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quinta-feira, 23 de julho de 2026
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Super El Niño pode ser o mais intenso em 150 anos; veja os impactos previstos no Brasil

O Super El Niño pode se tornar o mais intenso registrado nos últimos 150 anos, segundo projeções de centros internacionais de monitoramento climático. As estimativas apontam que o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial poderá alcançar cerca de 3,1°C acima da média até o fim de 2026, aumentando a probabilidade de eventos climáticos extremos em diversas partes do planeta, incluindo o Brasil.

De acordo com projeções do Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI), da Universidade de Columbia, e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe alta probabilidade de que o fenômeno atinja a categoria de El Niño muito forte. A expectativa é de que os impactos sejam mais evidentes entre o segundo semestre deste ano e o início de 2027.

Como o Super El Niño afeta o Brasil

Os efeitos do fenômeno não ocorrem de maneira uniforme em todo o território nacional. No Sul do Brasil, a tendência é de aumento na frequência de frentes frias, temporais, enchentes e deslizamentos de terra, especialmente durante a primavera e o verão.

Já nas regiões Norte e Nordeste, o cenário costuma ser oposto, com redução das chuvas, favorecendo períodos de estiagem, seca prolongada e aumento do risco de queimadas.

No Centro-Oeste e em parte do Sudeste, a previsão indica temperaturas acima da média, maior ocorrência de ondas de calor e períodos prolongados de tempo seco, conhecidos como veranicos.

Eventos extremos tendem a se tornar mais frequentes

Especialistas explicam que o El Niño altera a circulação atmosférica global, modificando os padrões de chuva e temperatura em diferentes continentes. Como consequência, aumenta a probabilidade de eventos extremos, como tempestades severas, granizo, vendavais, secas e calor intenso.

Apesar disso, meteorologistas alertam que nem toda chuva forte ou onda de calor é causada diretamente pelo El Niño. Outros sistemas meteorológicos também influenciam as condições do tempo e podem potencializar ou reduzir os efeitos do fenômeno.

Impactos na agricultura e na geração de energia

As mudanças climáticas provocadas pelo Super El Niño também podem afetar a produção agrícola. O excesso de chuva em algumas regiões e a falta de precipitação em outras podem comprometer lavouras, reduzir a produtividade e provocar prejuízos ao setor agropecuário.

Além disso, a geração de energia hidrelétrica pode sofrer impactos em razão das alterações no regime de chuvas. Em paralelo, o aumento das temperaturas tende a elevar o consumo de eletricidade devido ao uso mais intenso de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores.

Qual é a relação entre o El Niño e o aquecimento global?

Os especialistas destacam que o aquecimento global não provoca o surgimento do El Niño, já que o fenômeno faz parte da variabilidade natural do clima terrestre.

Entretanto, o aumento da temperatura média da atmosfera e dos oceanos pode intensificar seus efeitos. Dessa forma, episódios de calor extremo, chuvas intensas e secas tendem a apresentar maior intensidade quando coincidem com um evento de El Niño de grande magnitude.

Com a possibilidade de um dos episódios mais fortes já registrados, órgãos de meteorologia seguem monitorando a evolução do fenômeno para atualizar previsões e orientar medidas de prevenção diante dos impactos esperados em diferentes regiões do Brasil e do mundo.