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O que disseram figuras que miram 2022 ao votar em 2020

Figuras nacionais que buscam protagonismo na disputa presidencial de 2022 votaram neste domingo (15) no primeiro turno das eleições municipais de 2020 e deram declarações sobre o quadro político nacional.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva votou em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e falou sobre a conversa que teve em setembro com o ex-governador do Ceará Ciro Gomes.

Lula afirmou que a reaproximação com Ciro não passa pela união em torno de uma chapa para as eleições presidenciais de 2022. “Nós não poderíamos conversar isso porque se a gente sentasse para conversar isso, a gente não teria sentado”, disse o petista. Segundo o ex-presidente, o que tentou se estabelecer é que ambos têm o direito de ser adversários.

Nas eleições presidenciais de 2018, Ciro ficou em terceiro lugar, No segundo turno, distanciou-se de Fernando Haddad, candidato petista que foi para o confronto direto com Jair Bolsonaro e acabou perdendo.

O ex-governador sustenta que o PT trabalhou para impedir a concretização de suas alianças naquela disputa. Nas eleições municipais de 2020, os pedetistas ensaiam um acordo com o PSB, a fim de tomar o protagonismo petista no campo da centro-esquerda em 2022.

O PT e Lula, por sua vez, caminham para uma grande derrota na maior cidade do país, ao apostar em Jilmar Tatto como candidato à prefeitura paulistana.

Depois de votar, Lula também falou sobre as articulações de uma chapa que envolveria os nomes do apresentador de TV Luciano Huck e o ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro, que foi ministro da Justiça do governo Bolsonaro.

“Quando chegar 2022, o PT tem muitos candidatos. É normal que Ciro queira ser presidente da República, é normal que Flávio Dino [governador do Maranhão pelo PCdoB] queira ser, é normal que a [TV] Globo esteja procurando o Huck, tentando juntar ele com o Moro. Tudo isso é normal”-Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República, após votar em São Bernardo.

Por limitações legais impostas por condenações da Lava Jato, Lula não pode se candidatar em 2022. O ex-presidente tenta reverter o quadro com recursos na Justiça.

As falas de Huck, Moro, Maia e Doria


Luciano Huck votou na zona oeste do Rio de Janeiro e foi questionado sobre as articulações para as eleições presidenciais de 2022 e respondeu dizendo que “faltam séculos” para essa disputa. O apresentador preferiu ressaltar a importância da escolha de prefeitos e vereadores.

“As transformações que a gente de fato precisa começam nas cidades. Esta eleição é superimportante, não sob o ponto de vista do rearranjo político, mas sob o ponto de vista das transformações necessárias que a gente precisa”, afirmou Huck.

O apresentador não quis comentar os encontros recentes que manteve com Sergio Moro e também com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). As conversas giram em torno da criação de uma frente opositora a Bolsonaro em 2022.

SERGIO MORO (À ESQ.), EX-MINISTRO DA JUSTIÇA E EX-JUIZ FEDERAL, E LUCIANO HUCK, APRESENTADOR DE TELEVISÃO


Nas redes sociais, o ex-juiz da Lava Jato publicou uma mensagem neste domingo (15) sobre as escolhas para prefeito e vereador. “Escolha candidatos íntegros e comprometidos com uma gestão honesta e que beneficie a todos, sem discurso de ódio”, escreveu.

Moro aderiu ao governo de Bolsonaro, um político de extrema direita, mas depois de 16 meses pediu demissão acusando o presidente de tentar interferir politicamente em investigações da Polícia Federal que se aproximavam de aliados.

O ex-ministro e ex-juiz votou em Curitiba. “A gente viu nessa pandemia como é importante ter bons gestores e boas políticas”, afirmou Moro. Ele não quis comentar a sucessão presidencial de 2022.

Presidente da Câmara, Maia votou na zona oeste do Rio e falou sobre a influência de Bolsonaro na política. “Eu acho que agora [Bolsonaro] representa o tamanho do núcleo dele que era muito menor que os 46% de intenção de voto que ele teve [no primeiro turno de 2018], ele está voltando ao tamanho normal e a influência é menor, especialmente nas capitais onde a cobrança é muito maior do que nos municípios do interior”, afirmou o deputado, diante do baixo desempenho de candidatos de grandes cidades apoiados pelo presidente em 2020.

Sobre as articulações para 2022 que envolvem Huck, Moro e também o governador paulista, João Doria (PSDB), o presidente da Câmara afirmou que “o DEM vai se cacifar para comandar esse processo”. O partido de Maia tem boas perspectivas de vitória em grandes cidades em 2020.

DORIA E COVAS VOTAM JUNTOS EM SÃO PAULO


Doria, por sua vez, votou na zona oeste de São Paulo, ao lado do candidato Bruno Covas, prefeito que tenta reeleição pelo PSDB. O governador fez críticas indiretas a Bolsonaro.

“Essa já é uma eleição emblemática porque estabelece aquilo que alguns não gostam, a democracia, direito ao voto, direito ao povo. Essa é a verdadeira democracia. Democracia não se faz pela ameaça e nem pela força, se faz pelo voto”, afirmou o tucano.

Bolsonaro, por sua vez, votou na Vila Militar, na zona oeste do Rio. Sob um forte esquema de segurança, ele não deu declarações públicas. Sem estar filiado a um partido político, o presidente empenhou seu apoio a diversos candidatos em 2020.

O contexto atual de Bolsonaro


Bolsonaro passa por uma nova fase de radicalização. No primeiro semestre, com aliados cercados por investigações, o presidente fez ataques a instituições e chegou a ameaçar usar as Forças Armadas contra o Supremo Tribunal Federal.

Ele também enfrentou a pandemia do novo coronavírus com um discurso anticientífico, batendo de frente com governadores e prefeitos que adotaram medidas de quarentena contra o espalhamento da doença. Chamou a covid-19 de “gripezinha” e desdenhou das mortes.

JAIR BOLSONARO CUMPRIMENTA POLICIAL MILITAR DO RIO DE JANEIRO DEPOIS DE TER VOTADO NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS


Após a prisão de Fabrício Queiroz em junho, o tom mudou, pelo menos em relação ao Supremo. Amigo do presidente e ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Queiroz é acusado de operar um esquema de rachadinhas no gabinete do filho mais velho do presidente. Isso teria ocirrido quando Flávio era deputado estadual no Rio.

Após um período sem atacar as instituições, Bolsonaro retomou um discurso mais extremista em outubro, abrindo uma guerra contra a vacina desenvolvida por uma empresa chinesa em parceria com o governo paulista de Doria. Comemorou quando os testes desse imunizante foram interrompidos temporariamente e disse que os brasileiros não poderiam enfrentar a pandemia como “maricas”. Até sábado (14), 165.658 pessoas haviam morrido de covid-19 no Brasil.

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