A decisão que permite obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) sem aulas obrigatórias em autoescolas provocou reação imediata do setor. Entidades que representam empresas de formação de condutores classificaram a medida como uma afronta e afirmam que irão recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal).
A resolução, aprovada nesta segunda-feira (1º) pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito), extingue a carga mínima de aulas teóricas e reduz de 20 para 2 horas o mínimo de aulas práticas obrigatórias. O candidato poderá escolher aprender com instrutores autônomos credenciados.
Provas teóricas, práticas e exames toxicológicos continuam obrigatórios. A resolução passa a valer após publicação no Diário Oficial da União.
Setor fala em insegurança jurídica
A Feneauto (Federação Nacional das Autoescolas) classificou a medida como precipitada e afirmou que a mudança cria “profunda insegurança jurídica”.
Segundo nota da entidade, o governo estaria interferindo em atribuições do Congresso:
“Essas mudanças configuram um fato consumado criado pelo Executivo, desrespeitando o Parlamento, que já havia decidido debater o tema com participação social.”
A CNC (Confederação Nacional do Comércio), também representante do setor, decidiu ingressar com ação no STF e articula apoio político para suspender os efeitos da resolução.
O que muda para tirar a CNH
- Autoescolas deixam de ser obrigatórias;
- Provas teórica e prática continuam exigidas;
- Exame toxicológico obrigatório para categorias C, D e E;
- Aulas práticas mínimas reduzem de 20h para 2h;
- Instrutores autônomos poderão oferecer treinamento.
O governo federal afirma que a mudança reduz custos e amplia o acesso à habilitação. A estimativa é de que cerca de 20 milhões de brasileiros conduzem veículos sem CNH.



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