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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Presidente do Iteracre é exonerado após ser preso em operação da PF-AC que investiga compra de voto

Presidente do Iteracre é exonerado após ser preso em operação da PF-AC que investiga compra de voto

Nil Figueiredo foi preso durante a Operação Democracia suspeito de compra de voto nas Eleições 2018. Decreto foi publicado no DOE desta segunda-feira (22)

O presidente do Instituto de Terras do Acre (Iteracre), Glenilson Araújo Figueiredo, o Nil Figueiredo, foi exonerado do cargo nesta segunda-feira (22). Ele foi preso na sexta-feira (19) durante a Operação Democracia, deflagrada pela Polícia Federal do Acre, suspeito de comprar votos eleitorais. O decreto assinado pelo governador Tião Viana foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE)

O controlador-geral do Estado, Giordano Simplício Jordão, foi nomeado para assumir a pasta. O novo presidente vai acumular os dois cargos.

A Operação Democracia cumpriu oito mandados de prisão e 22 de busca e apreensão, além de quatro mandados de condução coercitiva de testemunhas, expedidos pela Justiça Eleitoral do Acre.

Áudios divulgados pela polícia mostram uma conversa entre Figueiredo e um cabo eleitoral sobre a compra de dez votos. No diálogo, o interlocutor informa ao presidente que já entregou o dinheiro aos eleitores.

“Maravilha. Manda bala, manda bala. Tem que ganhar, não pode perder não, meu irmão. Tu é doido? (sic)”, responde o presidente do órgão.

policia federal
PF-AC cumpriu oito mandados de prisão em órgão do governo durante operação que apura compra de votos — Foto/Divulgação/PF-AC

Reservatório ilegal de combustível

Durante uma coletiva de imprensa na sede da PF-AC, os delegados deram mais detalhes do esquema que funcionava dentro do Iteracre para beneficiar o presidente do órgão durante as Eleições 2018. O candidato recebeu 2.161 votos para o cargo de deputado estadual.

O chefe da Delegacia de Defesa Institucional e responsável pela investigação do caso, Eduardo Maneta, destacou que um reservatório de combustível foi montado na casa da mãe de uma servidora do Iteracre.

O local tinha capacidade para cerca de mil litros de combustível, que era desviado do órgão para abastecer veículos de cabos eleitorais que faziam campanha para Figueiredo.

A PF diz que ainda não fez o levantamento dos valores desviados. Porém, informou que, de setembro até 7 de outubro, quando houve o primeiro turno do pleito, o uso de combustível no Iteracre superou o total usado durante todo o ano de 2017.

“A operação ainda está em andamento, mas, nesta sexta ainda apreendemos combustível desviado. Ainda vamos fazer uma avaliação mais apurada em um segundo momento. Vamos calcular o valor do prejuízo ao erário para que, após as medidas policiais, nós possamos assegurar medidas de ressarcimento do patrimônio público que foi lesado por esse grupo criminoso”, destacou o delegado.

Servidora relata ‘medo’ da polícia em áudio

A PF também divulgou o áudio entre uma servidora e um cabo eleitoral em que ela diz que todos os carros estão indo abastecer no reservatório ilegal, pois temem que a polícia acabe descobrindo o esquema.

A mulher, segundo a polícia, já ocupou o cargo de chefe de gabinete da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Proteção Familiar (Seaprof).

“É porque tem que tirar tudo hoje, porque ‘tão’ com medo (sic)”, diz a servidora. Em seguida, o cabo eleitoral pergunta se tem pessoas “de olho” na esquina do reservatório e diz que a casa não deve ter adesivos do candidato.

Diárias em troca de votos

Além do combustível, o delegado diz que diárias indevidas como se os trabalhadores estivessem em atividade do órgão, mas, na verdade, os trabalhadores faziam campanha eleitoral. Segundo Maneta, o valor pago em diárias aumentou em mais de 257% no período analisado em que Figueiredo era diretor e deixou a presidência para concorrer ao cargo de deputado estadual.

O delegado responsável pelo caso destacou que um grupo criminoso atuava dentro do Iteracre e tinha até divisões de tarefas para a compra de votos durante o pleito. Inclusive, conforme a polícia, às vésperas da eleição, Figueiredo atuava com os próprios cabos eleitorais na compra de votos.