Depois de acusar o PMDB de ser “golpista” pela destituição da ex-presidente Dilma Rousseff, o PT flerta com os peemedebistas em ao menos seis estados, informa o jornal O Globo. Entre eles, Alagoas, de Renan Calheiros (PMDB), e o Ceará, de Eunício Oliveira (PMDB). Os dois votaram a favor do impeachment de Dilma quando ela foi afastada definitivamente da Presidência, por 61 votos a 20, em 30 de agosto do ano passado. Também há negociações de alianças entre o PT e o PMDB em Minas Gerais, Piauí, Sergipe e Paraná.
Caso seja candidato ao Senado por Minas, como se tem ventilado, Dilma pode ter de subir ao mesmo palanque do PMDB. O partido apoia o governador Fernando Pimentel (PT), candidato à reeleição, e tenta emplacar o deputado estadual Adalclever Lopes (PMDB) como vice.
Adalclever é filho do ex-ministro Mauro Lopes (Aviação Civil), que se deixou o cargo para retornar à Câmara e votar a favor do impeachment da ex-chefe. Mas o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), postula candidatura ao governo estadual e se opõe à aliança com os petistas.
O líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP), diz que há conversas informais nos estados onde os dois partidos têm boa relação mesmo após o impeachment.
A aliança entre petistas e “golpistas” é vista com simpatia pelos dois lados: o ex-presidente Lula quer candidatos fortes nos estados para impulsionar sua candidatura ao Palácio do Planalto; já para o PMDB, em alguns estados, é importante não contrariar a popularidade do ex-presidente. No Nordeste, Lula chega a er mais de 50% das intenções de voto.
Uma decisão do Diretório Nacional do PT proíbe formalmente alianças do partido com legendas que apoiaram o impeachment. Mas petistas influentes têm defendido a derrubada da proibição.


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