O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul enfrenta novo impasse após o presidente da França, Emmanuel Macron, informar que o país votará contra o tratado na reunião decisiva do Conselho da União Europeia, marcada para esta sexta-feira (9). A posição foi comunicada diretamente à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em meio a negociações de última hora em Bruxelas e à crescente pressão de agricultores franceses.
A sinalização francesa ocorre no momento em que o Executivo europeu tenta consolidar apoio suficiente para a aprovação do pacto, considerado um dos maiores acordos comerciais do mundo. Mesmo diante de concessões apresentadas por Bruxelas, Macron avaliou que o tratado, na configuração atual, é “impossível” de ser assinado.
Durante encontros recentes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou já ter alertado líderes europeus sobre a urgência da decisão. Segundo ele, o Brasil não pretende retomar negociações caso o acordo não avance agora. A assinatura, inicialmente prevista para dezembro de 2025, acabou sendo adiada.
Pressão interna e reação política
Para tentar reduzir resistências, a Comissão Europeia acenou com um aporte adicional de € 45 bilhões à Política Agrícola Comum (PAC), além da criação de salvaguardas para proteger produtores europeus. As medidas chegaram a sensibilizar a Itália, que sinalizou apoio condicionado à redução de mecanismos de proteção, mas não foram suficientes para mudar a posição francesa.
Na França, agricultores voltaram a bloquear estradas nesta semana, pressionando o governo contra o acordo. Diante da possibilidade de aprovação por maioria qualificada no Conselho — mesmo com o voto contrário de Paris —, o governo francês já articula uma reação política e jurídica.
A ministra da Agricultura, Annie Genevard, afirmou que busca mobilizar parlamentares no Parlamento Europeu, onde o acordo também precisará ser ratificado. Ela mencionou ainda a possibilidade de acionar o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) para tentar suspender a aplicação do tratado.
Placar ainda indefinido
Além da França, Hungria e Irlanda também anunciaram voto contrário, alegando riscos econômicos para produtores rurais e falta de garantias suficientes. O desfecho dependerá, principalmente, da posição final da Itália e da capacidade da Alemanha de manter coeso o grupo de países favoráveis ao livre comércio com o Mercosul.


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