O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (21) que o governo brasileiro poderá adotar medidas de reciprocidade diplomática após a expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo dos Estados Unidos. A declaração foi dada durante agenda oficial na Alemanha, após o chefe do Executivo ser informado sobre o caso.
Segundo Lula, qualquer reação dependerá da confirmação de eventual abuso por parte das autoridades norte-americanas. “Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil”, declarou.
A Polícia Federal informou que o delegado estava em território americano em missão oficial de cooperação internacional. No entanto, conforme divulgado, a expulsão ocorreu de forma compulsória e sem explicações detalhadas por parte do governo dos EUA.
Contexto envolve prisão de Ramagem
O episódio acontece cerca de uma semana após a detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
Ramagem foi preso em 13 de abril por agentes do serviço de imigração dos Estados Unidos (ICE) e liberado dois dias depois. Ele estava no país desde setembro do ano passado, após deixar o Brasil.
Versões divergentes

Autoridades norte-americanas alegam que o delegado brasileiro teria tentado “manipular o sistema de imigração”, contornando pedidos formais de extradição e levando questões políticas ao território dos EUA.
Já a Polícia Federal sustenta que a atuação ocorreu dentro dos parâmetros de cooperação internacional, destacando que Ramagem é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe e abolição violenta do Estado de Direito.
O caso agora adiciona tensão à relação diplomática entre os dois países, enquanto o governo brasileiro avalia os próximos passos diante do episódio.


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