O morador do município de Boca do Acre, Erick Kennedy viaja ao Peru, grava alguns momentos durante o jogo e, em um ato de pura intuição, registra o momento histórico do gol de Danilo que consagrou o Rubro-Negro campeão continental
O destino às vezes brinca com a sorte, mas, em outras, entrega momentos que parecem escritos com precisão. Foi exatamente isso que aconteceu com o bocacrense Erick Kennedy, que estava no Estádio Nacional de Lima quando o Flamengo marcou o gol que decidiu o tetracampeonato da Libertadores. E mais do que ver, Erick filmou o lance no exato instante em que a bola encontrou as redes do Palmeiras — um registro que ele jamais imaginou que faria.
A aventura começou muito antes do apito inicial. Erick embarcou rumo ao Peru em uma caravana formada, que entre eles, tinha um palmeirense, todos movidos pela expectativa de viver algo grandioso. “Foi uma viagem cansativa, longa, mas carregada de emoção. Saímos de Boca do Acre sonhando com esse momento. E valeu cada segundo”, contou, ainda rouco de tanto gritar pelo título.
Quando o Flamengo ganhou o escanteio que antecedeu o gol, Erick já tinha o celular preparado. “Eu filmava todos os escanteios”, relembrou. O hábito virou premonição — e a premonição virou história. No vídeo, segundos antes da cobrança, é possível ouvir a voz dele, confiante, emocionada, quase profética: “Agora é o gol.”
E não é que foi mesmo?
A bola cruzada encontrou Danilo, que empurrou para o fundo das redes, explodindo o estádio em festa. A câmera de Erick registrou tudo: o giro da bola, o toque decisivo, o grito de milhares e a vibração incontrolável da torcida. Uma obra-prima do acaso, capturada por um flamenguista que viajou mais de 3 mil quilômetros para viver aquele instante.
“Eu ainda fico arrepiado quando vejo o vídeo. Era o meu time, num jogo de Libertadores, e o gol do título saiu bem na frente de onde eu estava. Foi indescritível. Acho que ainda estou sem voz de tanto gritar”, disse o bocacrense, sorrindo como quem revive o momento pela milésima vez.
Para ele e os amigos que integraram a caravana, a ida ao Peru não foi apenas uma viagem, mas uma travessia emocional. “Representar Boca do Acre lá, no meio daquele mar rubro-negro, foi algo que vou carregar para sempre. A sensação é de que fui premiado por estar naquele estádio. Filmar o gol então… isso foi um presente.”
O Flamengo voltava a escrever seu nome na história do futebol continental — e um filho de Boca do Acre estava lá, testemunhando e registrando cada segundo. Um registro único, inexplicável, quase mágico, digno da paixão rubro-negra que atravessa fronteiras.
No final, o tetracampeonato não foi apenas do Flamengo. Foi também de Erick, que trouxe para casa não só memórias, mas um vídeo que virou tesouro, prova de que a fé do torcedor e a surpresa do destino podem se encontrar no momento perfeito.
E, como ele mesmo disse no vídeo que arrepiou Boca do Acre: “Agora é o gol.”
E foi.



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