Rio Branco
22°C
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
03:13

Instituições pedem justiça e repudiam intolerância religiosa sofrida por umbandista acreana

Foto de um dos momentos vivenciados por Larissa em sua casa de fé (Foto: James Maciel),

A intolerância religiosa sofrida pela servidora pública Larissa Sppezápria, de 23 anos, na última sexta-feira, 21, causou revolta e fez com que diversas instituições acreanas divulgassem nota de repúdio.

O Instituto Ecumênico Fé e Política do Acre (IEFO/AC), o Instituto Mulheres da Amazônia (IMA) e o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (COEPIR) pedem justiça às autoridades acreanas.

Segundo o IEFP/AC, “ao expressar publicamente sua fé, Larissa fez-se instrumento da Paz, do Amor e da Verdade Divina, demonstrando sua confiança inabalável no Poder Supremo de Deus, fonte da Vida”.

Ao OPINIÃO, o padre Massimo Lombardi lamentou o episódio e defendeu a diversidade religiosa e cultural:

 “Aqui, no Instituto Ecumênico, todos ficamos angustiados, pois a realidade hoje deveria ser diferente. Sempre trabalhamos favorecendo a valorização das diferenças, pois todos nós acreditamos na volta do Espírito Santo. E o Espírito Santo cria a unidade, mas na diversidade e não na uniformidade. As diferenças são um dom do Espírito Santo”.

PADRE MASSIMO LOMBARDI

“O IEFP/AC pede que as Autoridades competentes façam justiça e que o crime cometido seja reparado. E assim, nossa sociedade possa dar mais um passo rumo à liberdade e à dignidade humana”, diz o texto.

O pedido de justiça é validado pelo Instituto Mulheres da Amazônia. “O IMA se soma a corrente por respeito, amor e tolerância e cobra justiça das autoridades acreanas. Nos solidarizamos a Larissa e a Tenda de Umbanda Luz da Vida por tamanha agressão. Que a justiça seja feita nesse e em todos os casos de discriminação e preconceito, para que sejamos livres para professar a nossa fé”, endossou o órgão.

A Tenda de Umbanda Luz da Vida, casa religiosa de Larissa, também manifestou-se sobre o assunto.

“Enquanto o diferente for diferente, para o outro, não haverá amor. Em sua passagem pela terra, Jesus Cristo, como médium, nos ensinou o caminho de chegada até Olorum [Deus]: “amarás o teu próximo como a ti mesmo. As pessoas não são obrigadas a acreditar ou vivenciar a Umbanda, mas, devem respeitar. Afinal de contas, vivemos em um país laico.”

Ataque à democracia

Segundo o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Coepir), o ataque sofrido pela jovem umbandista fere a democracia.

“O Conselho ver esses ataques de religiões matrizes africanas, como um ataque à afronta a Democracia, ao estado laico e as entidades e pede respeito. Cobramos justiça das autoridades acreanas. Por isso mais uma vez nos solidarizamos com a Larissa e a Tenda de Umbanda Luz.

Reafirmamos o compromisso com a liberdade religiosa e o respeito às diferenças. Sabemos, sim, da intolerância religiosa contra nós, homens e mulheres negras que procuram cultuar e respeitar suas ancestralidades”.

Entenda o caso

Ao compartilhar uma foto da família, em que pedia oração pelos enfermos, a jovem umbandista foi atacada por meio de uma de suas redes sociais. Larissa Sppezápria, é assessora técnica da Corregedoria do Instituto Penitenciário do Acre (Iapen).

A servidora pública, os dois irmãos e o padrasto contraíram a Covid-19. Ao pedir boas energias para superar o momento de dificuldade, a jovem foi surpreendida com o ato criminoso. Pelo Instagram, um dos seguidores de Larissa, enviou a seguinte mensagem: “Pede para o Diabo te salvar e salvar a tua família, macumbeira”.

Crime

A legislação brasileira considera crime todo e qualquer ato discriminatório contra religião. O artigo 20, da Lei 7.716, diz que a discriminação por questão de religião é passível de pena de reclusão de 1 a 3 anos e multa, bem como o artigo 140 da Constituição Federal. A Declaração Universal dos Direitos Humanos também assegura o direito individual de cada pessoa professar a sua fé.

Leia também: “Pede para o Diabo salvar a tua família, macumbeira”, relata acreana vítima de intolerância religiosa