do governo federal para a regulamentação e fiscalização do mercado de apostas.


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