MANOEL FAÇANHA
Na noite desta quinta-feira (18), o coração do ex-sindicalista, político e servidor do Ministério Público Federal, Sergio Rocha Taboada, parou de pulsar numa UTI de um hospital particular de São Paulo, após sofrer uma parada cardiorrespiratória no início da tarde. Taboada tinha 60 anos, era casada com Gisela Oliveira e tinha três filhos.

Na vida política, Sérgio Taboada daria seus primeiros passos durante o processo de redemocratização do país (início dos anos de 1980), ajudando na criação na Associação dos Bancários do Acre. Taboada era, na época, funcionário do Banco do Brasil e, juntamente com outras lideranças do setor bancário, resolveram transformaram a associação da categoria numa entidade bem mais representativa, assim nascendo o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Acre, em 1987.
Na liderança de Sérgio Taboada, chegou-se ao consenso de que o sindicato e suas ações precisavam chegar a todas as camadas da sociedade, assim passando a formar opinião. Um informativo foi criado para a distribuição. Neste período, Taboada conseguiu colocar os bancários na vanguarda dos movimentos sociais, cobrando políticas públicas do governo, acompanhando as lutas nacionais, realizando greves fortíssimas, participando dos debates que envolviam a sociedade e, especialmente, os interesses da classe trabalhadora. Os bancários viraram referências e a principal entidade estadual.
Na sua militância sindical, Sérgio Rocha Taboada chegou a confidenciar aos amigos que sua prisão, ocorrida na frente do Banacre, no final da década de 1980, o teria marcado bastante. Segundo ele, era uma greve pacífica e sua prisão ocorreu sem uma razão lógica, já que, nunca durante as greves realizadas eram usados piquetes, mas sim, havia uma comissão de esclarecimento. Taboada explicou ainda que as greves coordenadas por ele sempre foram por adesão da maioria dos trabalhadores.
O discurso firme na defesa da classe trabalhadora garantiu dois mandatos de deputado estadual (1990/1998) para Sérgio Taboada, então filiado ao PC do B. Na época de sua atuação no parlamento acreano era considerado pela mídia como um exemplo de combatividade em prol das causas dos trabalhadores. Sérgio Taboada foi autor da Lei estadual de Incentivo à Cultura. Com a candidatura de Sérgio Taboada a uma cadeira na Assembleia Legislativa do Acre, em 1990, a presidência do Sindicato ficaria a cargo do vice-presidente, João Roberto Braña Bezerra. Neste período, o projeto neoliberal do presidente Fernando Collor de Melo ganhava força pelo país, tornando constante a ameaça de privatização dos bancos públicos.
Nos últimos anos da década de 1990, Sérgio Taboada desiludido com a política, resolve abandona o parlamento e mudou-se para a cidade de São Paulo, juntamente com a esposa e filhos. O casal superou as dificuldades e, nos últimos anos, Sérgio Taboada dedicava boa parte do tempo para a música e era assíduo frequentador das redes sociais, onde defendia o isolamento social, o uso de máscara, higienização das mãos e ainda a compra de vacinas como principais elementos para salvar vidas durante a pandemia do novo coronavírus.


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