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terça-feira, 18 de agosto de 2026
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“Nas três piores crises, estamos com os piores líderes”, avalia Jorge Viana

Visado por seus admiradores e críticos, Jorge Viana é um político que não passa desapercebido. Liderança do campo progressista no Acre, o ex-senador tem movimentado os bastidores da política acreana com a sua possível candidatura ao Senado, além de ser cotado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), militância e apoiadores para disputar o governo do Estado.

Nesta sexta-feira, 10, fui recebida por Jorge para um café com política em seu novo escritório, situado na Avenida Ceará, em Rio Branco. Um papo inteligente que, entre muitos assuntos, abordou o cenário político do Brasil e o futuro do Acre.

Para Jorge, o país vive atualmente as suas três piores crises: sanitária, econômica e social. “São três grandes crises: uma traz a morte a milhares de famílias, a outra gera dificuldade do ponto de vista econômico [trabalho e renda] e, como consequência, a gente está enfrentando, talvez, a maior crise social. O Brasil voltou para o mapa da fome e isso se reflete no Acre. No meio dessas três grandes crises, estamos com os piores líderes para nos tirar delas. Pessoas inexperientes e equivocadas”, avalia.

Confira a entrevista exclusiva

Jorge Viana concedeu entrevista exclusiva ao OPINIÃO (Foto: Gleilson Miranda)

OPINIÃO: Jorge, como você avalia esse cenário de ódio no Brasil no que tange as pautas sociais?

Jorge Viana: Estou muito preocupado com a situação que a gente se meteu. O movimento de 2013, em que as pessoas foram às ruas buscar dias melhores, se transformou em uma coisa que está ficando ruim para todo mundo. Claro, muito pior para as minorias, muito pior para os mais pobres, muito pior para a nossa juventude. É uma situação que está dividindo as famílias, dividindo a boa convivência, porque ninguém pode levar uma nação para frente pregando o ódio, distribuindo armas e implantando políticas de exclusão. Mas, acredito que é uma questão de tempo para o Brasil se livrar desse tipo de política.

OPINIÃO: Na sua opinião, como um país que já aspirou esperança e dias melhores se transforma em um lugar que vomita ódio e fake news?

Jorge Viana: Eu achava tão legal quando a gente falava assim: “o melhor do Brasil é o brasileiro”. Mas, agora, o nosso povo briga consigo mesmo. As pessoas querem dar tiro nas outras no sinal, não têm sensibilidade com quem passa fome, as pessoas estão tendo que pedir comida na rua! Então, já não posso dizer que o melhor do Brasil é o brasileiro. Precisamos trazer isso de volta. Tenho esperança de que isso volte, mas, nesse momento estou muito apreensivo porque tem muita mediocridade nos líderes que estão nos conduzindo. É uma coisa perversa! O Brasil precisa superar essa fase terrível de ter líderes políticos nos estados e em Brasília que se descolaram de bons sentimentos. É lamentável! Mas, a minha esperança é de que a gente já deve estar bem pertinho de deixar isso para trás, voltar a conviver com respeito e buscar ser feliz de novo. A gente já foi! Não podemos ser a terra do “já teve”, nem o Brasil nem o Acre.

OPINIÃO: A inflação em agosto bateu recorde para o mês, e esse cenário se reflete no Acre. Em Marechal Thaumaturgo, por exemplo, a botija de gás custa R$140. Como você avalia isso?

Jorge Viana: O Brasil voltou para o mapa da fome, quase 15 milhões de brasileiros não têm o que comer e isso se reflete no Acre! Nosso povo lamentavelmente empobreceu, a falta de perspectiva para os mais jovens é gritante, e isso me preocupa porque a nossa força são os jovens. E no meio dessas três grandes crises, estamos com os piores líderes para nos tirar delas. Pessoas inexperientes e equivocadas. Eu fico me perguntando, por que o Acre está entre os estados que menos vacina? Um estado que tem menos de um milhão de pessoas, onde se pode fazer um mutirão para a gente criar um ambiente de segurança sanitária com vacinação.

OPINIÃO: E qual seria uma via de saída para mudar essa rota?

Jorge Viana: Defendo que o governo do Acre crie um programa de auxílio para as pessoas. O governo parou de pagar a dívida, são R$ 50 milhões que ficam no caixa do governo. Enquanto estamos na pandemia, o Estado pode pegar um quarto disso. Se fosse eu, pegaria metade e destinaria R$ 500 por mês para 50 mil famílias, para que as pessoas não tenham que estar pedindo dinheiro e comida na rua. Isso é possível fazer! Porque dinheiro na mão do povo, imediatamente, é dinheiro circulando na economia. As pessoas não estão enxergando que o Brasil triplicou a produção de petróleo, graças ao Lula e a comunidade científica que descobriram o pré-sal. Nós produzimos três vezes mais petróleo que antes e nunca tivemos uma gasolina a R$ 7. O gás de cozinha já passou dos R$ 100 faz tempo. Isso afeta tudo! E essa conta é de quem está governando o Brasil e o Acre.

OPINIÃO: Jorge, você tem feito um movimento de diálogo com muitas lideranças comunitárias e políticas. Afinal de contas, você será candidato nas eleições de 2022?

Jorge Viana: Em um almoço, perguntei ao Dom Moacyr se a indiferença era um pecado. Ele falou, “meu filho, é um dos grandes. Uma pessoa indiferente, não vai para o céu nunca. Às vezes, nem o cão quer. Uma pessoa que vê alguém sofrendo e não faz nada, que pode ajudar e não ajuda, é o que a Bíblia denomina de quente, morno e frio. E o morno vomita-se”. O que estou fazendo, mesmo já tendo sido prefeito, governador por duas vezes e senador, é tentando não ser indiferente nesse momento de dificuldade. Se eu posso ajudar com a minha experiência, por que não ajudar o meu estado, o meu país e as pessoas?! E na política, o jeito de ajudar é se candidatando. Não estou me lançando a nada, estou primeiro conversando e ouvindo as pessoas, convidando lideranças para nos juntarmos e oferecermos a esperança de dias melhores, emprego, prosperidade e políticas sociais.

OPINIÃO: E para finalizar, vou fazer uso do slogan de uma das suas campanhas eleitorais. “A vida vai melhorar”, Jorge?

Jorge Viana: Não posso acreditar em outra coisa. Estou trabalhando para isso e acho que todos nós deveríamos trabalhar para que a vida melhore para todos, mas, ela precisa melhorar urgentemente para quem mais precisa, para os que estão sofrendo mais. Para que a gente não fique indiferente com o sofrimento dos outros, que é um pecado grande. Eu acho que o Acre tem jeito, que o Brasil tem jeito, mas, nós precisamos primeiro dar um jeito no ódio e na intolerância. Se a gente deixar as pessoas perversas de canto e juntarmos a maioria, que são as que querem conviver novamente, serem felizes, querem todas as cores, a gente resgata o sentimento de que o melhor do Brasil é o brasileiro, o melhor do Acre é quem vive aqui. Se fizermos isso, as pessoas vão deixar de ir embora do Acre e faremos do nosso estado um lugar novamente feliz. Eu tenho esperança!