O candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury (Avante), defendeu a necessidade de reformular as regras do Bolsa Família para evitar que o benefício desestimule a busca por emprego formal no país.
A declaração ocorreu durante o fórum “Encontro com os Presidenciáveis”, realizado pela Unecs (União Nacional das Entidades do Comércio e Serviços), em Brasília. A abertura, que contaria com a presença do presidente Lula, teve a participação do chefe do Executivo cancelada.
Representantes de diversas entidades do comércio e dos serviços estão reunidos no hotel Royal Tulip, localizado em área nobre de Brasília, para o fórum “Encontro com os Presidenciáveis — Diálogo pelo Futuro do Brasil”. O evento busca debater as principais propostas dos postulantes ao Palácio do Planalto voltadas ao setor produtivo.
Augusto Cury: “Bolsa Família ama a pobreza, mas não ama os pobres”
Ao abordar o cenário econômico e a contratação de mão de obra pelas empresas, o postulante ao Planalto utilizou uma frase para sintetizar sua visão sobre a atual estrutura do programa assistencial.
“Bolsa Família tem que ser ajustado. Hoje está muito difícil arrumar colaboradores para empresas, pessoas têm medo de perder os benefícios. Bolsa Família ama a pobreza, mas não ama os pobres”, afirmou Augusto Cury.
Segundo o candidato, a maneira como o benefício está desenhado dificulta o recrutamento de colaboradores por parte do setor produtivo. Ele apontou que muitos beneficiários temem aceitar empregos formais e perder o auxílio governamental, criando um travamento na oferta de mão de obra.
Cury também defendeu o fim do cargo vitalício dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e foi aplaudido durante o evento.
Alertas sobre a Reforma Tributária e o impacto no comércio
Antes de abordar o programa de transferência de renda, Cury respondeu a questionamentos sobre a Reforma Tributária e os novos tributos como a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O candidato classificou a proposta atual como uma “panaceia” que carece de clareza para a sociedade.
“Nós certamente faremos uma análise para ver se ela liberta ou asfixia”, afirmou sobre a reforma tributária.
Para ele, a implementação dessas mudanças pode sobrecarregar principalmente o pequeno empreendedor.
Regulamentação rigorosa e crítica severa às apostas online
Outro ponto de destaque no discurso de Augusto Cury foi o avanço das apostas virtuais (bets) no cotidiano dos brasileiros. O psiquiatra e escritor classificou a expansão dessa modalidade como um sério problema de saúde pública e de desenvolvimento social.
Ele ressaltou que a prática gera forte dependência no córtex cerebral e impacta diretamente a renda familiar. “No Brasil, gasta-se cerca de R$ 30 bilhões por mês com apostas online. Isso é insustentável e afeta o desenvolvimento da nação”, defendeu.
Como solução, o presidenciável propôs uma regulamentação severa com a aplicação de impostos altos para conter o avanço do setor no país.
Encontro com os presidenciáveis em Brasília
A Unecs (União Nacional das Entidades do Comércio e Serviços) realiza em Brasília o fórum “Encontro com os Presidenciáveis”, reunindo lideranças do setor produtivo e nomes como Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
O evento serve de palco para a entrega de um manifesto com 14 eixos estratégicos para reduzir o Custo Brasil, modernizar regulamentações e estimular a geração de empregos no país.


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