Aliado político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a criticar duramente o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, classificando o texto como ruim, mal negociado e baseado em um mandato desatualizado.
As declarações foram dadas em entrevista ao jornal espanhol El País, na qual o líder francês afirmou que, apesar do valor simbólico e geopolítico do pacto, o conteúdo do acordo não atende aos critérios que ele considera essenciais.
“Defendo acordos justos, que incluam salvaguardas e respeitem o clima ao mesmo tempo em que atendam às necessidades econômicas. Este é um acordo desatualizado e mal negociado”, afirmou Macron.
Segundo informações do Estadão, o presidente francês tem sido um dos principais opositores do acordo dentro da União Europeia e já comunicou pessoalmente à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que a França votará contra o texto caso ele avance nos moldes atuais.
No campo comercial, Macron também alertou que a União Europeia não pode relaxar diante de possíveis novas ameaças tarifárias no cenário internacional, em um contexto que ele definiu como de instabilidade permanente. Embora não tenha citado diretamente os Estados Unidos, a declaração ocorre em meio a tensões comerciais globais.
Para o presidente francês, a estratégia europeia deve ser focada na redução de riscos e dependências externas, com decisões tomadas de forma autônoma pelos países do bloco, sem aguardar novas crises internacionais.
Macron ainda comentou sobre sua relação com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando manter uma postura profissional. Segundo ele, é possível ser “respeitoso e previsível, mas não fraco”.
“Nunca insultei os Estados Unidos, seu povo ou seus líderes. Mas diante de agressões flagrantes, não devemos nos curvar. Tentamos essa estratégia por meses e ela não funciona”, declarou.


?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>