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sábado, 4 de julho de 2026
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Riobranquenses não acreditam em redução de concursos públicos anunciada por Bolsonaro

Os riobranquenses não acreditam na redução no número de concursos públicos anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) no mês passado. No dia 22 de junho, o chefe do executivo federal declarou que “dificilmente teremos concursos no Brasil nos próximos anos”. Entretanto, o gestor destacou que somente as polícias Federal (PF) e Rodoviária Federal (PRF) serão isentas pela limitação no reforço do quadro de funcionários que será feita em outros órgãos.

Técnica em Regulação de Serviços de Transportes do posto fiscal da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) na capital, a concurseira Ana Paula Moreira diz que dificilmente o presidente colocará em prática a medida anunciada. Ela, que mantém uma rotina de estudos e se prepara para processos seletivos para ingressar na Receita Federal e Secretaria de Fazenda (Sefaz) do Acre, observa que muitos órgãos essenciais precisam constantemente renovar o quadro.

“Existem os outros poderes [Legislativo e Judiciário] e também os estados/municípios. O Bolsonaro só pode interferir nos órgãos que pertencem a união. Então essas outras esferas podem fazer concurso e mesmo assim instituições como PF, PRF, Receita Federal e agências reguladoras estão na ponta do sistema realizando diversos tipos de serviços e não podem ficar sem renovação de cargos quando servidores se aposentam. Dificilmente essa medida será aplicada a Receita, por exemplo, porque ela é essencial na arrecadação financeira do estado”, observa a técnica da ANTT.

Ana Paula lembra ainda que Legislativo, Judiciário, além dos estados e municípios, são alternativas que os concurseiros podem se direcionarem sem deixar os estudos de lado. Ela fala também que é importante observar que cada pessoa tem uma pretensão diferente. “Eu, por exemplo, pretendo ingressar na Receita Federal, Sefaz e nas receitas municipais. Essa fala do presidente não me preocupa com esse processo de estudos e preparação que tenho há um tempo”.

Proprietário de um pré-concurso/pré-Enem em Rio Branco, Sidney Vencedor também comenta que a fala de Bolsonaro foi interpretada de forma errada e que é impossível não haver concursos públicos na esfera federal, já que todos os anos muitos funcionários da união se aposentam e deixam vagas disponíveis que se não forem preenchidas causa déficit no quadro e problemas no funcionamento dos órgãos. Segundo ele, mesmo que isso seja feito haverá concurso se necessário.

“Se o estado brasileiro não suprir os cargos que estão vagos, pondo em prática a medida falada pelo presidente, o próprio Ministério Público Federal (MPF) move uma ação contra a prática forçando a União a cumprir com suas obrigações legais. No serviço público, não se pode ter menos da metade de servidores concursados em relação aos nomeados, o que é fiscalizado pelos órgãos competentes que tentam evitar possíveis erros cometidos pelo estado”, comenta Vencedor.

O empresário lembra que após o Ministério da Economia rejeitar uma recomendação do MPF para que fosse autorizada a realização de um processo seletivo para o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), o órgão fiscalizador ingressou com uma ação na Justiça para obrigar o executivo a cumprir o parecer recomendatório. “Posso dizer para os concurseiros que eles podem ficar tranquilos pois haverá concursos. Podem ficar despreocupados porque cedo ou tarde abre”.

Vencedor destaca que independentemente da fala feita pelo presidente, as pessoas não devem suspender a rotina de estudo diário e precisam se manter focadas, já que existem outras instâncias que poderão realizar concursos. Além disso, ele afirma que é necessário que o candidato a uma vaga pública tenha, no mínimo, um ano de preparação para ter chances de ser aprovado. Segundo ele, o processo de aprendizagem precisa ser feito e mantido a longo prazo para facilitar a absorção de conteúdo.