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segunda-feira, 27 de julho de 2026
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Itamaraty critica EUA por falta de diálogo e aplica princípio da reciprocidade

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) criticou a atuação do governo dos Estados Unidos após a retirada das funções de um agente da Polícia Federal brasileira em território norte-americano. Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira (22), o governo afirmou que a decisão foi tomada de forma unilateral e sem seguir o que classificou como “boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas”.

Segundo o comunicado, a medida foi informada apenas de maneira verbal, sem qualquer tentativa prévia de esclarecimento ou negociação. O Brasil também ressaltou que a decisão não respeitou acordos de cooperação bilateral nem os procedimentos previstos para esse tipo de situação.

No texto, o Itamaraty detalha que o oficial de ligação da Polícia Federal junto ao Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), em Miami, foi comunicado sobre a interrupção imediata de suas funções. Diante do episódio, um representante da embaixada norte-americana foi convocado para prestar esclarecimentos.

O governo brasileiro informou ainda que aplicará o princípio da reciprocidade, mecanismo comum nas relações internacionais que prevê tratamento equivalente entre países. Na prática, isso resultou na interrupção das atividades de um agente norte-americano em função semelhante no Brasil.

A nota também destaca que a decisão dos Estados Unidos não seguiu os parâmetros estabelecidos em memorando de entendimento bilateral, que regula a cooperação policial entre os dois países, nem respeitou o histórico de mais de 200 anos de العلاقات diplomáticas.

A tensão diplomática ocorre em meio ao caso envolvendo o ex-deputado Alexandre Ramagem, detido recentemente nos Estados Unidos. Considerado foragido pela Justiça brasileira, ele havia sido alvo de pedido de extradição.

A prisão inicialmente foi associada à cooperação entre os países, mas autoridades norte-americanas afirmaram que a abordagem ocorreu por questões migratórias. Ramagem foi liberado dois dias depois e permanece nos Estados Unidos enquanto aguarda a análise de um pedido de asilo.

Os Estados Unidos alegaram que o agente brasileiro teria tentado interferir em procedimentos formais de imigração. Já o governo brasileiro interpreta a decisão como uma quebra de confiança na cooperação bilateral.