O acordo nuclear que limitava os arsenais atômicos de Rússia e Estados Unidos chegou oficialmente ao fim nesta quinta-feira (5), encerrando, pela primeira vez desde a Guerra Fria, um período em que as duas maiores potências nucleares do planeta não contam com um pacto de controle de armamentos.
A expiração do tratado, conhecido como New START, reacende temores de uma nova corrida armamentista nuclear e eleva as preocupações da comunidade internacional sobre o risco de escalada militar em meio às tensões geopolíticas globais.
Firmado em 2010 pelos então presidentes Barack Obama e Dmitry Medvedev, o New START limitava os arsenais a 1.550 ogivas nucleares e 700 vetores estratégicos, como mísseis e bombardeiros, além de prever o compartilhamento de informações e mecanismos de inspeção entre os dois países.
O acordo deveria ter expirado em 2021, mas foi prorrogado por cinco anos. Ele substituiu o START I, tratado histórico firmado em 1991, ao final da Guerra Fria, entre George W. Bush e Mikhail Gorbachev.
Em 2023, o presidente russo Vladimir Putin anunciou a suspensão da participação da Rússia no tratado, impedindo inspeções norte-americanas, embora afirmasse que o país continuaria respeitando os limites de ogivas. A decisão foi atribuída ao apoio dos Estados Unidos à Ucrânia e ao agravamento das tensões diplomáticas.
Em setembro de 2025, Putin chegou a sugerir a renovação do pacto por mais um ano, mas, segundo o Kremlin, não houve resposta do então presidente norte-americano Donald Trump, o que resultou na expiração definitiva do acordo.
Trump, por sua vez, defendeu a criação de um novo pacto nuclear que incluísse a China. O país asiático, entretanto, rejeitou a proposta, classificando-a como desproporcional, já que seu arsenal nuclear é significativamente menor.
Atualmente, a Rússia lidera o ranking mundial com cerca de 5.459 ogivas nucleares, seguida pelos Estados Unidos, com aproximadamente 5.177. A China aparece em terceiro lugar, com cerca de 600 ogivas, após um rápido avanço nos últimos anos.
Com o fim do New START, não há mais limites formais ou mecanismos de verificação entre Moscou e Washington, cenário que amplia a incerteza internacional e reforça os alertas sobre os riscos de uma nova escalada nuclear.


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