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sexta-feira, 24 de julho de 2026
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Deputado Leo de Brito destaca ações do mandato e faz avaliação do cenário socioeconômico do Acre

O jornal Opinião conversou com deputado federal Leo de Brito (PT/AC). Na oportunidade, o parlamentar falou o cenário político e socioeconômico do país e do Acre, eleições 2022 e ainda fez uma avaliação das ações do mandato.

“Na realidade, não existe gestão”, disse o deputado ao avaliar o governo de Gladson Cameli. Para o Leo de Brito, o atual governo não conseguiu alinhar o trabalho em equipe, o que dificultou a execução de ações importantes para o desenvolvimento do Estado.

“Ele não consegue fazer licitações, a maioria são caronas, principalmente de Manaus. Poderia ter aproveitado o período da pandemia para fazer licitações e projetos, porque veio muito dinheiro para o Estado. Hoje, não sabemos onde está sendo aplicado esses recursos, pois, não vemos obras e nem melhorias chegando à população”, destacou.

E acrescentou: “a capacidade de execução go governo é baixíssima, a menor dos últimos 25 anos. Para se ter uma ideia, do recurso que chegava ao Acre, o mínimo que executávamos era 60%. No governo do Binho, por exemplo, chegamos a executar 80% do recurso disponível. Esse governo não chega a 23%”.

O petista falou ainda sobre os escândalos de corrupção envolvendo a equipe do governo. “Temos escândalos de corrupção pipocando nas várias secretarias, como exemplo, a Operação Ptolomeu, envolvendo o próprio governador e um montante de R$ 800 milhões”, falou.

Construção das chapas – Com relação ao processo de construção de chapas dentro do PT, o deputado reafirmou que tem sido positivo. “O processo ocorreu muito bem e teremos candidatos a deputado estadual e federal nas várias regiões do estado do Acre. Nosso objetivo é fazer de quatro a cinco deputados estaduais, e pelo menos dois deputados federais nas nossas chapas da federação PT, PV e PCdoB”.

Disputa ao Governo do Acre – O deputado não descarta a possibilidade de o ex-senador Jorge Viana participar da disputa ao governo do Estado. “Te digo de maneira muito categórica que nesse tempo todinho que tenho conversado com o Jorge, depois de ter retomado o mandato, especialmente depois que ele se colocou à disposição para ser candidato majoritário pelo PT, nunca viu ele mais convencido ser candidato ao governo do que agora. Essa possibilidade, hoje, posso afirmar que é muito real”, afirmou.

OPINIÃO – Deputado, nesta semana temos o início das convenções partidárias. Fale um pouco do processo de construção das candidaturas pela federação.

LEO DE BRITO – Desde o ano passado passamos a coordenação da montagem de chapas para o ex-governador e ex-senador Jorge Viana. Ele que tem conduzido de maneira muito competente todo esse processo. E nesse caminho houve uma decisão do PT, junto com o PV e o PCdoB, de formar uma federação, que na verdade é uma coligação de quatro anos, como se fosse um partido. O processo ocorreu muito bem e teremos candidatos a deputado estadual e federal nas várias regiões do estado do Acre. Nosso objetivo é fazer de quatro a cinco deputados estaduais, e pelo menos dois deputados federais nas nossas chapas da federação PT, PV e PCdoB.

OPINIÃO – O Jorge Viana já confirmou a pré-candidatura dele ao Senado Federal, porém, existe o apelo de muitas pessoas para que ele dispute o governo do Estado. Ponto pacificado ou podemos ter um novo anúncio nos próximos dias?

L.B. – Fizemos um encontro no mês passado e, na oportunidade, foi chancelado que o ex-senador Jorge Viana concorra ao Senado. Os partidos da federação também têm esse entendimento. Porém, também entendemos ser importante conversar com os demais partidos, o que tem sido feito com o PSB, por exemplo, que tem o deputado Jenilson Leite como pré-candidato ao governo do Estado. Mas, também existe o entendimento de que se o Jorge estiver disposto a ser candidato ao governo ele pode. Temos até o dia da convenção para tomar essa decisão e estamos debatendo o assunto com muita responsabilidade. O Jorge tem apoio dos empresários, lideranças de outros partidos, religiosas, comunitárias e mais. Te digo de maneira muito categórica que nesse tempo todinho que tenho conversado com o Jorge, depois de ter retomado o mandato, especialmente depois que ele se colocou à disposição para ser candidato majoritário pelo PT, nunca viu ele mais convencido ser candidato ao governo do que agora. Essa possibilidade, hoje, posso afirmar que é muito real.

OPINIÃO – Já que estamos falando do Governo do Acre, qual avaliação você faz da gestão do Gladson Cameli?

L.B. – Na realidade não existe gestão. Ele não consegue fazer licitações, a maioria são caronas, principalmente de Manaus. Poderia ter aproveitado o período da pandemia para fazer licitações e projetos, porque veio muito dinheiro para o Estado. Hoje, não sabemos onde está sendo apli cado esses recursos, pois, não vemos obras e nem melhorias chegando à população. Temos escândalos de corrupção pipocando nas várias secretarias, como exemplo, a Operação Ptolomeu, envolvendo o próprio governador e um montante de R$ 800 milhões. Não tem planejamento, a capacidade de execução do governo é baixíssima, a menor dos últimos 25 anos. Para se ter uma ideia, do recurso que chegava ao Acre, o mínimo que executávamos era 60%. No governo do Binho, por exemplo, chegamos a executar 80% do recurso disponível. Esse governo não chega a 23%. Enquanto na gestão da Frente Popular se executava R$800 milhões por ano, esse governo não executa nem R$200 milhões. Falta gestão, sem dúvida.

OPINIÃO – Deputado, já que estamos falando de gestão, faz um comparativo entre Gladson Cameli e Jorge Viana.

L.B. – Hoje, o estado do Acre não tem governo. Vivemos um período de desgoverno e miséria, onde 45% da população vive na pobreza. O índice de desemprego é altíssimo, pessoas saindo Acre para morar em outros estados. O governo falha na Educação, Saúde, Segurança Pública. Não vemos obras acontecendo, vivemos uma paralisia muito grande. Ao contrário da gestão do Jorge Viana, que assumiu o Estado praticamente falido e reergueu. Já no primeiro ano de governo dele tínhamos os servidores ganhando em dia. As áreas da Saúde e Segurança devidamente ajustadas, obras estruturantes como o Parque da Maternidade, asfaltamento da Transacreana, da AC-475 entre Acrelândia e Plácido de Castro. Foram criados programas importantes como o do Adjunto da Solidariedade.

Em síntese, o Gladson pegou o Estado muito melhor, mas falta planejamento, gestão. E no trato político ele peca com os aliados, que todos que estavam com ele se foram. A última notícia que tive foi que o deputado Alan Rick, que é um dos parlamentares mais fiel ao governo Cameli, está sendo chutado. Foi assim com o Petecão, Flaviano, Mara Rocha e Rocha, Bocalom e agora o Alan.

OPINIÃO – No cenário nacional, o Lula tem aparecido bem avaliado nas pesquisas de intenção de votos, o que tem gerado certo incômodo dos apoiadores do presidente Bolsonaro. São muitos ataques ao PT e ao Lula. Levando em consideração esses fatos, somado ao homicídio de um petista em Foz do Iguaçu, no último dia nove, podemos esperar um pleito violente?

L.B. – A bancada da oposição foi até o Tribunal Superior Eleitoral para pedir que eles façam uma campanha contra a violência nessa eleição. Até vendo a possibilidade de impedir que as pessoas portem armas no dia da eleição. Necessário que medidas preventivas sejam adotadas. Inclusive, estamos querendo federalizar essa situação. Fomos até o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, para tratar também desse assunto. O que aconteceu em Foz do Iguaçu pode ocorrer em qualquer lugar do país.

Participo de campanha desde que eu tinha dez anos e nunca vi uma escalada de ódio, de violência tão grande como estamos vendo agora. Só na última semana vimos vários incidentes.

O mais triste nessa situação é que o presidente Bolsonaro, como a maior autoridade da República, era para ser o primeiro a condenar esse tipo de prática. Ele deveria pedir solidariedade a essa família que perdeu um ente querido, e não enviar um deputado dele e dividir uma família. É um cara que incentiva a violência e isso leva os seguidores dele a atacar as pessoas, principalmente os petistas.

OPINIÃO – Deputado, consegue apontar um ponto positivo do governo de Jair Bolsonaro?

L.B. – Difícil! O presidente da República sequer sentou na cadeira de presidente. Ele parece que ainda está no palanque. Desde que assumiu a gestão, toda essa semana cria uma crise. Quando teve a pandemia ele teve a oportunidade de chamar a situação e oposição para lutar contra esse mal, porém, não foi isso que fez. Não buscou produzir vacinas, atrasou a chegada delas no país e, hoje, temos mais de 680 mil famílias que perderam entes queridos para a Covid-19 por negligência do governo federal. A política econômica é um fracasso. O que foi produziu ao longo desses três anos e meio? Não produziu nada. Inflação é a mais alta dos últimos 25 anos, o preço do gás de cozinha é recorde. O diesel passou o preço da gasolina, e a própria gasolina está um preço exorbitante. E ainda tenta convencer a população de que a redução do ICMS no combustível é a solução.

O Bolsonaro será o primeiro presidente das últimas décadas que terminará o mandato com o valor do salário mínimo menor, proporcionalmente, de quando ele entrou. Os investimentos na Educação estão caindo cada dia mais, os preços dos alimentos subindo, a miséria está aí, desemprego está alto. Para se ter uma ideia do desastre que é esse governo, o Brasil voltou para o mapa da fome. Estamos falando de 33 milhões de pessoas que estão na fome.

OPINIÃO – Você citou a pouco a redução do ICMS dos combustíveis. Deputado, apesar do governo ter adotado essa medida, o resultado nas bombas não foi o esperado. Ao invés de reduzir o ICMS não teria sido debater política de preço?

L.B. – É exatamente isso que queremos. Desde 2016 que estamos dizendo que essa política de preço não interessa ao Brasil. O presidente Bolsonaro desenvolveu uma tese de que o problema estava no ICMS, mas não é verdade. No governo Lula, por exemplo, tínhamos a gasolina no valor de R$ 2,60 e o preço do barril do petróleo era muito mais alto. O ICMS era o mesmo de hoje. Te pergunto: o que mudou então?

Ponto aqui a ser debatido é a política de preço. Infelizmente, essa política de preço do governo Bolsonaro nos últimos três anos e meio deixou a gasolina aumentar quase 300% . A redução do ICMS só tira uma fatia pequena do que cresceu. A pessoas não sentem diferença…continua sentindo no bolso.

A Petrobrás foi criada para obedecer aos interesses do Brasil, transformar o petróleo brasileiro em riquezas para o país, melhorar o setor produtivo. Toda essa política de petróleo e gás é fundamental para o desenvolvimento do Brasil, porém, quando se tem uma política de preço equivocada, como essa dolarizada, aumenta o preço do frete, do gás, dos alimentos, chega no nosso bolso.

OPINIÃO – Deputado, para finalizarmos, para uma avaliação das ações do seu mandato?

L.B. – Desde o primeiro mandato sempre procurei levar recursos para os 22 municípios do Acre, especialmente em áreas estratégicas. Na Saúde temos muitas ações, como fortalecimento dos Postos de Saúde e, consequentemente a Atenção Básica de Saúde. O programa Saúde Itinerante é uma marca do nosso mandato. Melhorias das unidades hospitalares. Na Infraestrutura, a entrega de maquinários para a área agrícola, pavimentação de ruas e calçadas. Na área de Esporte, Lazer e Cultura também temos ações. E não podemos deixar de citar a Educação, que é o carro chefe do meu mandato. Durante a pandemia da Covid-19 lutamos com afinco pela vacinação da população.

Mas, o mandato vai além disso. Agora nesse período fui presidente da Frente Parlamentar para a valorização das universidades federais em todo o Brasil. Também direcionamos recursos para a recuperação do Restaurante Universitário da Ufac, construção de novos blocos na universidade. Além disso, recursos para projetos de Pesquisa e Extensão, assim como também temos trabalhado pela Educação Básica, aprovando o Fundeb.

Tivemos uma vitória grande que foi barrar a reforma administrativa, que ia privatizar os serviços públicos, ia dificultar a vida de tanta gente. Criamos o Vale Gás que hoje beneficia 5,5 milhões de famílias no país e 52 mil famílias no Acre. Defesa da Amazônia, que é um tema importante, também estivemos presentes.
O lema do meu mandato é ‘Na sua defesa todos os dias’. E é isso que temos buscado fazer pelo nosso povo.

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