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terça-feira, 28 de julho de 2026
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Vereador do Rio é preso em operação que investiga ligação com o Comando Vermelho

O vereador do Rio de Janeiro Salvino Oliveira (PSD), ex-secretário municipal da Juventude, foi preso pela Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (11). Ele é suspeito de manter relações com o Comando Vermelho (CV), considerada uma das maiores facções criminosas do estado.

Segundo as investigações, o parlamentar teria negociado apoio político em áreas dominadas pelo tráfico com o objetivo de transformar essas comunidades em redutos eleitorais.

A prisão ocorreu no âmbito da Operação Contenção Red Legacy, que busca desarticular a estrutura política e financeira da organização criminosa.

Quem é Salvino Oliveira

A trajetória de Salvino Oliveira na política carioca ganhou destaque nos últimos anos. Natural da Cidade de Deus, ele costumava relatar dificuldades enfrentadas durante a juventude, como trabalhar vendendo água em sinais de trânsito e balas em ônibus para ajudar nas despesas da família enquanto estudava no tradicional Colégio Pedro II.

Em 2023, concluiu a graduação em Gestão Pública pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Antes de disputar eleições, ganhou visibilidade ao assumir a Secretaria Especial da Juventude Carioca em 2021, a convite do prefeito Eduardo Paes.

Durante sua passagem pela pasta, lançou o programa “Pacto pela Juventude”, desenvolvido em parceria com a Unesco.

Na eleição municipal de 2024, Salvino disputou seu primeiro cargo eletivo e foi eleito vereador com mais de 27 mil votos.

Episódios de tensão antes da prisão

Antes mesmo das investigações, o vereador já havia enfrentado momentos de tensão na vida pública. Em julho de 2024, durante uma ação da prefeitura para demolir construções irregulares na Cidade de Deus, ele foi agredido fisicamente.

Na ocasião, Salvino afirmou que estava no local para intermediar o diálogo entre comerciantes e o poder público, mas acabou cercado por manifestantes e atingido por socos, ovos e spray de pimenta.

Suspeita de acordo com traficante

De acordo com a Polícia Civil, o vereador teria negociado com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, para obter autorização para fazer campanha na comunidade da Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio.

Em troca do acesso político à região, o parlamentar teria articulado benefícios que seriam apresentados publicamente como ações sociais.

Um dos pontos investigados envolve a instalação de quiosques comerciais na área. Segundo a polícia, a definição de quem ocuparia parte dessas estruturas teria sido feita diretamente por integrantes da facção, sem qualquer processo público transparente.

Para os investigadores, a medida teria como objetivo fortalecer o controle territorial do tráfico por meio de influência institucional.

Operação mira estrutura da facção

A operação que levou à prisão de Salvino também investiga a atuação de integrantes da família do traficante Marcinho VP. Entre os alvos estão sua esposa, Márcia Gama, e o sobrinho Landerson Nepomuceno, que são considerados foragidos.

Segundo a polícia, o objetivo da investigação é atingir a cadeia de comando que permite que o Comando Vermelho continue expandindo sua atuação, inclusive por meio de infiltração em estruturas políticas e administrativas do Rio de Janeiro.

Em nota, a assessoria do vereador informou que ainda não recebeu detalhes oficiais sobre o caso e que a defesa aguarda esclarecimentos das autoridades.