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quarta-feira, 24 de junho de 2026
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Telefonema entre Lula e Xi Jinping reforça defesa da ONU após iniciativa de Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone com o presidente da China, Xi Jinping, na madrugada desta sexta-feira (23). Durante o diálogo, os dois líderes defenderam o fortalecimento do multilateralismo e a autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) como instância central para a mediação de conflitos internacionais.

Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi Jinping afirmou que o atual cenário global é “turbulento e instável” e destacou a importância de Brasil e China atuarem em defesa dos interesses do Sul Global, promovendo equilíbrio, equidade e justiça nas relações internacionais.

Para o presidente chinês, as duas nações devem se posicionar “ao lado certo da história”, protegendo interesses comuns e reforçando o papel central da ONU no sistema internacional.

Durante a conversa, Lula ressaltou o protagonismo de Brasil e China na defesa do multilateralismo, do livre comércio e da cooperação internacional. O presidente brasileiro afirmou ainda que o país está disposto a ampliar a parceria com Pequim no âmbito do BRICS e em iniciativas voltadas à manutenção da paz e da estabilidade global.

O telefonema ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a criação de um Conselho de Paz para Gaza, iniciativa interpretada como uma estrutura paralela à ONU para tratar de conflitos no Oriente Médio.

Trump chegou a convidar Brasil e China para integrar o novo comitê internacional. Até o momento, Lula e Xi Jinping não confirmaram se irão aceitar ou recusar o convite.

Ainda conforme a Xinhua, Xi afirmou que a China pretende continuar sendo uma “boa amiga e parceira” dos países da América Latina e do Caribe, fortalecendo laços diplomáticos e econômicos com a região.

O diálogo também reafirmou a aproximação entre China e América Latina em meio a tensões recentes, como a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro no início de janeiro.

Em artigo publicado recentemente no The New York Times, Lula criticou a operação norte-americana e afirmou que um mundo baseado em hostilidade permanente e coerção não é sustentável, mesmo para as grandes potências.