O Brasil passa a integrar oficialmente, a partir de novembro, a organização intergovernamental Inbar, sediada em Pequim, na China, e que estimula a exploração comercial e sustentável do bambu e do ratã. A organização tem 42 países-membros e o mercado mundial desses produtos movimenta anualmente US$ 60 bilhões. “O Brasil tem hoje um potencial enorme para explorar o bambu, especialmente o estado do Acre, que tem mais de 16 milhões de hectares de florestas, dos quais 4 milhões são de bambu”, diz o senador Jorge Viana (PT-AC).
Viana participou nesta segunda-feira, 23 de outubro, da abertura do Seminário Internacional sobre Bambu, realizado na teatro da Universidade Federal do Acre (UFAC). “A adesão do Brasil é um gesto importante e abre um potencial enorme para a exploração do bambu e nossa participação no mercado”, comentou o parlamentar. “O seminário é um marco para esse caminho do bambu como um ativo econômico”.
Segundo a Embrapa, o Brasil tem a maior biodiversidade de bambus da América e uma das maiores do mundo, com cerca de 18 milhões de hectares de florestas nativas da planta. Desse total, cerca de 40% desse recurso está localizado no Acre, fazendo com que o estado tenha uma das maiores reservas do mundo. “Bambu não é problema. Tem gente que pensa que bambu é um problema, mas não é. Bambu é fundamental. Tem mercado e acúmulo de estudos. E nós ainda não enxergamos isso”, disse. De acordo com o senador, a floresta é solução. “A Califórnia era um deserto e se transformou no sétimo PIB do mundo. Este é o desafio que temos: tornar o bambu em um ativo econômico importante”.
O senador lembrou que, em 2011, a então presidente Dilma Rousseff assinou um acordo de cooperação com o governo da China, firmada entre os ministérios de Ciência e Tecnologia que resultou na lei de incentivo à produção do bambu no Brasil. Três anos depois, Dilma encaminhou mensagem do acordo instando o Brasil a fazer parte da rede internacional de bambu. “Agora, no próximo dia 6 de novembro, estarei na cerimônia em que vai se oficializar a entrada do Brasil no Inbar, em Pequim, na China”, disse.
O Inbar tem desenvolvido projetos e programas em mais de 20 países capacitando pessoas e organizações em mais de 80 países sobre a importância do uso do bambu e ratã em cadeias produtivas. Dados da Sociedade Nacional de Agricultura apontam que o Brasil tem, atualmente, 36 gêneros e 254 espécies nativas de bambu distribuídas entre a Mata Atlântica, a Amazônia e o Cerrado. (Assessoria)


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