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quinta-feira, 2 de julho de 2026
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CRISE NA SAÚDE

O deputado José Bestene (PP) não tem poupado críticas à secretária de Saúde do estado, Mônica Feres, desde que ela decidiu transferir da Fundhacre alguns especialistas. A insatisfação do progressista tem fundamento. Medidas como estas, como bem destaca Bestene, depõem contra o esforço do governador Gladson Cameli (PP) em garantir o mínimo de progresso na saúde pública. Até que ponto seria viável mexer na estrutura de atendimento do SUS? Quando vem alguém de qualquer município vai para lá. As cirurgias eletivas são lá, os transplantes e tratamentos de hemodiálise também. Imagina o impacto que essas mudanças vão causar, afinal de contas, a Fundação é uma unidade de alta complexidade. Os prejuízos são iminentes. O governador deve estar atento a isso porque ao invés de comemorar avanços na pasta terá que acalmar os ânimos da população, que já anda sinalizando insatisfação quanto às ações de Feres. A tendência é piorar.

COMPLICADO

Não será nada fácil o deputado José Bestene convencer o governador sobre os atropelos na gestão de Mônica Feres. No que diz respeito o esvaziamento da Fundhacre, tirando os ortopedistas e anestesistas, Gladson saiu na defesa da secretária.

TODA UMA LOSGÍSTICA

Já falei aqui na coluna e repito, fortalecer a saúde pública no estado vai além de inaugurar unidades. A logística é muito mais complexa. É preciso assegurar aos pacientes profissionais qualificados, medicamentos, aparelhos de exames, enfim, uma gama de coisas. No afã de inaugurar logo o novo Pronto-Socorro, Gladson pode ter passado por cima de detalhes importantíssimos.

ERRO GROSSO

Retirar os ortopedistas e anestesistas da Fundhacre para lotação no Pronto-Socorro é um grande erro. Estruturam uma unidade de saúde desestruturando outra. Como pode isso?

OUTRA LINHA

Nos corredores do Palácio Rio Branco o que se ouve é que as medidas tomadas por Mônica Feres têm o condão de forçar o desligamento de Lúcio Brasil do comando da Fundhacre. Caso seja verdade, esse detalhe mostra que a secretária não está em consonância com Gladson. Quem o manteve no cargo foi o próprio governador.

DEVENDO

Quanto a Mônica Feres, até o momento ainda não mostrou a que veio. Não fez nenhuma mudança significativa, ao contrário, as ações até agora tomadas estão repletas de críticas. Infelizmente, o sistema de Saúde do Acre continua tão ineficiente como no governo passado.

PACTO

Apesar dos intensos rumores de que a Gladson iria exonerar algumas pessoas do seu primeiro escalão logo após a ExpoAcre, pelo visto mudou de ideia. Houve uma espécie de pacto depois de um conjunto de exigências feitas pelo governador.

CUMPRINDO METAS

Thiago Caetano, secretário de Infraestrutura, que esteve perto da guilhotina, permanece, mas tem que atingir as metas estabelecidas pelo governador: acelerar o cronograma de obras e apresentar os projetos prontos no setor de licitações. O advogado Rui Oscar Abrantes também ganhou sobrevida.

AJUSTES PENDENTES

Mas ainda há ajustes sendo feitos. Gladson tem demonstrado insatisfação com os diretores do Deracre. Não está contente com o andamento do cronograma de obras e serviços de infraestrutura do estado.

EXONERAÇÕES

O lema de Gladson é desburocratizar. Portanto, todo e qualquer secretário que decidir seguir uma linha contrária ao governador, ou seja, continua burocratizando o governo, cairá fora. Com tantos problemas pendentes, agilidade precisa ser o sobrenome de cada um deles.

EMPRÉSTIMO

A secretária de Fazenda, Semiramis Plácido confirmou que o governo vai estudar contrair mais um empréstimo para quitar a dívida de R$ 189 milhões com precatórios. Com dificuldades financeiras para pagar credores e restos a pagar da gestão passada, o governo de Gladson Cameli enxerga esse empréstimo como uma solução viável.

NA ALEAC

O diretor-presidente da Emater Acre, Tião Bocalom, disse que vai a Aleac apresentar aos deputados o plano de agronegócio idealizado pelo governador. A ideia é informar aos parlamentares sobre as ações que Gladson pretende executar nessa área de investimento.

ORÇAMENTO

Até dezembro os parlamentares vão aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LOA). Ou seja, o orçamento para trabalhar em 2020. Certamente, Tião Bocalom quer se antecipar e pedir o apoio da Casa para a extensão rural.

REUNIÃO

Tião Bocalom se reuniu com pecuaristas e agricultores ligados à Federação da Agricultura e Pecuária (FAEC), presidida por Assuero Veronez, na última segunda-feira. Na próxima quinta, ele se reúne com os agricultores da Agricultura Familiar, ligados à Fetacre. O intuito é fazer com que todos conheçam o plano de gestão. Isso lhe garante muitos apoios. Agendas positivas.

O OUTRO LADO

O prefeito de Acrelândia, Ederaldo Caetano, se pronunciou sobre a denúncia do Ministério Público acerca de suposta irregularidade na aplicação de recursos do FUNDEB. Disse que foi feita a devida prestação de contas sobre esses recursos e que, posterior a isso, houve o arquivamento do processo pelo Ministério Público Federal. Foi uma surpresa para ele esse assunto ter voltado à ordem do dia.

PARCERIA

Voltou as rodas de conversa sobre política o pretenso desejo de Major Rocha (PSDB) em ter o Ulysses Araújo como vice de Minoru Kinpara na disputa a prefeitura da Capital. O rumor teve início na segunda quinzena de julho.

É CANDIDATO

Ulysses já afirmou à imprensa que é o candidato oficial do PSL à prefeitura de Rio Branco. Disse ainda que terá total apoio do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Mas, também não descarta a possibilidade de fechar uma parceria com o PSDB. Minoru e Ulysses em uma chapa torna a disputa ainda mais acirrada.

ANIMADO

Rocha continua animado com a possível candidatura de Minoru Kinpara à prefeitura da Capital pelo PSDB. Enxerga no ex-reitor a possibilidade de derrotar a atual prefeita, caso concorra à reeleição, ou qualquer outro nome que se coloca na disputa.

CONTRARIADO

O deputado Roberto Duarte (MDB) anda contrariado com a compra de mais de 110 carros de empresas de fora do Acre para a Secretaria de Segurança Pública. Disse que o governo errou ao adquirir esses veículos de empresas de fora ou diretamente das fábricas. “O estado deixa de valorizar as empresas locais que geram emprego e renda. Que economia de R$ 4 milhões é essa, meu Deus do céu”, questiona ele.

ATUANTE

O deputado federal Alan Rick (DEM-AC) conseguiu mais uma importante vitória junto ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. A liberação dos recursos para início das obras da nova escola Raimundo Hermínio de Melo, no valor de R$ 668.976,73, o que corresponde a 20% do valor total. A nova escola municipal irá receber alunos do ensino fundamental, ensino médio, além de 192 alunos da antiga escola Hermínio de Melo que será desativada.

FRASE

“Infelizmente pessoas que querem a qualquer custo chegar ao poder, inventam mentiras para enganar nossa população e sujar a imagem de quem não concorda com bandalheiras. Essas pessoas buscam notícias infundadas para diminuir nosso município na mídia”.

(Prefeito de Acrelândia, Ederaldo Caetano, sobre denúncia do MP contra sua gestão)

TÃO ACRE

 DEFUNTO FUJÃO

No bairro antigamente denominado Rabo da Besta, no Quinze, morreu um anônimo cidadão vagamente conhecido de cinco craques do futebol do passado acreano glorioso. Eram eles Boá, Orcette, Zé Cláudio, Benedito e Caetano. Chovia torrencialmente naquela tarde. Não existia ponte, para abreviar o caminho. Os cinco, na hora de carregar o caixão de madeira de pano preto e frisas amarelas, foram pelo barranco do Quinze e pegaram carona de um ribeirinho condoído naquele triste cortejo fúnebre. Saíram bem do lado do Papoco, de onde pegariam a pista até o cemitério São João Batista.

Naturalmente que o quinteto estava por causa da chuva súbita e da missão especialíssima, completamente trebado. A descida até o casco fez ser sem contratempos. O problema foi no barranco no Primeiro Distrito. O sirineus futebolistas, bebendo generosas talagadas da Cocal no gargalo, a custo retiraram o caixão da canoa. O barranco de barro liso como sabão, o caixão pesado e mal feito produziu insólita cena: o de cujus saiu pelo fundo quase mergulhando no Rio Acre, impedido providencialmente pelo Orcette Gomes do Vale, o mais ou menos bom. Recolocaram, no que subiam, outra vez o finado, enlameado e irreconhecível escapou pelo fundo e levou de roldão todo mundo.

Zé Cláudio espoletou-se, pegou o morto, ameaçou, enquanto os companheiros botavam dentro do recipiente chamado paletó de madeira.

-Se tu escapar de novo, te cubro na porrada.

O defunto, moita. Posto no caixão, outra saída. Levou a prometida surra. Caetano e Boá subiram às quedas com o caixão, Zé Cláudio, Orcette e Benedito arrastaram penosamente o infeliz sob os olhares de curiosos pendurados no alto do barranco sem ligar para o toró medonho, onde enfim ajeitaram-no no caixão para o enterro sem choro, vela se oração.