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domingo, 5 de julho de 2026
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Prefeitura de Boca do Acre contrata empresa após ação do MP para regularizar Portal da Transparência

Gestão de Frank Sobreira Barros corre para regularizar informações públicas após anos sem divulgar folha de pagamento, receitas, despesas e diárias

A Prefeitura de Boca do Acre firmou o Contrato nº 140/2025 com a empresa RM Serviços Digitais Ltda, no valor de R$ 27.600,00, para a implantação de um novo portal da transparência e de um portal de acesso à informação pública. O serviço inclui ouvidoria, hospedagem, extração de dados dos sistemas já existentes, capacitação, suporte técnico e manutenção, atendendo às exigências da Lei de Acesso à Informação (LAI).

A decisão, entretanto, não partiu de uma iniciativa espontânea da administração municipal. O prefeito Frank Sobreira Barros adotou a medida após o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) ingressar com uma ação civil pública, acusando o município de descumprir completamente as normas de transparência.

Desde o início da atual gestão, nenhuma folha de pagamento foi publicada, tampouco informações sobre diárias, passagens, receitas, despesas, contratos, gastos com pessoal ou qualquer outro dado mínimo obrigatório. A situação foi considerada grave pelos órgãos de controle.

MP aponta omissão, desatualização e descumprimento de prazos

A ação judicial, assinada pelo promotor Marcos Patrick Sena Leite, teve como base o inquérito civil nº 178.2021.000019, instaurado após denúncia do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais. Durante a investigação, o Ministério Público constatou que o portal oficial da Prefeitura de Boca do Acre simplesmente não disponibilizava informações essenciais para o controle social.

Relatórios do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) confirmaram as irregularidades: ausência de dados sobre orçamento, licitações, contratos, despesas com diárias, passagens, servidores, remunerações e outras informações obrigatórias.

Mesmo com recomendações, ofícios e prazos concedidos, o prefeito não cumpriu as determinações. Segundo o MP, a Prefeitura apresentou respostas protelatórias, ignorando reiteradamente as exigências legais de transparência.

O acesso à informação é fundamental para que a população fiscalize a administração municipal. A falta de transparência facilita a má gestão e pode configurar improbidade administrativa”, destacou o promotor Marcos Patrick.

Justiça pode aplicar multa pessoal ao gestor

Diante da resistência do município, o MP ajuizou uma ação exigindo que tanto o Executivo quanto o Legislativo Municipal regularizassem seus portais em até 60 dias, sob pena de multa diária de R$ 2 mil aplicada pessoalmente ao gestor responsável.

Somente após o processo judicial avançar é que o prefeito autorizou a contratação da empresa RM Serviços Digitais, por dispensa de licitação nº 081/2025, com vigência entre 22 de outubro de 2025 e 22 de outubro de 2026.

O contrato prevê que a empresa será responsável por implantar a plataforma, migrar dados, treinar servidores e manter o portal em funcionamento — um passo imprescindível para que a população finalmente tenha acesso às informações sobre o uso do dinheiro público.

Anos de ausência total de transparência

A omissão da Prefeitura de Boca do Acre já se estendia por anos. Desde o início do mandato do atual prefeito, nenhuma informação obrigatória foi publicada, deixando a sociedade sem qualquer meio de acompanhar:

  • execução orçamentária;
  • despesas e receitas do município;
  • pagamentos de serviços;
  • salários e vantagens de servidores;
  • diárias, passagens e contratos;
  • relatórios de gestão fiscal